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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

[Top 10] Coisas que dá pra salvar na trilogia nova de Star Wars


Não se fala em outra coisa no "mundo pop" a não ser Star Wars. Filme novo, a volta dos personagens clássicos, finalmente a continuação da história, spoilers, teorias, conjecturas... E a velha discussão de porque a trilogia nova (A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) é tão horrível, e só o Samir gosta dela. Assim, já que guardar rancor é o caminho para o Lado Negro da Força, dou o braço a torcer nesse post, relembrando 10 coisas da Nova Trilogia que, digamos, não são um lixo completo (inclusive o próprio Samir me ajudou, já que eu estava há meses pensando, sem conseguir juntar 10 coisas):

(atenção: texto com spoilers dos filmes I a VI)


10 - O paralelo entre as histórias de Luke e Anakin Skywalker

Ao final de Retorno de Jedi, o Imperador e Darth Vader querem de todo jeito convencer Luke a juntar-se ao Lado Negro da Força para salvar aqueles que ama. De certa maneira, você nunca de fato acredita que isso vai acontecer, e, previsivelmente, ele não apenas não se converte como ajuda seu pai a se redimir. No entanto, por mais mal escrita e atuada que seja, a queda de Anakin para o Lado Negro em Vingança dos Sith mostra que aquilo já aconteceu antes, por razões muito parecidas, e que o fato de serem pai e filho torna isso algo a se temer, de fato. Por mais que você saiba que Luke não vá para o lado do Mal.

Tá calor, né? E a Dilma?

9 - Darth Maul

Eu nem acho Ameaça Fantasma o pior filme dos três (pra mim é Ataque dos Clones) mas com certeza é o mais dispensável (esse sensacional post mostra o porquê, e de quebra sugere uma ordem excelente para ver a saga toda). Se bem analisado, nada do que acontece ali tem real importância para os rumos da história. Mas para mim, é lá que está o melhor vilão de toda a trilogia: Darth Maul, aquele que é tão ruim que é mau com u e mal com L ao mesmo tempo. Assustador, tinha um sabre de luz maneiro e passava aquela sensação de algo sinistro que um vilão de Star Wars precisa. Tivesse sobrevivido, com certeza faria melhor papel que Christopher Lee (para mim, totalmente deslocado) e General Grievous (ok, ele era maneiro em Clone Wars, mas nos filmes? Afff).



8 - Trouxe Star Wars de volta e possibilitou novas criações

Muito pouco se falava de Star Wars na década de 1990. Em 1997, o lançamento da trilogia clássica remasterizada (Han atirou primeiro!) começou a trazer de volta a saga ao mundo, mas, como esperado, foi o lançamento de novos filmes que fez com que Star Wars voltasse a ser assunto. E, mesmo não tendo sido bons, esses filmes possibilitaram também o surgimento de coisas maneiras, como Clone Wars, Lego Star Wars e Star Wars: Rebels.




7 - Mais informações sobre o passado dos personagens

Nerds são a maioria do público-alvo de Star Wars. E, como nerds que são, querem compulsivamente mais informações sobre aquilo que os interessa. Isso a nova trilogia traz. Mesmo que as informações sejam contraditórias, desnecessárias, revoltantes ou decepcionantes, bem, elas estão lá.

Mas eu não precisava saber que Anakin foi um moleque mala que gritava IIIPPIII!

6 - O Surgimento de Darth Vader

Desde o dia em que os filmes novos foram anunciados, um momento era muito esperado pelos fãs: a transformação final da pessoa Anakin Skywalker no vilão Darth Vader. E, apesar de alguns detalhes (o NOOOOOO, por exemplo), essa foi uma cena que eu gostei. Lembro de mal respirar enquanto Darth Sidious pegava o Anakin semi-morto e o colocava na icônica armadura. Especialmente a tomada "em primeira pessoa", com a máscara sendo colocada nele pela primeira vez, e seguida da famosa respiração, convenhamos, foi foda.



5 - "Fear is the path to the Dark Side"

A nova trilogia de Star Wars surgiu e se desenvolveu na era da internet. E, como tal, não poderia deixar de gerar memes, piadas, sátiras, e homenagens. Para mim, a mais versátil de todas é a cena em que o Conselho Jedi entrevista o pequeno Anakin para definir se ele será treinado. A fala de Yoda se tornou um clássico instantâneo ("Fear is the path to the Dark Side. Fear leads to anger, anger leads to hate, hate leads to suffering."):



Já no longínquo ano de 1999, pré-internet, Lisa Kudrow (a Phoebe de Friends), estrelou uma sátira a essa cena no MTV Movie Awards (juntando com outro meme pré-histórico, o do Kevin Bacon).


4 - Trilha Sonora

Um fato da vida: John Williams consegue tornar até um filme iraniano interessante, apenas com a trilha sonora. Na nova trilogia não seria diferente. Claro que as músicas da trilogia clássica (especialmente a Marcha Imperial) são, bem, clássicas, mas o trabalho dele nos filmes novos é tão bom quanto, talvez melhor em alguns momentos. A luta de Qui-Gon Jinn e Obi-Wan contra Darth Maul ganha muita dramaticidade ao som de Duel of the Fates:



3 - Trazer Star Wars para uma nova geração

Dezesseis anos se passaram entre Retorno de Jedi e Ameaça Fantasma. Assim como a nossa geração descobriu Star Wars quando criança e trouxe isso consigo, toda uma nova geração, que hoje está nos 20 e poucos anos, conheceu e se apaixonou pela saga a partir dos filmes novos. Se um deles voltou e curtiu a trilogia clássica também, já compensa tudo o que passamos ao nos decepcionar.



2 - O Duelo entre Anakin e Obi-Wan

Outro daqueles momentos que todo mundo que viu a trilogia original sempre imaginava era o duelo final entre Anakin e Obi-Wan. Mestre e discípulo forçados a lutar por tomarem posições contrárias em um conflito. Anakin derrotado, tendo sua conversão completada ao passar por um sofrimento indescritível ("na lava? como foi isso?", pensávamos nós), e tendo que viver para sempre em uma assustadora armadura de suporte de vida, buscando dominar definitivamente a galáxia. E, apesar de alguns detalhes ("Give up, Anakin, I have the higher ground"? Jura?), a luta não decepciona, podendo ser considerada um dos melhores (talvez o melhor) momento dos 3 filmes:



1 - Jar Jar BinksNÃO, VANZO, SAI DAÍ, JÁ DISSE QUE SÓ VOCÊ GOSTA DELE!!!


Peço desculpas pela interrupção.

1 - A certeza de que a trilogia original é algo único e especial

George Lucas sempre disse que sua história tinha nove partes, e que a trilogia original eram os episódios IV, V e VI dessa história. Ao anunciar os filmes I, II e III, nos encheu de esperança de finalmente termos uma grande história completa. Porém, mesmo com sua presença e direção (ou, na verdade, por causa dele), a nova trilogia foi uma decepção. O que nos mostra que é muito difícil replicar as condições que tornam um filme, ou uma saga, algo memorável. É torcer para que, a partir de amanhã, essas condições estejam novamente reunidas em O Despertar da Força.


E sim, finalmente eles estarão de volta.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Os Pássaros (The Birds, 1963)



Os poucos que me lêem por aqui sabem que não tenho preconceito com clássicos (pelo contrário, gosto de muitos), não faço questão (na verdade, nem gosto muito de) histórias fáceis, e gosto de filmes do Hitchcock (Um Corpo Que Cai e Janela Indiscreta são excelentes filmes). Então peço sua ajuda, caro leitor: onde é que estou errado em achar Os Pássaros um filme péssimo?

Não costumo escrever muito aqui sobre os filmes que não gostei. Em alguns casos, escrevo só pra descer a lenha no filme mesmo (como Menina de Ouro), mas em outros, como Blade Runner, tento entender o porquê de não ter gostado do filme, já que é tão famoso e tanta gente parece gostar. Esse é o caso aqui: tentarei listar as razões pelas quais eu odiei o filme e peço que me ajudem a entender nos comentários. Obviamente, falarei bastante da história, então segue o aviso: se você não viu e ainda quer ver o filme, não leia o texto. Contém spoilers.

O filme conta a história de uma região litorânea perto de San Francisco, onde, sem razão aparente, todos os tipos de pássaros começam a atacar as pessoas. Sem entender bem o que acontece, os moradores tentam se proteger e fugir da ameaça.



Situações inverossímeis e mal desenvolvidas: a moça conhece o rapaz em uma loja de pássaros, depois manda um "stalking" agressivo, descobre onde ele passa o fim de semana e vai atrás com a desculpinha de "presentear a irmã dele com periquitos" (?). Após uma tentativa patética de se esconder, é descoberta e... nada acontece. O rapaz leva isso numa boa, e o fato tem quase nenhuma importância para o filme. A moça conhece a professora local, descobre que ela é um ex-caso do rapaz, e... nada. A professora conta para ela que a mãe do rapaz é perigosa e foi a responsável pela separação deles, a mãe faz umas caras sinistras para a câmera, e... nada. Eu poderia dar outros exemplos, mas a impressão que dá é que Hitchcock foi abrindo situações para o filme e depois as descartou sem cerimônia. Ou tirou seus desdobramentos do filme na edição.

Sem falar que, em boa parte dos momentos, as pessoas não reagem como alguém real reagiria. As pessoas, sabendo da ameaça dos pássaros, se colocam em situações de risco. A moça stalker inventa uma historinha muito da vagabunda quando o rapaz a "descobre" "escondida" em um bote no meio do lago. Ele acredita. Toda a cena do bar, quando a moça tenta convencer as pessoas que os pássaros atacaram a escola é simplesmente inacreditável. Em vez de buscar saber o que aconteceu, as pessoas dão uma de malucos: uma mulher fica recitando nomes científicos de pássaros, outro passagens da Bíblia, e uma mãe tampa as orelhas dos filhos para que eles não fiquem com medo de ir à escola. Parte do bar acusa a protagonista de causar os ataques (moralismo, Hitchcock, jura?). Poderia simbolizar o surrealismo da situação (como assim, pássaros atacando pessoas?), onde ninguém sabe como reagir, mas para mim soou apenas como uma cena irritante e sem propósito.



Atuações constrangedoras: para quem já teve James Stewart, Kim Novak, e Anthony Perkins, o casal formado por Rod Taylor e Tippi Hedren (quem?) é quase uma vergonha. Ambos têm carisma negativo, e pouco ajudam em dar alguma vida aos diálogos e situações ruins do filme.

As mulheres: tudo bem que o filme é dos anos 60, mas o próprio Hitchcock, em filmes anteriores, já havia criado personagens femininas mais bem desenvolvidas. Aqui, mesmo a moça stalker, que dá uma de independente, quanto a professora que largou tudo por um amor, são personagens fracas, rasas, que passam o filme todo querendo ser "salvas" por um mocinho que não diz a que veio. Já a mãe do protagonista, pintada como a "megera" que destruiu o relacionamento dele com a professora, passa o filme todo caindo pelos cantos, e no momento em que começa a criar (ou parecer que cria) um vínculo com a protagonista (e você acha que pode ser algum tipo de manipulação), adivinhe!, nada acontece.

O final: Nada contra finais abertos, de maneira alguma. Um dos meus filmes favoritos, Feitiço do Tempo, não explica absolutamente nada e é genial. A cena do confinamento dentro da casa, que supostamente deveria ser o ápice do horror, é chata e previsível (e o que a moça foi fazer no telhado, afinal?). Tudo bem, é um filme de 50 anos atrás, podemos dar um desconto. Aí a cena de suspense apoteótica, com ele saindo para buscar o carro, aquela tensão toda, e...nada. Você ainda tem uma esperança quando a garota pede para levar a gaiola dos periquitos, mas (adivinhe de novo) nada. Os últimos 20-30 minutos de filme se tornam apenas um estorvo inútil. Vamos lá, você é o Hitchcock, pode fazer melhor, vai!


"Mas o filme não tem nada de bom?", você que resistiu até aqui pode me perguntar. Olha, a menos que o pessoal nos comentários mostre que estou errado (o que eu realmente quero que aconteça), para mim, muito pouco. A premissa principal é bem bolada, e o trabalho de produção e filmagem, com o tanto de pássaros que foram necessários, impressiona. Mas só isso. E o pior é que eu esperava muito, por se tratar do considerado "Mestre do Suspense", de quem já vi filmes ótimos. Mas, novamente, posso ter visto o filme em um dia ruim, ou simplesmente ter sido burro para entender as referências. Por isso peço: me malhem nos comentários ou no twitter. Quem sabe eu mudo de opinião. Torço para isso.

Nota: 2,0 (entra na lista dos 10 piores filmes que já vi)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, 2005)


Depois de ter escrito os textos sobre Star Wars e O Império Contra Ataca, o normal aqui seria eu estar escrevendo agora sobre O Retorno de Jedi. No entanto, após uma conversa no Facebook, percebi que, por ter visto A Vingança dos Sith apenas uma vez, no cinema, com todo o frenesi de "finalmente veremos o surgimento de Darth Vader", não tinha uma visão clara dele como filme, apenas como preâmbulo da trilogia clássica que tanto gosto. Sendo assim, resolvi assistir ao filme novamente, 8 anos depois, e, claro, escrever sobre ele aqui no blog.



Mas para falar sobre ele, é necessário situar um pouco a história. A tal "nova trilogia", iniciada por A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones (filmes sobre os quais eu provavelmente não vou escrever posts aqui), conta a história de Anakin Skywalker, aquele que viria a se tornar o famoso vilão Darth Vader. No primeiro, ele é uma criança, filho de uma escrava, encontrado quase por acaso por 2 cavaleiros Jedi em um planeta remoto. Eles percebem seu potencial e resolvem levá-lo para ser treinado. No segundo, ele já está adulto, e observa de maneira próxima uma crise na república, ao mesmo tempo que tenta lutar com seus próprios demônios. Dados os mais de 15 anos entre o final da trilogia clássica e o lançamento da nova, a expectativa era muito grande e o sucesso de público foi enorme, mas não há como negar que os filmes são ruins, com uma história confusa e inverossímil. No entanto, no ano de 2005 seria lançado aquele filme que finalmente fecharia o ciclo, mostrando finalmente o início de uma das histórias mais cultuadas do cinema moderno.

Eu fui ao cinema e adorei. Claro que estava longe de ser perfeito, e mesmo de ser tão bom quanto os clássicos, mas o lento declínio de Anakin (Hayden Christensen, um péssimo ator) para o lado negro, sua transformação em Sith, a tão aguardada luta entre ele e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o nascimento de Luke e Leia, a morte de Padmé Amidala (Natalie Portman) eram acontecimentos tão importantes e aguardados dentro da mitologia da série que o fato de finalmente poder vê-los mais do que compensava os "pequenos" deslizes cometidos por George Lucas (notoriamente um diretor fraco) em seus 3 filmes. Uma nota 8,0 e um bom lugar na minha lista de filmes e mesmo na cronologia da saga foram as conclusões a que cheguei na época.



Até semana passada.

Na tal conversa de Facebook a que me referi, eu defendia que o filme não era grande coisa, mas que completava bem a história, fechando de maneira satisfatória os pontos em aberto, enquanto o Fábio Vanzo dizia que não, como se fosse Yoda me dizendo que "The dark side clouds everything" (ele não disse bem isso, claro, mas foi essa a mensagem). Percebi que só poderia ter certeza vendo novamente o filme, mas dessa vez em uma posição mais isenta, analisando-o como história e não como peça arqueológica de um universo de que gosto tanto.

E, amigos, lhes digo: o filme é horrível.



A história é simplista, os personagens rasos e contraditórios ao extremo, os diálogos mal escritos e constrangedores, e até por isso, as atuações, mesmo dos atores mais consagrados, são risíveis. A edição é primária, não conseguindo construir um ritmo decente e quebrando demais a história (sério, parece novela mexicana: uma cena canastrona, um cenário, uma cena canastrona...). 

Os acontecimentos que levam Anakin de vez ao lado negro não fazem nenhum sentido, e suas reações ao que acontece à sua volta e às tentativas de manipulação que sofre dos demais personagens são incompreensíveis. A motivação de sua mudança (as visões que tem de Padmé morrendo e a sua vontade de impedir esse destino) não é nem de longe forte o suficiente para que ele faça as coisas que faz no segundo ato, e sua reação após descobrir (uns 5 minutos depois) que não conseguiu impedir sua morte é a de um homem fraco e não de um líder, destruindo totalmente a imagem de vilão mega-blaster-motherfucker da trilogia original. Contribui também para isso um ator que não consegue passar nenhuma credibilidade, não tem expressões faciais e tem sempre o mesmo semblante (embora tenha que ser dito que nem mesmo Marlon Blando teria conseguido coisa muito melhor com o texto que lhe foi dado). A direção e o roteiro de Lucas são praticamente infantis, sem nenhuma profundidade.

O que me levou à óbvia pergunta seguinte: então por que eu saí do cinema, em uma noite de Maio de 2005, achando que tinha visto um bom filme? até que ponto a minha ligação emocional com a história e a vontade que eu tinha de que o filme fosse bom me fizeram realmente acreditar nisso? Não sei se saberia explicar, mas o fato é que, sob algumas circunstâncias, parece que nosso senso crítico é desligado, como se nosso cérebro não quisesse lidar com uma verdade que desejamos ardentemente que não seja.



E isso não acontece o tempo todo? A tal dissonância cognitiva, que leva as pessoas a supervalorizarem o que concorda com suas opiniões ou vontades, e desprezarem tudo que vai contra elas? Em religião, futebol, política, cinema, ou até mesmo em nosso convívio diário, vemos a verdade ou apenas o que queremos ver? Ou essa minha filosofia toda é só de novo um jeito de tentar algo de positivo de uma experiência decepcionante, da qual eu tinha ma imagem muito melhor? :-)

Em resumo, não sei se prefiro agora, ou se era melhor eu ter ficado com a imagem positiva que tinha até então. Ainda acho que algumas poucas coisas se salvam: a trilha sonora de John Williams, o "nascimento" de um ícone pop como Darth Vader, e até mesmo a fotografia e o visual de algumas cenas, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan. Mas é pouco, muito pouco. Nem falei muito dos demais aspectos do filme, da atuação de Samuel L. Jackson (um ator de que gosto muito), de toda a computação gráfica (que é até bem feita, mas acaba parecendo mais uma máscara para disfarçar a falta de conteúdo), e outros, para não aumentar ainda mais minha decepção com o filme.

Só espero que ver o Episódio VII (previsto para 2015), não me faça olhar para esse e pensar "é, até que não era tão ruim". Nesse caso, fãs ao redor do mundo vão acabar imitando uma das piores mortes da história do cinema, a de Padmé, simplesmente "perdendo a vontade de viver"...

Nota: 4,0


sábado, 16 de março de 2013

Maratona de filmes março/2013


O post de hoje é um pouco diferente. Aliás, bem diferente. Eis que me encontro, sozinho em casa, sexta-feira à noite. Esposa na pós (hoje de noite e amanhã o dia todo), filha passando uns dias com a avó. Foi assim que me surgiu a ideia: tenho tantos filmes que ainda quero ver, e normalmente tão pouco tempo para vê-los, que tal passar esse tempo todo (adivinhem) vendo filmes?

Pois bem, é isso que vou fazer. Começando agora (sexta, 20:30), e amanhã o dia todo, pretendo assistir algo em torno de 7-8 filmes. E descrever a experiência aqui, não só falando sobre os filmes mas também sobre a maratona em si, se eu aguentar até o fim.

A escolha dos filmes? O único critério é que eu não tenha visto ainda (ou que, por tempo ou outra razão, não me lembre mais dele). No mais, pretendo variar bastante de gênero, país, época, tipo... Nada contra, por exemplo, uma maratona de filmes do James Bond, mas não é essa a minha ideia hoje (portanto, pode parar de me chamar, box de Star Wars...)

Outro critério é que o filme da noite não seja mudo, longo ou devagar demais. Acabei de parar de trabalhar, a chance de dormir na frente da TV é enorme.


Assim, também em homenagem aos 70 anos de David Cronenberg completados hoje, um filme via Netflix: eXistenZ (1999). Seguindo a linha dos demais filmes do diretor, tem características de realidade distorcida, contando a história de um jogo de realidade virtual jogado através de conexões bio-mecânicas. A criadora do jogo (Jennifer Jason Leigh, uma das atrizes mais subestimadas do cinema) é atacada por uma organização que é contra a fuga da realidade que o jogo produz. Não é um filme para todos, tem um quê de bizarro, mas a história é muito interessante, e imagino que tenha influenciado muitos filmes mais recentes, como Inception, por exemplo. Muito bom filme, com vários "plot-twists". Nota: 7,0

Continuando, acho que por hoje (sexta-feira) é só. São quase 23h e a perspectiva é de um dia longo de filmes amanhã.


Já dormi, acordei, corri e comi, então resolvi começar o dia com um filme mais leve para ir devagar: Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, 1935), comédia dos irmãos Marx em que eles tentam ajudar um casal de cantores a ficarem juntos e a fazer sucesso na ópera. Nunca tinha pensado em uma grande diferença entre o drama e o humor: as histórias dramáticas são clássicas, e "esqueletos" de roteiro funcionam bem desde o início do teatro na Grécia Antiga, como o amor não correspondido, as diferenças sociais impedindo casais de serem felizes e outros. Já o humor é tremendamente mutante. O que faz as pessoas rirem hoje provavelmente não as fará em 20 ou 30 anos. Não existem grandes histórias clássicas de humor. Tudo isso para dizer que, apesar de clássico, para mim esse filme envelheceu muito mal: todo baseado em "gags" físicas e nas frases espirituosas de Groucho Marx, quase 80 anos depois perdeu toda a sua novidade. E o tanto de números musicais torna a hora e meia de filme um suplício. Nota: 4,0.


Um café depois, e segue a maratona, com Cova Rasa (Shallow Grave, 1994). Primeiro filme para o cinema de Danny Boyle (Trainspotting, A Praia, Quem Quer Ser um Milionário?), já mostra tanto na direção quanto nas atuações (adoro a fase "escocesa" de Ewan McGregor, pra mim um excelente ator) o amadurecimento que continuaria 2 anos depois em Trainspotting. Conta a história de 3 amigos que moram juntos, e acabam aceitando mais um morador para dividir as despesas. Logo em seguida, o novo morador tem uma overdose no quarto, e eles descobrem uma mala de dinheiro escondida. A evolução de cada um dos personagens é notável, e aos poucos a situação vai exercendo sobre eles uma pressão que se torna insuportável. Ótimas atuações (coincidentemente, é o segundo filme de Christopher Eccleston nessa maratona, 2 boas atuações), e o roteiro com aquele jeitão inovador e abusado de filme iniciante. Nota: 7,0


Depois do almoço, hora de falar sério. Um dos filmes que todo mundo mais se espanta quando digo que não vi. Problema resolvido agora: Taxi Driver (1976). Nem preciso falar sobre a história, nem sobre a atuação de Robert de Niro (e queriam dar o Oscar pra ele por O Lado Bom da Vida????). Aliás, o grande problema foi esse: depois de ouvir falar tanto do filme, de já saber os pontos principais da história (ele leva a namorada no cinema pornô, tenta salvar a menina prostituta, mata um monte de bandidos, e tal), o filme perde um pouco do impacto. Não é culpa do filme, claro, mas minha por não tê-lo visto antes. De todo jeito, grande história, refletindo bastante o momento da história americana em que se passa, final da Guerra do Vietnã, país com moral baixa, veteranos voltando e não conseguindo se encaixar de volta. A direção de arte e fotografia são absolutamente fantásticas, essas sim me surpreenderam bastante. Scorsese é Scorsese, afinal, e esse, um de seus primeiros trabalhos, já mostra seu potencial. Nota: 7,0.


Pra quebrar um pouco o clima "pra baixo" do fim de tarde, nada como uma animação. Já tinha ouvido falar bastante de Wall-E (2008), até comecei a assistir uma vez, mas nunca tinha ido até o fim. Que filme fantástico! Quase sem falas na primeira metade, mostra que existem muitas maneiras de se passar a mensagem que se quer. Mostra também que o discurso ambientalista e contra o consumismo exagerado é importante e não precisa ser chato. E principalmente, mostra que personagens carismáticos podem fazer milagres por uma história. Difícil não se pegar torcendo pela "vida" e pelo "amor" entre dois robôs, e se emocionando no final. Pixar é foda. Podem me julgar à vontade, mas por enquanto é o melhor filme do dia (é, melhor que Taxi Driver). Nota: 8,1 (passa a ser o 58o. lugar na minha lista de filmes favoritos)


E, pra fechar a noite (embora eu ainda tivesse alguns filmes na fila), um clássico, muito mais denso e interessante do que eu imaginava: Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire, 1951). Que a atuação de Marlon Brando seria poderosa eu até já imaginava, mas, por não ter visto ...E o Vento Levou não tinha ideia de que Vivien Leigh pudesse ter uma atuação tão arrebatadora. Segundo li, ela se entregou tanto ao papel, que depois desse filme (por sofrer de transtorno bipolar) passou a confundir sua vida com a de sua personagem. Uma atuação que faria corar a maioria das vencedoras de Oscar de Melhor Atriz das últimas décadas, que acabam ganhando mais por transformações físicas que pela atuação (já falei mal de O Lado Bom da Vida aqui, não vou falar de novo, mas Jennifer Lawrence passa vergonha perto de Vivien Leigh).

Além disso, a história, adaptada de uma peça de Tennessee Williams, é fantástica. Nota-se que em alguns momentos foi suavizada devido ao código de regras de Hollywood à época, mas ainda assim é difícil imaginar um filme tão ousado e chocante hoje em dia. A história da mulher metida a aristocrata que perde tudo e vai morar com a irmã submissa e o marido violento, e cujos segredos aos poucos vão se revelando, é um tratado de personalidade, e o filme vai evoluindo os personagens aos poucos, contando com roteiro e atuações maravilhosos. Um belo final para um dia inteiro de filmes. Nota: 8,5 (passa a ser o 34o. lugar na minha lista de filmes favoritos)

Ah, e me recuso a usar a incompreensível tradução do título para português Uma Rua Chamada Pecado. Não faz sentido algum.

Acho que consigo ver mais um filme...

É isso. Sinceramente, esperava ter conseguido ver pelo menos mais um, mas os próximos da fila aqui eram muito longos (estava entre Duna e Lawrence da Arábia), e ainda tive que dar uma saída no meio do último que deu uma quebrada no cronograma. Não estou exatamente como nessa foto, mas são 23h de sábado e acho que não consigo ver mais nada. De todo jeito, 6 filmes em pouco mais de 24h é uma boa marca, e em geral foi uma experiência positiva, tendo visto alguns ótimos filmes. Quem sabe não faça de novo algum dia.

E, se algum de vocês heróis leitores, conseguiu chegar até aqui, comente! São 6 filmes, duvido que não tenham visto pelo menos um, e queiram discordar de algo (ou tudo) que falei. É só usar esse espaço logo aqui embaixo....

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Artista (The Artist, 2012)


Quem lê esse blog com alguma frequência já deve ter me visto falar o quanto gosto de soluções inovadoras no cinema, jeitos diferentes de contar uma história, seja no roteiro, edição, fotografia, formato... sabe também o quanto eu aprecio o cinema clássico bem feito, no sentido de capturar através do filme o pensamento, cultura e costumes de uma época diferente, contados diretamente por quem os estava vivendo.

Com isso em mente, e com todo o "hype" atingido por O Artista desde a época da indicação para o Oscar, finalmente consegui parar e assisti-lo essa semana. Não sei se todos sabem, mas o diretor Michel Hazanavicius utiliza o filme mudo justamente para contar a história de George Valentin, um ator famoso e consagrado da época silenciosa que sofre com o advento do cinema falado e cai em desgraça, enquanto Peppy Miller, uma dançarina que começou sua carreira em um dos filmes de Valentim, desponta como a nova estrela do novo cinema.

A ideia é muito boa, um tipo de "metalinguagem", em que o mundo silencioso do protagonista em certos momentos vai sendo invadido pelos sons, aos quais ele resiste, insistindo em achar que fechar-se em sua realidade muda será o suficiente para manter seu sucesso. Foi uma ideia muito ousada e corajosa do diretor criar um filme mudo como maneira de contar essa história, recriando um gênero que estava morto de uma maneira, digamos, "modernizada".





Mas, para mim, faltou um detalhe crítico: uma boa história. É até covardia tentar comparar O Artista com outros filmes que tratam do mesmo tema (a transição do cinema mudo para o falado), como os clássicos Cantando na Chuva ou Crepúsculo dos Deuses (embora a própria abordagem do filme, se "vestindo" de filme clássico, tenda a forçar essa comparação), mas mesmo em relação a filmes contemporâneos, percebe-se que toda a ousadia utilizada na escolha do formato não aparece na história em si, que nada mais é do que uma sucessão de situações previsíveis, mostrando o sucesso, a derrocada, o desespero e a redenção do ator principal, ajudado pela bondosa mocinha da história. Sinceramente, nada de novo aí, a não ser a "capa" retrô. Muito pouco, na minha opinião.

A atuação de Jean Dujardin (premiada com o Oscar de Melhor Ator) também não ajuda muito. Enquanto assistia ao filme, inicialmente me pareceu que ele forçava a barra para se parecer com os atores do cinema mudo da década de 20 (canastrões ao extremo, quase por necessidade, já que a expressão corporal era vital). Mas ao longo do filme, para mim ficou claro que ele se tornou "escravo" das emoções fáceis, sem profundidade. É mais difícil se expressar sem falar? Sem dúvida, mas existem excelentes filmes mudos, e, afinal, ninguém obrigou diretor e atores a fazer o projeto dessa maneira. Lembrei-me então das aparições do ator no Oscar, e para mim ficou claro: estamos diante do Roberto Benigni do século XXI, que parece pitoresco a uma primeira vista, mas torna-se cansativo logo depois. Não acho que ele vá se destacar no futuro.





No mais, todos os clichês de Hollywood (e até alguns de novela da Globo) estão lá: a mocinha de origem humilde que sobe na vida mas continua com bom coração; o empresário inescrupuloso que vira as costas para o mocinho quando ele mais precisa; o ator orgulhoso que prefere desperdiçar sua vida a recomeçar de baixo; e até (como eu odeio!) o animal engraçadinho que rouba a cena e salva seu dono na hora mais importante. Ninguém merece...

Claro que é esperar demais coerência histórica e relevância cultural do Oscar, mas acho sinceramente que aqui ganhou a forma e não o conteúdo. Assisti poucos dos filmes que concorriam ao prêmio desse ano, mas claramente tinha coisa muito melhor. É uma pena, pois sou um entusiasta de experiências e novas maneiras de se contar histórias, e, queira ou não, esse filme levou muita gente a fazer algo inimaginável: ir ao cinema para ver um filme mudo em preto e branco. Só espero que a experiência não tenha afugentado esses espectadores....

Nota: 5,0

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Encaixotando Helena (Boxing Helena, 1993)


Esse é um filme que entra na categoria "bizarrices". Na época, essas coisas se espalhavam no boca a boca: todo mundo já tinha ouvido falar desse filme em algum momento, mas poucos tinham visto, e era até difícil achar o VHS(!) na vídeolocadora (!). E não é para menos. A história é muito absurda: Um cirurgião fica obcecado por uma mulher, com a qual saiu apenas uma vez. Começa a persegui-la até que esta sofre um atropelamento. Ao socorrê-la, a traz para dentro de casa e a aprisiona. Quando ela tenta fugir, ele corta seus braços e pernas e a coloca em um altar. (?!?!?!)

Ou seja, bizarro. Acaba sendo curioso, já que temos que admitir que não é uma premissa comum. O ator principal (como não poderia deixar de ser) tem um jeito absurdo de psicopata (mas manda até bem no papel), ele que já foi até vilão do 24 Horas. Curioso também por nos mostrar até que ponto pode chegar alguém obcecado (embora o cinema tenha exemplares melhores desse subgênero, como Louca Obsessão, Mulher Solteira Procura e Atração Fatal, entre outros). Acho sempre interessante (quando é bem feito) observar personagens com comportamentos que não vemos no dia a dia, e tendo reações pouco comuns.

E por que então eu resolvi falar desse filme entre todos os melhores? Bom, primeiro, como eu já disse outras vezes, gosto de falar de vez em quando sobre filmes aleatórios, que com certeza pouca gente deve ter visto. Esse, especificamente, acho até difícil que consigam ver hoje em dia, já que desconheço lançamento em DVD e até no youtube é difícil achar. Mas é interessante falar sobre ele assim mesmo, justamente pelo desconhecimento e pela premissa diferente. E não sou só eu: o filme virou meio "cult", como a maioria dos filmes ruins e bizarros :-)



E o filme? Bom, tirando a ideia original, o filme não é lá essas coisas. Dá pra ver pela cena do atropelamento que coloquei aqui em cima. A atriz é até um tanto famosa, mas não atua tão bem assim, e a história não se desenvolve como poderia. É o filme de estreia da filha do David Lynch, daí dá pra tirar uma ideia. E a "reviravolta" no final do filme é revoltante de tão ruim. Ou seja, vale pela curiosidade. E para tomar muito cuidado ao atravessar a rua após uma discussão com um ex psicopata. :-)

Nota: 4,0

terça-feira, 15 de maio de 2012

[18+] Os Sete Gatinhos (1980)

Existe aquela categoria de filmes que são tão ruins, mas tão ruins, que chegam a ficar bons. Alguns de propósito (em geral, os filmes "trash" como Evil Dead, Plan 9 from Outer Space), e alguns involuntariamente (filmes como Rambo ou Independence Day, na minha modesta opinião). Não sei se consigo encaixar esse filme em alguma das categorias, mas torço bastante para que o diretor Neville de Almeida e os atores soubessem o nível de tosqueira do que estavam fazendo, e se divertissem com isso.

Aliás, toda essa fase da pornochanchada brasileira é um capítulo à parte na história do cinema nacional. Não sei se é o caso aqui de discorrer sobre o momento político da época, e sobre a natureza contestadora/escapista (sim, as 2 coisas) do cinema desse período, já que eu acho mais divertido falar sobre as bizarrices de filmes como esse e outros do mesmo "quilate" (e o blog é meu, oras).

Começando pela (peculiar) história do filme, por sinal uma adaptação de Nelson Rodrigues: Silene, a filha mais nova de uma família de classe média baixa (o pai é contínuo, como faz questão de lembrar várias vezes durante o filme), estuda em um internato e é a esperança do pai de que uma de suas 5 filhas possa ser alguém na vida (entenda-se: casar virgem com um homem mais rico). A ponto das demais filhas se prostituírem para pagar o estudo da mais nova. No entanto, ela é expulsa do internato por incompreensivelmente ter matado uma gata que dera à luz a sete gatinhos, e tem que voltar para casa. A partir daí, se revela toda a disfuncionalidade da família (especialidade de Nelson Rodrigues, afinal).

Nas mãos de um diretor iraniano, por exemplo, essa sinopse viraria um dramalhão existencial daqueles (e não saberíamos o que acontece no final). Ainda bem que isso não aconteceu, já que, mesmo com uma história sem pé nem cabeça e algumas situações incompreensíveis, o filme é muito divertido, especialmente se você entra no espírito. O pai, Noronha (interpretado por Lima Duarte, que parece que já nasceu com uns 60 anos, aliás), desfere, logo no início do filme, a frase que talvez seja a maior pérola do cinema nacional em todos os tempos (desculpe, Tropa de Elite, mas é verdade): "Eu quero saber quem foi que desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro".
As filhas também são um caso à parte. Basta dizer que uma delas é a Regina Casé (que protagoniza outra cena clássica, correndo pelada em volta da piscina de um deputado sob a perseguição dele). Outros personagens clássicos do cinema brasileiro, como a velha carente, o velho tarado, o cafajeste, o político ladrão, estão todos lá, mesmo que sem fazer muito sentido pra história.

Atores como Ary Fontoura e Antonio Fagundes também estão no filme, em personagens completamente diferentes dos que as gerações atuais se acostumaram a vê-los. Aliás, essa é uma característica curiosa dos filmes da época: como não havia muita opção de trabalho para os atores "famosos" (leia-se, os atores das novelas da Globo), era comum vê-los em filmes de baixíssimo orçamento e gosto bastante duvidoso como esse. Até música do Roberto Carlos na trilha sonora tem, vejam vocês.

Os Sete Gatinhos talvez seja apenas um dos mais conhecidos, senão o mais conhecido, representante do período, representado por filmes muito toscos com títulos impagáveis (pérolas como Bonitinha Mas Ordinária, Cada Um Dá o Que Tem, Rio Babilônia, Como É Boa Nossa Empregada e assim por diante). Com o fim da censura e consequente abertura social e até comercial, esses filmes foram sumindo, mas graças à internet estão novamente disponíveis (desconheço lançamentos em DVD - por exemplo, assisti a Os Sete Gatinhos baixado da internet).

Depois disso veio o "novo cinema brasileiro", com filmes bons como Central do Brasil e Cidade de Deus, e abrindo espaço para o chatíssimo sub-gênero "favela movie", mas aí é assunto para outro post. Por ora, vale a lembrança do cinema brasileiro moleque, de raiz... :-)

Nota: 6,0

terça-feira, 20 de março de 2012

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004)

Apesar de ter ganho alguns Oscars, incluindo melhor filme, diretor e atriz, esse filme não é um que normalmente eu destacaria aqui. Na verdade, o escolhi porque serve de exemplo perfeito para um subgênero do qual quero falar hoje: o cinema de redenção, ou de superação.

Vocês conhecem alguns exemplos: uma pessoa qualquer, geralmente pobre, que tem um sonho e contra todas as chances consegue atingi-lo. Existem as variações de tema, percurso, motivação, etc., mas em linhas gerais o núcleo do filme é o mesmo.

Muita gente gosta, afinal são histórias bonitas, inspiradoras, exemplos do espírito indomável do ser humano e de que qualquer coisa é possível se você realmente quiser. Entendo perfeitamente. Mas tenho que dizer: eu ODEIO esses filmes.

Um pouco por serem forrados de clichês, um pouco por serem repetitivos, mas principalmente porque onde deveria haver "inspiração", eu vejo só "desgraça". Por isso, por exemplo, nunca vão me ver assistindo aquele À Procura da Felicidade, do Will Smith. Já me vejo aguentando duas horas de "tá vendo, seu merda? esse cara dormia em pé no metrô com o filho e virou um banqueiro fodão! e você, tá reclamando do quê? Vai ser alguma coisa na vida!". Entenderam? Pra mim a tal inspiração soa apenas como "cala a boca e não reclama"...

No caso de Menina de Ouro, isso acontece duplamente, porque a garota vence na vida contra todas as chances, e leva outra cacetada na cabeça, tendo que começar tudo de novo. Desgraça pouca é bobagem... parece aqueles filmes que passavam na "Sessão das Dez" do Sílvio Santos (O Segredo de Kate, Seis Semanas e outras choradeiras).

A atuação da protagonista não ajuda muito também. Apesar de ter ganho o Oscar (e vocês sabem, a atriz que ganha o Oscar sempe é a que sofreu a maior mudança ou ficou mais feia para o papel), acho a Hilary Swank muito fraca (ser feia também não ajuda). Aliás, poucas vezes vi um Oscar fazer tão mal à carreira de um artista (com a possível exceção de Cuba Gooding Jr. por Jerry Maguire - "show me the money"), já que depois disso ela simplesmente não fez nada que preste, e na minha opinião, passou vergonha em Dália Negra. Morgan Freeman aparece pouco (afinal, seu objetivo é ser o narrador), e Clint Eastwood, bem, é Clint Eastwood. Esse tem crédito pra fazer o que ele quiser (não apenas por sua carreira pregressa, mas por pérolas como Gran Torino, esse sim sensível e bem escrito, está entre os meus 50 favoritos).

Bom, pra mim de amarga já basta a vida. Claro que existem exceções (a série Rocky, por exemplo), mas em geral acho que esse tipo de filme é chato e agrega muito pouco. Até porque mensagens inspiradoras de outros pra mim não funcionam. Sobra só a comparação, e de gente me cobrando, basta eu mesmo.

Nota: 5,0

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne´s World, 1992)





Escolhi esse filme para a postagem inicial por duas razões principais: representa bem a proposta de falar sobre filmes aleatórios, não necessariamente com algum buzz recente ou uma razão específica, e porque sem querer peguei ele passando na TV outro dia, e contra todo o bom senso, resolvi rever.

Aliás, é uma boa hora para falar sobre a Regra dos 15 Anos*, que conheci no Nerdcast e com a qual concordo plenamente: se você viu um filme antes dos 15 anos e gostou, NÃO VEJA DE NOVO. Guarde na memória aquela lembrança boa que você tem do filme e não a estrague com a realidade.

Pois bem, como eu ia dizendo, resolvi assistir ao filme um dia desses. Lá em 1992, quando eu era um adolescente que não sabia nada de cinema (não que hoje eu saiba muito), fui ver esse filme e adorei. Dois caras engraçados, transgressores, que faziam piada de tudo e todos e ainda balançavam a cabeça cantando Bohemian Rhapsody no carro:


Tem como não gostar? (aliás, durante muito tempo eu achava que a música era só essa parte)

Pra quem não viu: o filme é sobre dois gaiatos que fazem um programa local de TV a cabo e acabam sendo contratados por uma grande emissora. Um deles se apaixona pela cantora da banda que se apresenta, o empresário malvado quer se dar bem em cima deles, piadas, referências pop, yada, yada, yada. Se baseia em um quadro do SNL, que por sinal eu nunca vi.

O fato é que eu adorei o filme, vi algumas vezes no cinema e tal. Esse filme me fez pensar por algum tempo, inclusive, que o Mike Myers não era só um Jim Carrey genérico que só fazia caretas e a voz do Shrek. Até eu assistir a porcaria que é Austin Powers 2 (mas isso é outro assunto...)

Qual não foi a minha decepção ao assistir meia hora do filme de novo agora. Diga-se, meia hora porque eu não aguentei e fui dormir correndo. O filme não tem ritmo, as piadas são péssimas (até a do "No Stairway to Heaven", que eu adorava), os atores são medonhos e nada daquilo faz sentido.

O que só me faz pensar que eu sou hoje muito mais chato que aos 15 anos. Uma pena. Até desanimei de assistir Um Morto Muito Louco de novo. Por que é que a gente vai ficando mais exigente? Sei lá se isso é bom ou ruim...

Em tempo: pra vocês terem uma ideia, o filme tem nota 8,0 na minha lista, baseado na época que assisti. Acho que se fosse para dar nota hoje, ganharia um 3,0 ou 4,0.

Abraços!

* Para mais informações sobre a regra dos 15 anos e sobre o Nerdcast: Regra dos 15 anos