Simples assim. Comentários sobre filmes que já vi, bons ou ruins, recentes ou antigos. Um jeito de falar sobre cinema sem necessariamente ter alguém pra me ouvir.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016)
Eu odeio remakes, em geral pouco criativos e caça-níqueis que capitalizam um filme original. Eu odiei o novo Karate Kid. Eu odiei o novo A Fantástica Fábrica de Chocolate. Eu odiei quando anunciaram esse remake de um dos filmes oitentistas que mais gosto. Eu odeio a Melissa McCarthy como comediante. Eu odiei os trailers que foram sendo divulgados. Eu absolutamente odiei a versão nova da música-tema, provavelmente uma das mais emblemáticas da história do cinema. Eu fui para o cinema pronto pra odiar o filme com mais propriedade, e dava tão pouco por ele que não me incomodei quando a filha pediu para ver a versão dublada.
Por isso digo com toda propriedade: como é bom de vez em quando estar completamente, inapelavelmente, irremediavelmente ERRADO.
Eu adorei a história, que ao mesmo tempo homenageia mas se descola da original. O básico está lá: cientistas sem muito crédito que se juntam para combater uma ameaça sobrenatural crescente que ameaça a cidade de Nova York. Mas a formação e evolução do time, a origem da ameaça, a trajetória do grupo obviamente mudaram para fazer mais sentido na transposição da década de 80 para o mundo de 30 anos depois. E mudaram com bastante coerência. A internet está lá, mas não tira o espaço dos velhos traços em mapas. As tecnologias são novas, mas as armas têm o mesmo jeitão. E mesmo que, assim como no original, você já saiba tudo que vai acontecer, torce, vibra e se diverte do mesmo jeito.
Eu adorei as referências. Em época de anos 80 em alta, com obras como Stranger Things, e em se tratando de algo tão cult como Caça-Fantasmas, seria fácil exagerar na mão nas referências ao filme original, engessando a história ou tornando-a algo sem sentido para a nova geração. As referências estão lá (o logo, o carro, o prédio, uma participação sensacional do monstro de marshmallow, entre muitos outros), mas nota-se uma deferência ao material antigo sem que isso se torne um problema. O fã antigo vai adorar, vai ficar procurando detalhes, mas a história corre sem parar para mostrar "olha aqui, lembra disso?" o tempo todo. Ponto para os roteiristas.
Eu adorei o elenco. Um dos pontos fortes do filme original era o equilíbrio entre os componentes da equipe, sem que um se destacasse muito mais que os demais (embora Bill Murray tivesse alguma profundidade em sua história, especialmente devido à personagem de Sigourney Weaver). Como eu disse ali em cima, não sou fã da Melissa McCarthy, e tinha medo de que as demais servissem apenas como escada para a "atriz principal". Não podia estar mais longe da verdade: todas têm seu espaço, mandam bem, e mesmo Melissa não me incomodou como faz em Mike and Molly, por exemplo. Destaque para Kate McKinnon, como a insana e extremamente produtiva Holtzmann, e Chris Hemsworth, claramente se divertindo no papel do tapadíssimo assistente Kevin.
Eu adorei as participações especiais. Sim, eles estão todos lá. Até Bill Murray (obviamente, com a sentida ausência do saudoso Harold Ramis). Cada um dos atores que fizeram os Caça-Fantasmas originais faz sua ponta nesse filme. Sigourney Weaver também. Até o Geléia (que, pasmem, tem papel importante na história também). Adorei o papel de Ernie Hudson, que rouba a cena por 30 segundos. Mais do que a importância dos papeis em si, o legal é a chancela de "vão lá, gente, bom trabalho, estamos aqui passando o bastão e desejando boa sorte". Ah, sim, tem Ozzy Osbourne também :-)
Eu adorei o filme, em resumo. Depois de toda a polêmica do elenco feminino (que não passa batida no filme, com algumas boas piadas muito bem colocadas lembrando que elas são mulheres e não estão nem aí para o que alguém pensa sobre isso. Aliás, o próprio Kevin, tão criticado, não deixa de ser uma sátira caricatural e muito bem sacada do papel da secretária burra e gostosa), fica fácil transformar esse remake em uma discussão sobre feminismo vs. machismo, ou sobre a necessidade do cinema de tentar mostrar novamente todas as suas boas histórias. Não caia nessa. O filme obviamente não é perfeito, as coisas acontecem muito fácil e nem sempre é fácil seguir a lógica da história. Mas tem sido tão difícil sentar no cinema e ter uma diversão honesta que esse Caça-Fantasmas vale muito a pena por isso. Foi ótimo ver minha filha sair empolgada com um sorriso enorme no rosto ao final da sessão. Assim como eu fiz, com a idade dela, no filme original. E é uma sensação fantástica.
Nota: 7,5/10
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
[Top 10] Cenas musicais
Depois de tanto tempo escrevendo no blog, pensei em fazer um novo tipo de post. Nada extremamente original, o que mais tem por aí é blog com listas. Mas, de todo jeito, achei legal selecionar os meus melhores no cinema em alguns critérios. Para começar, as 10 cenas musicais que mais gosto. Não coloquei aqui cenas de musicais, preferindo aqueles filmes onde a música em um dado momento se torna um personagem. As cenas não estão em ordem de preferência e representam o meu gosto pessoal, podendo ser cornetadas à vontade nos comentários:
Ferris Bueller na Parada - Curtindo a Vida Adoidado
Já começo com a minha favorita, que marcou uma geração de espectadores da Sessão da Tarde juntando Beatles (e Danke Schön) com o maior matador de aula do cinema. É surpreendente, é emocionante, engraçada. Paro pra ver toda vez:
O concurso de Twist - Pulp Fiction
Essa também já nasceu clássica. Aparentemente aleatória na história do filme, mas juntando o fetiche de Tarantino por Uma Thurman e o passado "dançarino" de John Travolta (que foi praticamente ressucitado pelo diretor nesse filme), com uma coreografia propositalmente amadora e tosca, que virou um cult instantâneo:
Fila do Banco - Ou Tudo Ou Nada
Nesse excelente filme, um grupo de desempregados ingleses promete um strip-tease "até o fim" como forma de conseguir dinheiro, em um país recessivo e com poucas esperanças. Um tema sério, mas levado com bastante humor. E a cena musical que mais gosto reflete bem essa dualidade: na fila para receber o seguro-desemprego, aos poucos os homens, quase sem perceber, estão dançando de forma coreografada, de acordo com o que vêm ensaiando. Simples, mas marcante:
Clipe inicial - Letra e Música
Um filme bastante esquecível, com Hugh Grant e Drew Barrymore fazendo mais do mesmo em relação a papéis, mas com uma abertura que os anos 80 não teriam feito melhor:
Uncle Fucker - South Park: Bigger, Better and Uncut
Essa entra pelo inusitado. É tão surreal que eu não conseguia parar de rir no cinema. A música (composta basicamente de palavrões e ofensas) conseguiu a proeza de ser indicada ao Oscar e ser cantada durante a cerimônia:
Apresentação de Marty McFly no Baile do Encanto Submarino - De Volta para o Futuro
Outra clássica. Marty, sob risco de sumir da existência caso seus pais não se apaixonem, tem que cobrir a ausência de um guitarrista no baile. Durante a romântica "Earth Angel", seus pais finalmente se apaixonam, e depois vem "Johnny B. Goode" para espanto da platéia dos anos 50 que o assiste. Fantástica:
Coreografia no deserto - Priscilla, a Rainha do Deserto
Além de divertidíssimo, esse filme foi um dos primeiros a retratar a causa gay com tal naturalidade, e de maneira séria porém tornada leve. Essa cena é um retrato de todo o filme, mostrando o "choque" entre o exagero das dançarinas em contraste com os "caipiras" da Austrália.
Bohemian Rhapsody - Quanto Mais Idiota Melhor
Digo apenas que após essa cena, é impossível ouvir Queen no carro e não bater cabeça:
Tocando Piano no Chão - Quero Ser Grande
Se você viu essa cena na Sessão da Tarde e nunca quis tocar piano desse jeito, você não foi uma criança feliz:
Tango - Perfume de Mulher
Termino com essa cena clássica, de um filme não tão clássico assim. Não dava para esquecer Al Pacino, roubando o filme (que nem é tão bom assim), como o coronel cego que dança tango:
Bonus Track - Tango - True Lies
Vou trapacear aqui um pouco pra colocar outra cena, já que ela usa a mesma música da anterior. No subestimado True Lies, Schwarzenegger é o espião que finge tão bem para sua mulher que tem uma vida sem graça que ela acaba acreditando. No final, vira espiã também, e vem mais tango por aí (infelizmente, nesse caso, dublado em russo):
Menções honrosas: 500 Dias com Ela, O Casamento do Meu Melhor Amigo, Pequena Miss Sunshine, 10 Coisas que Odeio em Você
Esqueci alguma? Exagerei? Comente.
Ferris Bueller na Parada - Curtindo a Vida Adoidado
Já começo com a minha favorita, que marcou uma geração de espectadores da Sessão da Tarde juntando Beatles (e Danke Schön) com o maior matador de aula do cinema. É surpreendente, é emocionante, engraçada. Paro pra ver toda vez:
O concurso de Twist - Pulp Fiction
Essa também já nasceu clássica. Aparentemente aleatória na história do filme, mas juntando o fetiche de Tarantino por Uma Thurman e o passado "dançarino" de John Travolta (que foi praticamente ressucitado pelo diretor nesse filme), com uma coreografia propositalmente amadora e tosca, que virou um cult instantâneo:
Fila do Banco - Ou Tudo Ou Nada
Nesse excelente filme, um grupo de desempregados ingleses promete um strip-tease "até o fim" como forma de conseguir dinheiro, em um país recessivo e com poucas esperanças. Um tema sério, mas levado com bastante humor. E a cena musical que mais gosto reflete bem essa dualidade: na fila para receber o seguro-desemprego, aos poucos os homens, quase sem perceber, estão dançando de forma coreografada, de acordo com o que vêm ensaiando. Simples, mas marcante:
Clipe inicial - Letra e Música
Um filme bastante esquecível, com Hugh Grant e Drew Barrymore fazendo mais do mesmo em relação a papéis, mas com uma abertura que os anos 80 não teriam feito melhor:
Uncle Fucker - South Park: Bigger, Better and Uncut
Essa entra pelo inusitado. É tão surreal que eu não conseguia parar de rir no cinema. A música (composta basicamente de palavrões e ofensas) conseguiu a proeza de ser indicada ao Oscar e ser cantada durante a cerimônia:
Apresentação de Marty McFly no Baile do Encanto Submarino - De Volta para o Futuro
Outra clássica. Marty, sob risco de sumir da existência caso seus pais não se apaixonem, tem que cobrir a ausência de um guitarrista no baile. Durante a romântica "Earth Angel", seus pais finalmente se apaixonam, e depois vem "Johnny B. Goode" para espanto da platéia dos anos 50 que o assiste. Fantástica:
Coreografia no deserto - Priscilla, a Rainha do Deserto
Além de divertidíssimo, esse filme foi um dos primeiros a retratar a causa gay com tal naturalidade, e de maneira séria porém tornada leve. Essa cena é um retrato de todo o filme, mostrando o "choque" entre o exagero das dançarinas em contraste com os "caipiras" da Austrália.
Bohemian Rhapsody - Quanto Mais Idiota Melhor
Digo apenas que após essa cena, é impossível ouvir Queen no carro e não bater cabeça:
Tocando Piano no Chão - Quero Ser Grande
Se você viu essa cena na Sessão da Tarde e nunca quis tocar piano desse jeito, você não foi uma criança feliz:
Tango - Perfume de Mulher
Termino com essa cena clássica, de um filme não tão clássico assim. Não dava para esquecer Al Pacino, roubando o filme (que nem é tão bom assim), como o coronel cego que dança tango:
Bonus Track - Tango - True Lies
Vou trapacear aqui um pouco pra colocar outra cena, já que ela usa a mesma música da anterior. No subestimado True Lies, Schwarzenegger é o espião que finge tão bem para sua mulher que tem uma vida sem graça que ela acaba acreditando. No final, vira espiã também, e vem mais tango por aí (infelizmente, nesse caso, dublado em russo):
Menções honrosas: 500 Dias com Ela, O Casamento do Meu Melhor Amigo, Pequena Miss Sunshine, 10 Coisas que Odeio em Você
Esqueci alguma? Exagerei? Comente.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
De Volta para o Futuro Parte II (Back to the Future Part II, 1989)
Hoje, dia 21 de outubro de 2014, estamos a exatamente um ano do dia em que Marty McFly (acompanhado do Doc Brown e de sua namorada) chega no "futuro" para tentar salvar seu filho da prisão por um assalto. Sim, aquele futuro "distante", com carros voadores, hoverboards, e hologramas de tubarão está a apenas 12 meses de se tornar realidade. Será?
Mas, por mais que todos estejamos ansiosos com a possibilidade de andar de skate sem rodinhas, o que eu queria mesmo era aproveitar essa "comemoração" e falar do segundo filme da melhor trilogia que o cinema já viu, um dos poucos filmes "do meio" que supera os demais (de cabeça, lembro também de O Império Contra-Ataca). E um dos meus favoritos de todos os tempos.
Para mim, o filme é uma aula de "como fazer uma continuação". Repete o que deu certo no primeiro (mas sem exageros, como Se Beber, Não Case ou até alguns episódios da série Rocky) e constrói algo maior em cima disso. Agora que o espectador já entendeu as "regras" da viagem no tempo neste universo, roteirista e diretor as subvertem, escalando os problemas e transformando o filme em um vai e volta temporal que beira o caos, incluindo realidades alternativas, encontros entre diferentes versões do mesmo personagem, e até uma volta a 1955, onde tudo começou.
O principal fator de sucesso do filme é Robert Zemeckis. O interessante é que, segundo ele, não havia intenção de fazer uma continuação, e o final do primeiro filme indo para o futuro era apenas uma piada. No entanto, ao assumir o "desafio", ele soube ao mesmo tempo construir uma história interessante, com vários paralelos com o roteiro do primeiro filme, e fugiu da armadilha de "prever" o futuro criando uma 2015 caricata, estereotipada e muito divertida, sem relação nenhuma com a realidade.
Essa 2015 do filme foi um deleite para as crianças nerds da década de 80: hologramas, veículos voadores, aparelhos gigantes de TV com vários canais simultâneos, e até um óculos de informação pessoal que lembra bem o Google Glass. Mas, claro, o filme é muito mais do que isso. A história, como comentei, potencializa o efeito "fazer besteira no passado afeta o futuro": ao ir para 2015 evitar que seu filho seja preso, Marty McFly sem querer possibilita ao velho Biff encontrar seu eu do passado e entregar para ele um almanaque de resultados esportivos, possibilitando que ele fique milionário e domine Hill Valley. Para evitar que isso aconteça, ele e Doc Brown devem voltar à mesma noite de 1955 e evitar que o jovem Biff receba o almanaque, restaurando assim a 1985 original.
Com isso, novamente, apesar do "futuro" no nome, boa parte do filme se passa em 1955, dando ao espectador a chance de entender e até rever sob outra perspectiva alguns dos acontecimentos do primeiro filme, especialmente o Baile do Encanto Submarino, onde Marty havia conseguido reunir seus pais e garantir sua existência.
No mais, atuação, trilha sonora, tudo se mantém ou evolui em relação ao primeiro filme. No entanto, o roteiro mais intrincado, as piadas recorrentes e o tal "to be concluded..." no final (chamando para o inferior, porém ainda sensacional terceiro filme) fazem com que esse seja um pouco superior ao primeiro (algo muito difícil, diga-se). Agora é esperar um ano e ver se Marty McFly aparece com o DeLorean nos céus...
Nota: 9,8 (2o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
(Link para o texto sobre o primeiro filme aqui)
sábado, 27 de abril de 2013
Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie's, 1989)
Já que o blog vinha meio morto nos últimos tempos, nada como pegá-lo pelo cabelo e pela jaqueta e tentar fazer com que os leitores pelo menos achem que ele está vivo....
Essa é a premissa (original, por que não?) de Um Morto Muito Louco. Típico filme de humor nonsense dos anos 80, figurinha carimbada da Sessão das Dez do SBT, conta a história de dois jovens que descobrem um desvio milionário na empresa em que trabalham, e vão mostrar a descoberta ao presidente da companhia, esperando serem recompensados. Ele os convida para passar o fim de semana em sua casa de praia "para discutirem melhor", mas na verdade quer matá-los, já que ele é o responsável pelo desvio. Ao chegarem na casa de praia, no entanto, eles o encontram morto pela máfia, descobrem seu plano, e resolvem fingir que ele está vivo, já que ouvem uma gravação telefônica em que Bernie (o chefe) diz para o que o matador não os execute enquanto estiverem com ele.
A partir daí, se torna uma comédia "nonsense" bem típica dos anos 80. Um dos rapazes, Larry (Andrew McCarthy, um dos atores que fez milhares de filmes na época, incluindo o cultuado O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, e depois sumiu), mulherengo, quer aproveitar toda a "infraestrutura" do morto - casa, barco, praia - para se dar bem com as garotas locais, enquanto o outro, Richard (Jonathan Silverman), o mais certinho, só concorda com a ideia porque descobre que pode ter alguma chance com a garota de seus sonhos.
Como eu dizia, as comédias da época em geral se baseavam em mulheres e humor gaiato. Filmes como Curso de Verão, Porky´s, Loucademia de Polícia, com premissas simples de roteiro, e piadas pouco elaboradas e honestas, fizeram muito sucesso passando na TV brasileira. Era quase obrigatório um filme do tipo na Sessão da Tarde, Supercine ou Sessão das Dez (aquela de domingo à noite no SBT, que depois de passar, o filme repetia), e com isso vários desses filmes ficaram famosos aqui no Brasil (tenho uma teoria que Curtindo a Vida Adoidado passou tanto aqui que os brasileiros conhecem mais o filme que os americanos).
Um Morto Muito Louco segue um pouco esse estilo Trapalhões de humor. Eu achava que tinha até mais putaria, peitos de fora, como era comum na época, mas assisti de novo recentemente e o filme é até bem-comportado nesse sentido. No mais, continua divertido: os roteiristas exploram ao máximo a premissa inicial (bom, nem tanto, já que fizeram um Um Morto Muito Louco 2), chegando a situações absurdas (a cena da lancha é muito boa), mas se mantendo engraçado.
Uma outra coisa que vale destacar é a atuação de Terry Kiser, o Bernie, que apesar de só ter ação e falas durante uns 20 minutos, depois claramente rouba a cena no papel do morto. Além de quase "convencer" no papel, tem horas que dá pra ver que o cara está se divertindo, embora não "entregue" que está vivo em nenhum momento. Nunca o vi em nenhum outro filme, então não deve ser de fato um excelente ator, mas manda bem aqui.
Em resumo: o filme até que passa bem pela "Regra dos 15 anos", que postula que se você viu um filme antes do 15, não deveria ver de novo, e sim guardar a memória que tem dele, sob pena de se decepcionar. Até dei umas risadas, e gostei de rever, embora não ache que teria coragem de ver o 2. Me lembro de tempos mais simples, em que algumas situações idiotas e uma ideia boa eram suficientes para me entreter durante um filme.
Nota: 7,0
PS: Não tem tanto assim a ver com o filme (na verdade, é mais baseado no 2), mas eu não podia deixar de citar, mais uma vez, um funk feito com base no filme, assim como fiz em O Senhor dos Aneis. Com vocês, Um Morto Muito Louco, o funk:
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985)
É responsabilidade demais falar sobre esse, que é um dos meus filmes preferidos, provavelmente o que assisti mais vezes na vida, e que foi mais importante na minha formação como criança/adolescente nerd do que a série Star Wars. Deve ser por isso que demorei tanto para falar dele. Mas, tudo alguma hora chega, então vamos lá.
Esse filme saiu quando eu tinha 8 anos, e como os outros todos que estão em sua frente no meu ranking são filmes que vi depois, durante um tempo foi meu filme favorito (só desbancado em 1989 - adivinhem - por De Volta para o Futuro Parte 2). Para mim, era (é?) o filme perfeito: comédia, ação, viagem no tempo, tiradas interessantes, momentos emocionantes, suspense.... tudo sem exagero, equilibrado, e conspirando para um filme empolgante.
Mas o que exatamente o faz tão interessante? Para mim, a história. Um garoto adolescente normal, como tantos outros (e com quem tantos podem se identificar, portanto), que tem uma namorada, uma banda (que não parece que vai fazer sucesso), e é amigo do cientista maluco local, em uma cidadezinha chamada Hill Valley. Um dia, no entanto, esse cientista o chama para ajudar a testar a invenção do século: uma máquina do tempo instalada em um carro. Algumas coisas saem errado e, quando vê, Marty está no ano de 1955, conhece seus pais quando adolescentes e acaba interferindo no início do namoro dos dois. Agora tem que desfazer o que fez para não ameaçar sua própria existência.
E é aqui que está a grande diferença do filme: a viagem no tempo (que eu adoro) é um meio e não um fim. O principal se passa em 1955, onde o choque cultural entre Marty e a geração anterior, aliado à sua incredulidade em aceitar que seus pais, tão conservadores, tinham sido adolescentes como ele (a cena em que ele, assustado, vê sua mãe com decote, bebendo e ainda é beijado por ela é fantástica - mas foi o que fez a Disney recusar o filme, pois uma mãe beijando seu filho seria algo inimaginável em seus filmes) traz situações muito interessantes, e uma vontade real de saber o que vai acontecer (como ele resolve o problema dos pais, e se consegue voltar para seu próprio tempo). Como qualquer filme que envolve viagem no tempo, tem alguns (poucos) furos de roteiro e paradoxos, mas nada que comprometa a qualidade geral.
As piadinhas e paralelos entre as duas épocas no filme também são sensacionais. O jeito que o valentão da cidade trata o pai de Marty no passado e no presente, o tio presidiário que "adora ficar no cercadinho" no passado, e, claro, ele se empolgando ao tocar Johnny B. Goode na década de 50, e o guitarrista da banda ao telefone: "Chuck, aqui é seu primo Marvin Berry. Lembra aquele som que você estava procurando? que tal isso?". Absolutamente genial.
Aliás, a trilha sonora também merece destaque. Além da já citada Johnny B. Goode, o tema do filme (que, se toca no carro, me faz acelerar automaticamente para chegar a 88 milhas por hora), e as demais músicas de Huey Lewis compõem uma ótima trilha. Os atores também estão ótimos, Michael J. Fox praticamente "virou" Marty McFly por boa parte de sua carreira (e, por estar filmando a série Caras e Caretas na época, só podia fazer suas cenas à noite), e Christopher Lloyd também é um Doc Brown memorável.
Provavelmente não consegui transparecer aqui toda a minha empolgação com esse filme. Mas, como acredito que quase todo mundo já viu, acho que não preciso convencer ninguém a assisti-lo. É outro daqueles filmes que você pode até não gostar, mas nesse caso eu é que vou gostar um pouco menos de você :-)
Nota: 9,3 (9o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Highlander (1986)
Um grupo de imortais, que foram nascendo ao longo dos séculos, destinados a um confronto final em uma terra distante. Um escocês nascido na Idade Média, que percebe que é um deles, e ao mesmo tempo prepara-se para este confronto e vive sua vida, sabendo que, enquanto todos à sua volta nascem, envelhecem e morrem, ele passará os séculos inalterado.
Esse é outro dos clássicos da Globo dos anos 80. Não fez grande sucesso quando lançado, mas foi virando cult ao longo dos anos (e das reprises), e é mais um daqueles filmes que acabou ficando na memória coletiva dessa geração. Conta a história de Connor MacLeod (Christopher Lambert), que descobre ser um imortal, quando é atacado por um ferimento mortal e... bem, não morre. Banido de sua vila, ele para de envelhecer e percebe que não é uma pessoa normal. Aos poucos ele vai descobrindo que, como ele, há alguns outros imortais, que só podem ser mortos tendo suas cabeças cortadas por um outro imortal, e que, em um ponto no futuro, os poucos que sobrarem se encontrarão para duelarem até que sobre apenas um, que receberá um grande prêmio e a imortalidade definitiva ("There can be only one!!!).
(um dado importante: ao contrário do que pensam algumas mães de jogadores de futebol, Highlander não apenas não é o nome dele - e sim uma referência às Highlands, região montanhosa da Escócia de onde ele se origina -, mas também não se escreve "Railander"... hehehe)
Além da premissa, a maneira de contar a história também é bem interessante, alternando épocas antigas (como a Idade Média), onde aos poucos vai entendendo o que se passa, e aprende a lutar com um mentor também imortal (Sean Connery), com os dias atuais, onde aguarda o confronto final enquanto relembra sua longa vida, na qual vive o conflito de não envelhecer junto aos que ama, enquanto assume de vez em quando uma nova identidade para não ser descoberto.
Claro que há pontos ruins no filme também. Tirando o mito Sean Connery, os atores não são grande coisa (Christoper Lambert surgia como uma promessa nessa época, que nunca se concretizou propriamente - era apenas seu segundo filme em inglês, língua que havia aprendido há pouco tempo), os efeitos especiais também não são fantásticos. Nada que tire a graça e o interesse sobre o filme.
Mas ainda falta falar do que, na minha opinião, é a principal razão do filme ser o que é:
Sua trilha sonora. Um dos poucos casos que conheço de que a trilha inteira do filme é feita pela mesma banda (excluindo, claro, compositores de "scores" instrumentais como Ennio Morricone ou Alan Silvestri), e ainda com o detalhe de que eles compuseram a trilha com o filme já quase pronto, e portanto puderam se inspirar na história e nas imagens para a composição. Diz-se que eles tinham sido contratados apenas para uma música, mas quando viram o filme, cada um deles passou a trabalhar inspirados nas cenas que mais gostaram. Brian May compôs "Who Wants to Live Forever" no táxi voltando para o hotel, e Roger Taylor usou a frase "It´s a Kind of Magic" como base para a tão famosa música, que toca nos créditos finais. E tudo isso com a genialidade de Freedie Mercury nas interpretações. Não tinha como dar errado. Assim como já falei sobre Mamma Mia, com essa trilha o filme nem precisava ser muito bom para ser memorável. E ele é muito bom.
Nota: 7,0
PS: Apenas não esqueça de uma coisa: nunca, mas NUNCA, sequer considere as continuações. Assista apenas ao primeiro. Sério.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988)
Existiu uma época muito distante na qual toda uma geração de crianças tinha uma gama de opções infinitamente menor do que hoje para se distrair em casa. Não havia internet, poucos tinham videogame ou videocassete, e especialmente aqueles que moravam em apartamento e não eram muito de sair para brincar na rua (como eu) contavam com exatos 7 canais de TV para escolher quando sentavam à tarde, após a aula, na frente de seu televisor. Dentre essas opções, programas voltados à senhora dona de casa, Chaves (sim, já existia), outros programas em geral desinteressantes (desenho animado, só de manhã), e, por fim, aquela que era responsável por dar alguma variedade a essa rotina das tardes após a lição de casa: a Sessão da Tarde.
Lendas dizem que ela ainda existe, mas claro que sem um pingo da relevância que já teve. Para essa geração de crianças, a Sessão da Tarde era o principal contato com a gama de filmes que o cinema nos apresentava a cada ano (em geral, uns 3 ou 4 anos depois, mas isso não vem ao caso). Verdadeiros clássicos da sétima arte dublada, como Curtindo a Vida Adoidado, Bingo - Esperto pra Cachorro, Remo - Desarmado e Perigoso, Loucademia de Polícia e tantos outros viraram verdadeiros ícones dessa geração sendo repetidos exaustivamente nas tardes da TV, logo após o Vale a Pena Ver de Novo (sim, algumas coisas nunca mudam).
O Grande Dragão Branco (que tradução, hein?) era outro desses ícones da TV do final dos anos 80. Com um Jean-Claude Van Damme recém alçado ao "estrelato" por Retroceder Nunca, Render-se Jamais (que por sua vez, passava nas noites da Bandeirantes), o filme conta a história "baseada em fatos reais" de Frank Dux, militar americano treinado em artes marciais desde sua infância (por um daqueles velhinhos japoneses mais clichês impossível), que resolve disputar (e vencer) o "Kumite", campeonato ilegal de artes marciais variadas disputado no oriente (não existia ainda o MMA), conhecido por não ter regras e por sua violência exagerada, tendo causado inclusive algumas mortes em sua história.
(aqui cabe um parêntese para falar sobre duas das maiores instituições dos filmes na TV dos anos 80. A primeira era o "baseado em fatos reais", o que no caso desse filme significa provavelmente que existiu um Frank Dux, que era um militar americano e..., bem, tinha dois olhos e uma boca. Esse era um expediente muito utilizado naqueles dramalhões do Supercine, por exemplo, para dar alguma "credibilidade" à choradeira que você via em cena. A segunda, o "pela primeira vez na televisão", utilizado especialmente pelo SBT para aqueles filmes que você já tinha cansado de ver. Silvão Santos chegou ao cúmulo de mudar o nome de um filme só para poder continuar dizendo que era inédito)
Era o "auge" dos filmes de artes marciais. Depois da morte de Bruce Lee nos anos 70, os filmes de luta acabaram migrando para o modelo do "super-soldado" que acaba sozinho com todo um exército inimigo (filmes do Stallone, Schwarzennegger, Chuck Norris e outros). Com o relativo esgotamento desse modelo, e com o surgimento de um tipo diferente de "atores", como Van Damme, e mais tarde Steven Seagal, o foco dos filmes voltou a ser a luta corporal (chegando ao extremo com Karate Kid...), e filmes de "torneios de artes marciais" surgiram às toneladas (seguido de jogos, como Street Fighter e Mortal Kombat, que por sua vez acabaram também virando filmes...).
Não vou ousar dizer que o filme é ótimo. Não, não é. Mas é divertido, especialmente se você entra no clima. Van Damme está canastrão ao extremo. As situações são bizarras. Mesmo as cenas de luta são inverossímeis. O vilão é extramente caricato (mas muito divertido, suas expressões são ótimas). Aliás, uma das cenas mais emblemáticas do filme é quando, para provar que é mesmo discípulo de seu mestre, Frank Dux desfere um (impossível) golpe que quebra (ou melhor, explode) apenas o tijolo de baixo de uma pilha de uns cinco. Todos ficam impressionados, menos o vilão (claro), que solta a frase que virou clássico: "Tudo bem, mas...
![]() |
| ...TIJOLO NÃO REVIDA!!!!" |
E depois, a tradicional quase morte do grande amigo do herói nas mãos do vilão, seguida de ameaças, trapaças e da também obrigatória vitória redentora do herói ao final. Tudo regado a várias repetições do movimento registrado de Van Damme: a abertura de pernas (espacate), até na cozinha pra não encostar no chão, que está eletrificado (ou pode ser que isso seja em outro filme e eu me confundi. São todos iguais...)
![]() |
| Nada como um alongamento leve a 300m de altura |
Não sei se tenho muito mais o que dizer. Se você tem mais de 30 anos, provavelmente assistiu. Se não tem, talvez nem se interesse agora. Mas o fato é que era muito divertido, especialmente inserido na cultura da época. Por vezes fico pensando o que será dessa geração que tem centenas de canais, além de TV on demand, youtube, etc.... Precisamos também das coisas ruins para formar nosso caráter, oras!
Nota: 5,0
PS: Se você ficou curioso de ver ou rever o filme, mas não tem mais tempo de assistir Sessão da Tarde, seus problemas acabaram! O filme está disponível na íntegra no youtube, e (YEAH!) com a dublagem tosca original. Pegue sua pipoca, sente em frente ao seu computador e aproveite:
domingo, 17 de junho de 2012
Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller´s Day Off, 1986)
Sozinho, esse filme já seria suficiente para justificar porque é tão mais legal ter sido adolescente nos anos 80 do que hoje. Pode esquecer a regra dos 15 anos! Já assisti esse filme algumas vezes recentemente e ele continua tão legal quanto antes. Ao mesmo tempo "subversivo" e de certo modo inocente, ao mostrar Ferris Bueller, no final do ensino médio, faltando à aula para aproveitar a vida enquanto pode, às vésperas de iniciar a faculdade (que ele nem sabe qual quer ainda), sabendo que em breve vai deixar de poder fazer isso. Chega a ser poético, na verdade.
Se você é uma pessoa mal-humorada, ou de mal com a vida (espero que não), pode estar perguntando: "Tá, mas grande coisa, uma comédia dos anos 80 como tantas outras, o que esse filme tem demais afinal?". Respondo a seguir, caro leitor insuportável:
- A comédia: a situações são ótimas, o trabalho que o Ferris tem para conseguir faltar à aula chega a ser comovente. O que faz para não ser visto por seu pai ou pelo diretor também. E muito mais: o "empréstimo" da Ferrari, os programas que eles inventam de fazer no dia de folga ("Está querendo me dizer que você é o Rei da Linguiça de Chicago?")...
- Os personagens: Ferris provavelmente não faz uma única coisa certa no filme todo, mas quem não torce por ele? Além dele, os pais "trouxas", o diretor obcecado, a irmã invejosa, o amigo medroso, e até Charlie Sheen como um drogado, todos personagens memoráveis, muito bem construídos pelos atores, e pelo roteirista e diretor John Hughes, o cara que sabia falar com os adolescentes da época como ninguém (Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco e outros)
- As músicas: além de ressucitar "Twist and Shout" para toda uma geração que não era contemporânea dos Beatles, em uma das melhores (senão a melhor) cena musical do cinema, outras músicas como "Oh Yeah" (da cena final, no ônibus escolar, clássica), "Danke Schoen" (que pouca gente nota que ele canta no chuveiro no início do filme, bem antes de cantar na parada), e mesmo a música da cena dele fugindo pra casa são ótimas. Ironicamente, nunca foi lançada a trilha sonora do filme, em disco, CD ou qualquer outro formato.
- A filosofia: Muita gente fala do "Carpe Diem" de Sociedade dos Poetas Mortos, mas um filme não precisa ser chato e metido a profundo pra te dar o que pensar. Já no início do filme, Ferris vira para a câmera e solta o já clássico "A vida passa rápido demais. Se você não parar de vez em quando para olhar em volta, pode deixá-la passar". A partir daí, você vê que, apesar de ele estar enganando todo mundo, o "day off" de Ferris tem como objetivo ser de fato um momento de curtir a vida, se aproximar dos amigos a quem logo vai deixar de ver todo dia, e também tentando ensinar algumas lições ao amigo, que ele acredita piamente que precisa se libertar mais. Propósitos nobres, ou não? Vi o Marcelo Janot, crítico de cinema do Telecine, falando: "Ele falta à aula e vai a uma galeria de arte. Muitos adolescentes não fazem isso nem por obrigação". É isso.
- O saudosismo: Claro, esse não poderia faltar. Para quem cresceu com poucas opções além da Sessão da Tarde, e portanto viu esse filme muitas vezes (e, porque não, imaginou fazer o mesmo), o filme traz lembranças muito legais. É outro dos poucos filmes que prefiro dublados.
Precisa mais? Para o pessoal que nasceu nos anos 80 e 90, e que sei que lêem esse blog, o filme vai passar hoje (17/6/12), no Telecine Cult, às 22:00, ou então, melhor ainda, dublado no youtube:
Já se você é dos anos 80, ou por outra razão já assistiu, e não gostou, por favor não volte a falar comigo :-)
Nota: 8,9 (19o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
PS: O filme mostra que, mesmo que demore muito, uma hora você vai ser castigado por matar aula. Por que outra razão Matthew Broderick (o Ferris) acabaria se casando com aquela insuportável (e baranga) atriz principal de Sex and the City? O castigo vem a cavalo...
PPS: No início do ano, uma propaganda do CR-V da Honda resgatou o filme como se fosse uma continuação, mas com o próprio Broderick fingindo estar doente para faltar a um dia de filmagem. Apesar de um pouquinho anti-climático (muitos tiveram um fiozinho de esperança de que fosse de fato haver uma continuação), o comercial, que passou no intervalo do Super Bowl, é sensacional (primeiro o teaser, que fez muita gente pensar em uma continuação, depois a propaganda completa):
terça-feira, 29 de maio de 2012
A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka and the Chocolate Factory, 1971)
Dizem que é um filme infantil. Até deve ser mesmo. Mas é um filme infantil bem tenso, onde a máxima "obedeça, senão...." é levada às últimas consequências. Mas, independente de qualquer coisa, é um filme muito legal.
Pra quem não conhece, a história é sobre o recluso dono da melhor fábrica de chocolates do mundo, que lança um concurso em que as 5 pessoas que encontrarem os tickets dourados em seus chocolates ganham o direito a uma visita em sua misteriosa e revolucionária fábrica. Charlie é um menino muito pobre que, contra todas as chances, é um dos sorteados, e parte para a visita que mudará sua vida.
Podia ser essa a sinopse de um filme bobinho e de fato bastante infantil. Mas não é o que acontece. Primeiro porque, afinal, eram os anos 70, e nada era bobinho nos anos 70... a representação da fábrica, seu espaço, suas "máquinas", seus empregados, seus produtos, tudo, é visualmente muito impactante, bastante colorida e psicodélica. Cachoeiras de chocolate, túneis, e todo tipo de ambiente bizarro aparece no filme, o que para as crianças é muito legal de assistir. Destaque também para os "oompa-loompas", os anões laranjas cantores que são a mão de obra da fábrica.
Também com foco nas crianças, mas de uma maneira mais "agressiva", são as coisas que vão acontecendo com os vencedores ao longo do filme. Tirando Charlie, são todas crianças mimadas e malcriadas, que um a um sofrem instantaneamente algum problema (ou castigo) quando fazem algo "proibido" pelo dono da fábrica. Mais exemplar impossível. Aliás, Willy Wonka (Gene Wilder) é um destaque à parte. Sua imersão no papel é notável, e seu desempenho como o "lunático" empreendedor é muito bom, "sendo" o personagem durante todo o filme.
Nem lembro a primeira vez que vi esse filme. Sei que já vi várias vezes, e que foi o primeiro filme que a Manu (minha filhinha) de fato parou para prestar atenção. Tanto que o DVD já está todo riscado, porque ela quer colocar sozinha no aparelho. Sinal que atrai as crianças. Sem querer ser saudosista ou anti-politicamente correto (coisas que eu de fato sou), é um filme diferente do que se faz hoje. Nem é o caso de dizer "olha, isso nunca passaria em um filme atual", até porque existe um filme atual (com Johnny Depp), mas ainda assim é diferente. Por sinal, por curiosidade resolvi assistir a refilmagem um dia desses na TV, e não consegui assistir muito tempo. Além do estranhamento da versão nova, em contraste com a que vi a vida toda, a atuação de Johnny Depp é tão afetada e artificial que o filme perde a graça. Acho ele um excelente ator, mas perdeu a mão.
Em resumo, um musical-infantil-drama-comédia muito legal. Outro que não é uma obra prima, mas que marcou muitas pessoas via Sessão da Tarde. E um dos poucos filmes até hoje que só vi dublado. Para a criança (e o adulto) dentro de cada um.
Nota: 8,0
quinta-feira, 1 de março de 2012
Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Outro dia desses, quando minha filhinha Manu chegou da escola cantando "Uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravo", bateu um misto de orgulho e surpresa. Surpresa porque nunca achei que ainda ensinassem essa música nas escolas. Xuxa, ok, um Balão Mágico, talvez, mas nunca os Trapalhões. E orgulho porque, afinal, tem tanta porcaria por aí tocando pra crianças que é muito legal ela gostar logo da mesma música que eu adorava quando tinha a idade dela. E, afinal, é do Chico Buarque, tem uma qualidade musical envolvida.
E, claro, também lembrei do filme. E agora achei legal que esse fosse o primeiro filme brasileiro a aparecer aqui no blog.
Regra dos 15 anos à parte, e muitos podem não saber disso (ou não concordar), mas houve de fato uma época quando Os Trapalhões eram engraçados. E eram um sucesso também. Filmes dos Trapalhões são 12 das 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro em todos os tempos. Esse filme especificamente é considerado por alguns como um dos melhores (ou o melhor) que eles fizeram. Era o auge do grupo, e ao contrário dos filmes anteriores, esse procurava passar uma mensagem, não apenas de conteúdo mas política também. A história dos empregados pobres do circo, sendo explorados pelo dono, em busca de uma vida melhor era até "subversiva" em pleno regime militar (e provavelmente uma das razões de Chico Buarque ter se envolvido no projeto).
Mas o principal que eu queria falar aqui é sobre como a noção de humor evoluiu em tão pouco tempo. Sem entrar no clichê de "o politicamente correto está matando o humor", é uma diferença brutal entre as 2 épocas. Em um DVD que comprei dos melhores momentos dos Trapalhões, há um quadro em que eles, com fome, roubam uma galinha, são perseguidos e trocam tiros (!) com a polícia. Imagine isso em um programa de humor atual... mas ao mesmo tempo havia uma "inocência" maior, não se tinha uma preocupação com o impacto de tudo, ou com ofensas e "melindrações" de todos os lados. No máximo o Mussum respondia "Negão é seu passadis" e tava tudo certo. Tudo muito mais simples. Se é por isso ou não, não sei, mas hoje é muito difícil achar um humor decente. Talvez as pessoas estejam se preocupando demais.
O fato é que assisti esse filme de novo há pouco tempo, e continuei gostando. A paixão não correspondida do Didi (!) pela Lucinha Lins (!!), as lições de vida de nunca desistir, e de encarar a vida com senso de humor não importa o que aconteça ainda estão lá. E essas coisas sobrevivem ao tempo.
Nota: 6,0 (afinal não é nenhuma obra prima...)
PS: Não é cinema, mas eu precisava colocar aqui um dos melhores momentos dos Trapalhões na minha opinião, "Papai eu quero me casar". Obviamente hoje não iria ao ar, muito menos às 7 da noite de um domingo...
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