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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013)


Outro dia, quando falei de Lucy, prometi que voltaria ao tema ficção, mas dessa vez para falar de bons filmes. Claro, já falei de alguns, como De Volta para o Futuro, Gravidade e O Império Contra-Ataca, mas sempre é bom destacar filmes inteligentes, especialmente aqueles que não ficaram tão conhecidos quado saíram.

Já esse Expresso do Amanhã (que nominho em português, hein?) nem é bem uma ficção científica. Está mais para um sub-gênero que eu adoro, o "futuro pós-apocalíptico". Baseado em uma HQ francesa, o filme se passa em 2031, em um mundo onde a humanidade, buscando acabar com o aquecimento global, acidentalmente congelou tudo. Os únicos sobreviventes estavam por acaso em um trem, auto-suficiente, que dá uma volta ao mundo por ano, e onde se criou um "micro-universo", com ricos, pobres, colheitas, prisões, desigualdades.


Curtis (Chris Evans, excelente) é o jovem líder dos moradores do fundo do trem, marginalizados e explorados pela elite dos vagões da frente. Periodicamente, crianças são sequestradas e levadas, e um desses sequestros desencadeia uma revolução, que busca tomar o poder no trem. Obviamente, nem tudo é o que parece, e nesse processo, Curtis conhecerá e aprenderá coisas que não imaginava. No elenco, também aparecem John Hurt, como o antigo líder e mentor de Curtis; Tilda Swinton, em atuação fantástica, é uma das líderes da elite; além de Ed Harris, Viola Davis, Alison Pill também em bons papéis.

Pessoalmente, eu sou fã tanto de histórias pós-apocalípticas (como o ótimo Filhos da Esperança), como de "micro-universos", onde alguma restrição faz com que o mundo, restrito a um espaço confinado, se desenvolva com suas próprias regras. Os 12 Macacos, Metro 2033 são excelentes exemplos. Este Expresso da Amanhã é outro que vale muito a pena.


Além da premissa inteligente, a história se desenvolve de maneira muito interessante. Aqui sim, o conceito de suspensão de descrença funciona bem. Se você acredita que um trem é o último bastião de sobrevivência se movendo pelo mundo sem parar há 19 anos, e que, como foi construído para ser autossustentável, consegue manter a vida de quem está dentro dele, você está pronto para gostar do filme. Porque é um excelente estudo de sociedade, além de uma experiência visual e narrativa surpreendente. Sem pressa, o diretor Joon-Ho Bong vai mostrando os detalhes do funcionamento tanto do trem como da sociedade, e deixando claras as escolhas e sacrifícios que são feitos por cada um. O filme, uma produção americana e européia com um diretor sul-coreano, aproveita muito bem todas essas heranças: a ação e visual dos filmes americanos, o choque social dos filmes europeus, e a estranheza e finais inesperados dos filmes coreanos.

Portanto, se você passou pelo filme na lista do Netflix, se interessou e colocou na lista, ou mesmo o deixou perdido no meio daquela imensidão, pense novamente: atrás de uma cara de ficção genérica com o carinha do Capitão América pode estar uma grata surpresa.

Nota: 8,5 (42o. colocado na minha lista de filmes favoritos)


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016)


Eu odeio remakes, em geral pouco criativos e caça-níqueis que capitalizam um filme original. Eu odiei o novo Karate Kid. Eu odiei o novo A Fantástica Fábrica de Chocolate. Eu odiei quando anunciaram esse remake de um dos filmes oitentistas que mais gosto. Eu odeio a Melissa McCarthy como comediante. Eu odiei os trailers que foram sendo divulgados. Eu absolutamente odiei a versão nova da música-tema, provavelmente uma das mais emblemáticas da história do cinema. Eu fui para o cinema pronto pra odiar o filme com mais propriedade, e dava tão pouco por ele que não me incomodei quando a filha pediu para ver a versão dublada.

Por isso digo com toda propriedade: como é bom de vez em quando estar completamente, inapelavelmente, irremediavelmente ERRADO.


Eu adorei a história, que ao mesmo tempo homenageia mas se descola da original. O básico está lá: cientistas sem muito crédito que se juntam para combater uma ameaça sobrenatural crescente que ameaça a cidade de Nova York. Mas a formação e evolução do time, a origem da ameaça, a trajetória do grupo obviamente mudaram para fazer mais sentido na transposição da década de 80 para o mundo de 30 anos depois. E mudaram com bastante coerência. A internet está lá, mas não tira o espaço dos velhos traços em mapas. As tecnologias são novas, mas as armas têm o mesmo jeitão. E mesmo que, assim como no original, você já saiba tudo que vai acontecer, torce, vibra e se diverte do mesmo jeito.

Eu adorei as referências. Em época de anos 80 em alta, com obras como Stranger Things, e em se tratando de algo tão cult como Caça-Fantasmas, seria fácil exagerar na mão nas referências ao filme original, engessando a história ou tornando-a algo sem sentido para a nova geração. As referências estão lá (o logo, o carro, o prédio, uma participação sensacional do monstro de marshmallow, entre muitos outros), mas nota-se uma deferência ao material antigo sem que isso se torne um problema. O fã antigo vai adorar, vai ficar procurando detalhes, mas a história corre sem parar para mostrar "olha aqui, lembra disso?" o tempo todo. Ponto para os roteiristas.


Eu adorei o elenco. Um dos pontos fortes do filme original era o equilíbrio entre os componentes da equipe, sem que um se destacasse muito mais que os demais (embora Bill Murray tivesse alguma profundidade em sua história, especialmente devido à personagem de Sigourney Weaver). Como eu disse ali em cima, não sou fã da Melissa McCarthy, e tinha medo de que as demais servissem apenas como escada para a "atriz principal". Não podia estar mais longe da verdade: todas têm seu espaço, mandam bem, e mesmo Melissa não me incomodou como faz em Mike and Molly, por exemplo. Destaque para Kate McKinnon, como a insana e extremamente produtiva Holtzmann, e Chris Hemsworth, claramente se divertindo no papel do tapadíssimo assistente Kevin.

Eu adorei as participações especiais. Sim, eles estão todos lá. Até Bill Murray (obviamente, com a sentida ausência do saudoso Harold Ramis). Cada um dos atores que fizeram os Caça-Fantasmas originais faz sua ponta nesse filme. Sigourney Weaver também. Até o Geléia (que, pasmem, tem papel importante na história também). Adorei o papel de Ernie Hudson, que rouba a cena por 30 segundos. Mais do que a importância dos papeis em si, o legal é a chancela de "vão lá, gente, bom trabalho, estamos aqui passando o bastão e desejando boa sorte". Ah, sim, tem Ozzy Osbourne também :-)



Eu adorei o filme, em resumo. Depois de toda a polêmica do elenco feminino (que não passa batida no filme, com algumas boas piadas muito bem colocadas lembrando que elas são mulheres e não estão nem aí para o que alguém pensa sobre isso. Aliás, o próprio Kevin, tão criticado, não deixa de ser uma sátira caricatural e muito bem sacada do papel da secretária burra e gostosa), fica fácil transformar esse remake em uma discussão sobre feminismo vs. machismo, ou sobre a necessidade do cinema de tentar mostrar novamente todas as suas boas histórias. Não caia nessa. O filme obviamente não é perfeito, as coisas acontecem muito fácil e nem sempre é fácil seguir a lógica da história. Mas tem sido tão difícil sentar no cinema e ter uma diversão honesta que esse Caça-Fantasmas vale muito a pena por isso. Foi ótimo ver minha filha sair empolgada com um sorriso enorme no rosto ao final da sessão. Assim como eu fiz, com a idade dela, no filme original. E é uma sensação fantástica.

Nota: 7,5/10

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Superman - O Filme (Superman, 1978)


Outro dia, em uma conversa despretensiosa pelo Twitter, comentei o que eu achava que era uma opinião geral de quem assiste filmes de super-heróis no cinema: que o primeiro filme do Superman era fraco. Recebi várias reprimendas (pra dizer o mínimo), de amigos dizendo que o filme foi o pioneiro, estabeleceu vários padrões seguidos até hoje nos filmes do gênero, e especialmente do Victor Caparica, ouvi que eu (e, presumo, 99% dos espectadores do filme) tinha entendido errado o final, quando ele faz o tempo voltar para salvar Lois Lane do terremoto.

(inclusive, vale uma ressalva aqui: não sou leitor de gibis do personagem. Tudo o que disser se refere ao filme em si e não ao quanto é fiel ou não à mitologia dos quadrinhos. Muito menos entendo o suficiente para saber como as mudanças no universo das HQs afetam seu alinhamento com a história do filme)

Assim, depois de várias opiniões fortes, prometi a alguns amigos que reveria o filme com a cabeça aberta e escreveria um texto sobre ele aqui no blog para dizer o que achei. Adiantando: o filme é um pouco melhor do que eu lembrava, mas ainda não posso dizer que é bom. Explico:



O filme inicia muito bem. Toda a parte da origem do Superman é contada com calma, detalhes e didatismo. Talvez justamente por aquele pioneirismo, imagino que o diretor tenha escolhido um caminho conservador para não tornar o filme difícil para um público que não estava acostumado a esse tipo de história. Está tudo ali: de onde ele veio, porque veio especificamente para a Terra, porque seus pais o enviaram sozinho, como é seu relacionamento com seus poderes e seus pais adotivos na juventude... um belo "tutorial", que se encerra com a construção da Fortaleza da Solidão, a tomada de conhecimento de quem ele é e qual seu papel na Terra. Alguns efeitos especiais datados, mas essa parte realmente me animou para o resto do filme. Uma nota interessante: logo no início da história, aparecem os vilões do segundo filme sendo condenados, um "easter egg" que deve ter sido marcante na época.



A segunda parte do filme se dedica a estabelecer o Superman (o herói, e não a pessoa), além de caracterizar o ambiente que passa a cercá-lo: a cidade de Metrópolis, Lois Lane, Jimmy Olsen, e até um pouco de Lex Luthor. É nessa parte que, após algum conflito na adolescência, o Superman se transforma no "defensor da justiça, da verdade e do sonho americano" (sim, ele diz isso), o perfeito e incorruptível herói que Metropolis precisa. Eu tinha na cabeça que Lois Lane fosse uma personagem mais interessante (talvez resquício de ter visto Superman Returns há poucos anos), mas no filme ela é voluntariosa porém relativamente limitada (pessoas em volta corrigem sua ortografia algumas vezes durante o filme). A cena da entrevista exclusiva dela com o Superman é antológica pela parte do vôo em conjunto, mas é arrastada e algumas coisas não fazem sentido (você consegue a exclusiva mais procurada por todos os jornais da cidade e vai perguntar peso e altura, jura?). Ainda assim, o filme se sustenta bem, os personagens são bem retratados e, principalmente, o Superman se estabelece como herói na cidade de maneira muito interessante.



O terço final do filme é que estraga tudo. O filme se pretende sério, com pitadas de humor (o próprio Clark Kent funciona bem como alívio cômico em algumas cenas, sem cair na caricatura), mas nada justifica Lex Luthor e seus "capangas" terem cenas tão imbecis. Entendo que o "vilão ultra inteligente cercado por ajudantes imbecis" não era clichê na época como é hoje, mas ainda assim a sequência em que o bando tenta interceptar o comboio do míssil nuclear para redirecionar sua trajetória é revoltante de tão ruim, parece uma cena deletada de Top Secret por ter ficado sem graça. Quebra totalmente o ritmo do filme. Outra cena que não faz sentido algum é quando Lex Luthor chega à conclusão que, se Superman chegou à Terra no ano de 1961, então uma chuva de meteoros que chegou no mesmo ano "certamente" vem de Krypton, e "portanto", deve ser o ponto fraco dele, ele mesmo dando o nome de Kryptonita. É um ponto importantíssimo no plot do filme, merecia uma explicação melhor.



Após algumas pataquadas do vilão da história, chegamos à cena mais famosa (e mais polêmica, digamos) do filme. Ao ser salvo da morte por kryptonita pela assistente de Lex Luthor, ele promete que salvará a mãe dela primeiro, e com isso, Lois Lane é pega no terremoto causado pelo míssil de Luthor e morre soterrada. Em desespero, vai para o espaço e, com sua supervelocidade, faz com que o tempo volte e desce a tempo de salvar sua amada. Para mim (tanto na lembrança como vendo agora), parece que o Superman faz a Terra girar ao contrário para o tempo voltar, o que seria um grande absurdo. Há teorias que dizem que ele está gerando uma distorção no espaço-tempo, fazendo o tempo voltar, e não girando a Terra ao contrário, mas honestamente, não é isso que o filme demonstra (ele inclusive, no final, volta a girar no sentido normal da Terra para fazê-la "pegar no tranco"). De qualquer jeito, o ponto é que, mais uma vez, um ponto-chave da história fica muito mal explicado e sujeito a interpretações. Além disso, convenhamos, voltar, salvar a amada, mas deixar o resto do país explodindo não é exatamente o que o paladino da justiça teria feito...



O filme se beneficia de outros aspectos: o elenco tem boas atuações, e Christopher Reeve até hoje é o Superman, em uma identificação ator/personagem mais direta do que talvez qualquer outro herói do cinema (talvez apenas Robert Downey Jr./Iron Man e Hugh Jackman/Wolverine cheguem minimamente próximos). Na trilha sonora, John Williams mais uma vez mostra um tema daqueles de arrepiar, que até hoje identificamos nos primeiros acordes. Os efeitos visuais, como citei anteriormente, estão datados, mas não comprometem o filme, e na época devem ter sido considerados fantásticos. O diretor Richard Donner faz um trabalho muito competente, inclusive unindo a história com a do segundo filme (que acabou não dirigindo, por "diferenças criativas"). Alguns pontos positivos que ajudam o filme, mas acabam não fazendo tanta diferença. Como disse, acho que minha opinião não mudou muito. Reconheço alguns bons pontos positivos, e o pioneirismo, mas como entretenimento, continuo achando que não é grande coisa. Que venha o filme 2...

Nota: 5,0


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[Top 10] Cenas musicais

Depois de tanto tempo escrevendo no blog, pensei em fazer um novo tipo de post. Nada extremamente original, o que mais tem por aí é blog com listas. Mas, de todo jeito, achei legal selecionar os meus melhores no cinema em alguns critérios. Para começar, as 10 cenas musicais que mais gosto. Não coloquei aqui cenas de musicais, preferindo aqueles filmes onde a música em um dado momento se torna um personagem. As cenas não estão em ordem de preferência e representam o meu gosto pessoal, podendo ser cornetadas à vontade nos comentários:

Ferris Bueller na Parada - Curtindo a Vida Adoidado

Já começo com a minha favorita, que marcou uma geração de espectadores da Sessão da Tarde juntando Beatles (e Danke Schön) com o maior matador de aula do cinema. É surpreendente, é emocionante, engraçada. Paro pra ver toda vez:



O concurso de Twist - Pulp Fiction

Essa também já nasceu clássica. Aparentemente aleatória na história do filme, mas juntando o fetiche de Tarantino por Uma Thurman e o passado "dançarino" de John Travolta (que foi praticamente ressucitado pelo diretor nesse filme), com uma coreografia propositalmente amadora e tosca, que virou um cult instantâneo:



Fila do Banco - Ou Tudo Ou Nada

Nesse excelente filme, um grupo de desempregados ingleses promete um strip-tease "até o fim" como forma de conseguir dinheiro, em um país recessivo e com poucas esperanças. Um tema sério, mas levado com bastante humor. E a cena musical que mais gosto reflete bem essa dualidade: na fila para receber o seguro-desemprego, aos poucos os homens, quase sem perceber, estão dançando de forma coreografada, de acordo com o que vêm ensaiando. Simples, mas marcante:



Clipe inicial - Letra e Música

Um filme bastante esquecível, com Hugh Grant e Drew Barrymore fazendo mais do mesmo em relação a papéis, mas com uma abertura que os anos 80 não teriam feito melhor:



Uncle Fucker - South Park: Bigger, Better and Uncut

Essa entra pelo inusitado. É tão surreal que eu não conseguia parar de rir no cinema. A música (composta basicamente de palavrões e ofensas) conseguiu a proeza de ser indicada ao Oscar e ser cantada durante a cerimônia:



Apresentação de Marty McFly no Baile do Encanto Submarino - De Volta para o Futuro

Outra clássica. Marty, sob risco de sumir da existência caso seus pais não se apaixonem, tem que cobrir a ausência de um guitarrista no baile. Durante a romântica "Earth Angel", seus pais finalmente se apaixonam, e depois vem "Johnny B. Goode" para espanto da platéia dos anos 50 que o assiste. Fantástica:



Coreografia no deserto - Priscilla, a Rainha do Deserto

Além de divertidíssimo, esse filme foi um dos primeiros a retratar a causa gay com tal naturalidade, e de maneira séria porém tornada leve. Essa cena é um retrato de todo o filme, mostrando o "choque" entre o exagero das dançarinas em contraste com os "caipiras" da Austrália.



Bohemian Rhapsody - Quanto Mais Idiota Melhor

Digo apenas que após essa cena, é impossível ouvir Queen no carro e não bater cabeça:



Tocando Piano no Chão - Quero Ser Grande

Se você viu essa cena na Sessão da Tarde e nunca quis tocar piano desse jeito, você não foi uma criança feliz:



Tango - Perfume de Mulher

Termino com essa cena clássica, de um filme não tão clássico assim. Não dava para esquecer Al Pacino, roubando o filme (que nem é tão bom assim), como o coronel cego que dança tango:



Bonus Track - Tango - True Lies

Vou trapacear aqui um pouco pra colocar outra cena, já que ela usa a mesma música da anterior. No subestimado True Lies, Schwarzenegger é o espião que finge tão bem para sua mulher que tem uma vida sem graça que ela acaba acreditando. No final, vira espiã também, e vem mais tango por aí (infelizmente, nesse caso, dublado em russo):



Menções honrosas: 500 Dias com Ela, O Casamento do Meu Melhor Amigo, Pequena Miss Sunshine, 10 Coisas que Odeio em Você

Esqueci alguma? Exagerei? Comente.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

De Volta para o Futuro Parte II (Back to the Future Part II, 1989)


Hoje, dia 21 de outubro de 2014, estamos a exatamente um ano do dia em que Marty McFly (acompanhado do Doc Brown e de sua namorada) chega no "futuro" para tentar salvar seu filho da prisão por um assalto. Sim, aquele futuro "distante", com carros voadores, hoverboards, e hologramas de tubarão está a apenas 12 meses de se tornar realidade. Será?

Mas, por mais que todos estejamos ansiosos com a possibilidade de andar de skate sem rodinhas, o que eu queria mesmo era aproveitar essa "comemoração" e falar do segundo filme da melhor trilogia que o cinema já viu, um dos poucos filmes "do meio" que supera os demais (de cabeça, lembro também de O Império Contra-Ataca). E um dos meus favoritos de todos os tempos.


Para mim, o filme é uma aula de "como fazer uma continuação". Repete o que deu certo no primeiro (mas sem exageros, como Se Beber, Não Case ou até alguns episódios da série Rocky) e constrói algo maior em cima disso. Agora que o espectador já entendeu as "regras" da viagem no tempo neste universo, roteirista e diretor as subvertem, escalando os problemas e transformando o filme em um vai e volta temporal que beira o caos, incluindo realidades alternativas, encontros entre diferentes versões do mesmo personagem, e até uma volta a 1955, onde tudo começou.

O principal fator de sucesso do filme é Robert Zemeckis. O interessante é que, segundo ele, não havia intenção de fazer uma continuação, e o final do primeiro filme indo para o futuro era apenas uma piada. No entanto, ao assumir o "desafio", ele soube ao mesmo tempo construir uma história interessante, com vários paralelos com o roteiro do primeiro filme, e fugiu da armadilha de "prever" o futuro criando uma 2015 caricata, estereotipada e muito divertida, sem relação nenhuma com a realidade.


Essa 2015 do filme foi um deleite para as crianças nerds da década de 80: hologramas, veículos voadores, aparelhos gigantes de TV com vários canais simultâneos, e até um óculos de informação pessoal que lembra bem o Google Glass. Mas, claro, o filme é muito mais do que isso. A história, como comentei, potencializa o efeito "fazer besteira no passado afeta o futuro": ao ir para 2015 evitar que seu filho seja preso, Marty McFly sem querer possibilita ao velho Biff encontrar seu eu do passado e entregar para ele um almanaque de resultados esportivos, possibilitando que ele fique milionário e domine Hill Valley. Para evitar que isso aconteça, ele e Doc Brown devem voltar à mesma noite de 1955 e evitar que o jovem Biff receba o almanaque, restaurando assim a 1985 original.



Com isso, novamente, apesar do "futuro" no nome, boa parte do filme se passa em 1955, dando ao espectador a chance de entender e até rever sob outra perspectiva alguns dos acontecimentos do primeiro filme, especialmente o Baile do Encanto Submarino, onde Marty havia conseguido reunir seus pais e garantir sua existência.

No mais, atuação, trilha sonora, tudo se mantém ou evolui em relação ao primeiro filme. No entanto, o roteiro mais intrincado, as piadas recorrentes e o tal "to be concluded..." no final (chamando para o inferior, porém ainda sensacional terceiro filme) fazem com que esse seja um pouco superior ao primeiro (algo muito difícil, diga-se). Agora é esperar um ano e ver se Marty McFly aparece com o DeLorean nos céus...

Nota: 9,8 (2o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

(Link para o texto sobre o primeiro filme aqui)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, 2005)


Depois de ter escrito os textos sobre Star Wars e O Império Contra Ataca, o normal aqui seria eu estar escrevendo agora sobre O Retorno de Jedi. No entanto, após uma conversa no Facebook, percebi que, por ter visto A Vingança dos Sith apenas uma vez, no cinema, com todo o frenesi de "finalmente veremos o surgimento de Darth Vader", não tinha uma visão clara dele como filme, apenas como preâmbulo da trilogia clássica que tanto gosto. Sendo assim, resolvi assistir ao filme novamente, 8 anos depois, e, claro, escrever sobre ele aqui no blog.



Mas para falar sobre ele, é necessário situar um pouco a história. A tal "nova trilogia", iniciada por A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones (filmes sobre os quais eu provavelmente não vou escrever posts aqui), conta a história de Anakin Skywalker, aquele que viria a se tornar o famoso vilão Darth Vader. No primeiro, ele é uma criança, filho de uma escrava, encontrado quase por acaso por 2 cavaleiros Jedi em um planeta remoto. Eles percebem seu potencial e resolvem levá-lo para ser treinado. No segundo, ele já está adulto, e observa de maneira próxima uma crise na república, ao mesmo tempo que tenta lutar com seus próprios demônios. Dados os mais de 15 anos entre o final da trilogia clássica e o lançamento da nova, a expectativa era muito grande e o sucesso de público foi enorme, mas não há como negar que os filmes são ruins, com uma história confusa e inverossímil. No entanto, no ano de 2005 seria lançado aquele filme que finalmente fecharia o ciclo, mostrando finalmente o início de uma das histórias mais cultuadas do cinema moderno.

Eu fui ao cinema e adorei. Claro que estava longe de ser perfeito, e mesmo de ser tão bom quanto os clássicos, mas o lento declínio de Anakin (Hayden Christensen, um péssimo ator) para o lado negro, sua transformação em Sith, a tão aguardada luta entre ele e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o nascimento de Luke e Leia, a morte de Padmé Amidala (Natalie Portman) eram acontecimentos tão importantes e aguardados dentro da mitologia da série que o fato de finalmente poder vê-los mais do que compensava os "pequenos" deslizes cometidos por George Lucas (notoriamente um diretor fraco) em seus 3 filmes. Uma nota 8,0 e um bom lugar na minha lista de filmes e mesmo na cronologia da saga foram as conclusões a que cheguei na época.



Até semana passada.

Na tal conversa de Facebook a que me referi, eu defendia que o filme não era grande coisa, mas que completava bem a história, fechando de maneira satisfatória os pontos em aberto, enquanto o Fábio Vanzo dizia que não, como se fosse Yoda me dizendo que "The dark side clouds everything" (ele não disse bem isso, claro, mas foi essa a mensagem). Percebi que só poderia ter certeza vendo novamente o filme, mas dessa vez em uma posição mais isenta, analisando-o como história e não como peça arqueológica de um universo de que gosto tanto.

E, amigos, lhes digo: o filme é horrível.



A história é simplista, os personagens rasos e contraditórios ao extremo, os diálogos mal escritos e constrangedores, e até por isso, as atuações, mesmo dos atores mais consagrados, são risíveis. A edição é primária, não conseguindo construir um ritmo decente e quebrando demais a história (sério, parece novela mexicana: uma cena canastrona, um cenário, uma cena canastrona...). 

Os acontecimentos que levam Anakin de vez ao lado negro não fazem nenhum sentido, e suas reações ao que acontece à sua volta e às tentativas de manipulação que sofre dos demais personagens são incompreensíveis. A motivação de sua mudança (as visões que tem de Padmé morrendo e a sua vontade de impedir esse destino) não é nem de longe forte o suficiente para que ele faça as coisas que faz no segundo ato, e sua reação após descobrir (uns 5 minutos depois) que não conseguiu impedir sua morte é a de um homem fraco e não de um líder, destruindo totalmente a imagem de vilão mega-blaster-motherfucker da trilogia original. Contribui também para isso um ator que não consegue passar nenhuma credibilidade, não tem expressões faciais e tem sempre o mesmo semblante (embora tenha que ser dito que nem mesmo Marlon Blando teria conseguido coisa muito melhor com o texto que lhe foi dado). A direção e o roteiro de Lucas são praticamente infantis, sem nenhuma profundidade.

O que me levou à óbvia pergunta seguinte: então por que eu saí do cinema, em uma noite de Maio de 2005, achando que tinha visto um bom filme? até que ponto a minha ligação emocional com a história e a vontade que eu tinha de que o filme fosse bom me fizeram realmente acreditar nisso? Não sei se saberia explicar, mas o fato é que, sob algumas circunstâncias, parece que nosso senso crítico é desligado, como se nosso cérebro não quisesse lidar com uma verdade que desejamos ardentemente que não seja.



E isso não acontece o tempo todo? A tal dissonância cognitiva, que leva as pessoas a supervalorizarem o que concorda com suas opiniões ou vontades, e desprezarem tudo que vai contra elas? Em religião, futebol, política, cinema, ou até mesmo em nosso convívio diário, vemos a verdade ou apenas o que queremos ver? Ou essa minha filosofia toda é só de novo um jeito de tentar algo de positivo de uma experiência decepcionante, da qual eu tinha ma imagem muito melhor? :-)

Em resumo, não sei se prefiro agora, ou se era melhor eu ter ficado com a imagem positiva que tinha até então. Ainda acho que algumas poucas coisas se salvam: a trilha sonora de John Williams, o "nascimento" de um ícone pop como Darth Vader, e até mesmo a fotografia e o visual de algumas cenas, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan. Mas é pouco, muito pouco. Nem falei muito dos demais aspectos do filme, da atuação de Samuel L. Jackson (um ator de que gosto muito), de toda a computação gráfica (que é até bem feita, mas acaba parecendo mais uma máscara para disfarçar a falta de conteúdo), e outros, para não aumentar ainda mais minha decepção com o filme.

Só espero que ver o Episódio VII (previsto para 2015), não me faça olhar para esse e pensar "é, até que não era tão ruim". Nesse caso, fãs ao redor do mundo vão acabar imitando uma das piores mortes da história do cinema, a de Padmé, simplesmente "perdendo a vontade de viver"...

Nota: 4,0


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Skyfall (2012)


50 anos do primeiro filme do 007 (007 Contra o Satânico Dr. No, 1962), 23o. filme da franquia e terceiro em que o agente James Bond é interpretado por Daniel Craig. A história acho que todo mundo conhece, e deve ser meio que a mesma sinopse de uns outros 10 filmes do 007: após falhar em uma missão, quando o MI-6 está sob ataques que parecem direcionados pessoalmente à sua chefe M, James Bond busca investigar e resolver os ataques, mesmo sendo considerado "velho" por boa parte daqueles que o cercam.

Na minha opinião, um filme desses tem que ser avaliado de 2 maneiras: como filme, e como filme do 007. É uma "franquia" tão antiga, com características tão peculiares, que parte importante de saber se gostamos ou não do filme vem do "encaixe" que ele tem com a mitologia da série. Aviso também que vi o filme no avião, naquelas telinhas pequenas, parte dublado e parte em inglês sem legendas, e com um passageiro ao lado que ocupava pelo menos 20% do meu assento. Ou seja, é uma resenha mal-humorada :-)

O post é meu, eu ponho foto do Sean Connery aqui, oras.
Bom, seguindo com a lógica, vamos analisar o filme em si primeiro. Uma das novidades foi a colocação de um diretor famoso para dirigir o filme: Sam Mendes, de Beleza Americana. Isso tem vantagens e desvantagens, já que ele traz a perspectiva de um filme melhor, mas quer trazer consigo sua "assinatura cinematográfica". Não, ele não coloca o 007 em uma banheira de pétalas de rosa, mas um dos temas mais presentes em Beleza Americana, que é o conflito entre o "novo" e o "velho" - que já é comum nos filmes de Bond - está presente o tempo todo.

É, eu quis colocar essa também.
Mas vamos lá: o filme para mim é muito confuso, especialmente na primeira metade. Coisas acontecem sem que se entenda exatamente como, ele segue pistas que você não entende direito como conseguiu, e personagens passam sem que você saiba quais suas motivações ou mesmo porque estavam lá. Claro que as imagens, a fotografia, e especialmente a trilha sonora do filme são fantásticas (depois de muitos anos, finalmente um filme de James Bond com uma música de James Bond), mas para mim foi muita pirotecnia para pouco conteúdo. Mesmo pensando como um filme moderno de ação com um personagem qualquer, acho que falta não história, mas sim credibilidade nos acontecimentos e nas reações dos personagens. Daniel Craig entrega sua atuação padrão, e Javier Bardem esbarra um pouco no histrionismo, mas no final entrega bem como o vilão Silva, já que seu personagem é também um dos mais bem explorados e caracterizados do filme.


Já olhando como filme de James Bond, para mim a discussão é mais profunda: existe espaço hoje em dia para um filme "clássico" do 007? Vilões megalomaníacos que contam seus planos para um 007 amarrado à beira da morte já foram ridicularizados até onde podiam por décadas de filmes, especialmente na série Austin Powers. Roger Moore fugindo no estilo Pitfall ou Sean Connery usando uma cadeira-foguete seriam alvo de riso no cinema de hoje. Mas, principalmente, a figura do "agente secreto", o cara que sozinho estraga o plano dos vilões, essa é que parece cada vez mais irreal (inclusive o próprio filme toca bastante no assunto).



Neste filme, acho que Sam Mendes atingiu um meio-termo insatisfatório. Traz de volta alguns pontos clássicos dos filmes antigos, como Q, Moneypenny, e até o famoso Aston Martin. Mas tudo soa meio forçado. A personagem de Berenice Marlohe aparece e sai da história sem que se entenda como Bond chegou a ela ou quais eram suas motivações, apenas para ser a garota que ele pega durante o filme. Aliás, esse outro traço tradicional do 007, de sempre ter as mulheres aos seus pés, e trocar uma por outra sem constrangimento, já tinha sofrido um duro golpe na época da explosão da AIDS, e com os avanços na luta por igualdade feminina.



Além disso, o filme parece trocar as situações bizarras e esdrúxulas (mas encaixadas na história) dos filmes antigos por reviravoltas sem nenhum sentido, e soluções fáceis de roteiro disfarçadas de exóticas (o que é a cena dos dragões de Komodo?). É tanta coisa que acontece por acaso ou sem explicação que no meio do filme você já deixou de tentar entender e só vai seguindo...

(parágrafo com "spoilers" sobre o filme. Se você não viu, pule este parágrafo)

E o final? Bond resolve acabar com a briga e levar M para seu castelo, contrariando todas as ordens, inclusive dela mesma. Mallory descobre, acha que ele está criando uma pista falsa e diz que é uma ótima ideia, sem saber o que realmente se passa. Bond monta um arsenal de guerra para capturar ou matar Silva e salvar M. Após a invasão, depois de vários tiros e explosões, Bond mata Silva mas M morre em decorrência de ferimentos. Ou seja, Bond conseguiu garantir que o plano de Silva funcionasse! E ainda é bem recebido e ganha seu lugar de volta no MI-6, sob a liderança do mesmo Mallory que havia dito no meio do filme que ele era ultrapassado e um risco a quem estava em volta! Dá pra entender?

(fim do parágrafo de spoilers. Todos podem voltar a ler a partir daqui)

Minha resposta é: não, James Bond não pertence mais a essa época. Já abandonaram a classe do personagem (Daniel Craig, me desculpem, não está à altura), o humor fino e nonsense, o exagero "kitsch", e tudo que fazia do herói algo diferente. Os filmes continuam, claro, e vão continuar mais, já que vêm batendo recordes de bilheteria (Cassino Royale me pareceu até uma boa ideia de mostrar a origem de 007, mas não vi Quantum of Solace de tanta crítica ruim que li, e esse Skyfall, que vi por insistência de um amigo, me decepcionou profundamente), mas é uma série de ação e espionagem qualquer que faz sucesso. Não é mais 007.

Nota: 4,0

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985)


É responsabilidade demais falar sobre esse, que é um dos meus filmes preferidos, provavelmente o que assisti mais vezes na vida, e que foi mais importante na minha formação como criança/adolescente nerd do que a série Star Wars. Deve ser por isso que demorei tanto para falar dele. Mas, tudo alguma hora chega, então vamos lá.

Esse filme saiu quando eu tinha 8 anos, e como os outros todos que estão em sua frente no meu ranking são filmes que vi depois, durante um tempo foi meu filme favorito (só desbancado em 1989 - adivinhem - por De Volta para o Futuro Parte 2). Para mim, era (é?) o filme perfeito: comédia, ação, viagem no tempo, tiradas interessantes, momentos emocionantes, suspense.... tudo sem exagero, equilibrado, e conspirando para um filme empolgante.



Mas o que exatamente o faz tão interessante? Para mim, a história. Um garoto adolescente normal, como tantos outros (e com quem tantos podem se identificar, portanto), que tem uma namorada, uma banda (que não parece que vai fazer sucesso), e é amigo do cientista maluco local, em uma cidadezinha chamada Hill Valley. Um dia, no entanto, esse cientista o chama para ajudar a testar a invenção do século: uma máquina do tempo instalada em um carro. Algumas coisas saem errado e, quando vê, Marty está no ano de 1955, conhece seus pais quando adolescentes e acaba interferindo no início do namoro dos dois. Agora tem que desfazer o que fez para não ameaçar sua própria existência.

E é aqui que está a grande diferença do filme: a viagem no tempo (que eu adoro) é um meio e não um fim. O principal se passa em 1955, onde o choque cultural entre Marty e a geração anterior, aliado à sua incredulidade em aceitar que seus pais, tão conservadores, tinham sido adolescentes como ele (a cena em que ele, assustado, vê sua mãe com decote, bebendo e ainda é beijado por ela é fantástica - mas foi o que fez a Disney recusar o filme, pois uma mãe beijando seu filho seria algo inimaginável em seus filmes) traz situações muito interessantes, e uma vontade real de saber o que vai acontecer (como ele resolve o problema dos pais, e se consegue voltar para seu próprio tempo). Como qualquer filme que envolve viagem no tempo, tem alguns (poucos) furos de roteiro e paradoxos, mas nada que comprometa a qualidade geral.


As piadinhas e paralelos entre as duas épocas no filme também são sensacionais. O jeito que o valentão da cidade trata o pai de Marty no passado e no presente, o tio presidiário  que "adora ficar no cercadinho" no passado, e, claro, ele se empolgando ao tocar Johnny B. Goode na década de 50, e o guitarrista da banda ao telefone: "Chuck, aqui é seu primo Marvin Berry. Lembra aquele som que você estava procurando? que tal isso?". Absolutamente genial.


Aliás, a trilha sonora também merece destaque. Além da já citada Johnny B. Goode, o tema do filme (que, se toca no carro, me faz acelerar automaticamente para chegar a 88 milhas por hora), e as demais músicas de Huey Lewis compõem uma ótima trilha. Os atores também estão ótimos, Michael J. Fox praticamente "virou" Marty McFly por boa parte de sua carreira (e, por estar filmando a série Caras e Caretas na época, só podia fazer suas cenas à noite), e Christopher Lloyd também é um Doc Brown memorável.

Provavelmente não consegui transparecer aqui toda a minha empolgação com esse filme. Mas, como acredito que quase todo mundo já viu, acho que não preciso convencer ninguém a assisti-lo. É outro daqueles filmes que você pode até não gostar, mas nesse caso eu é que vou gostar um pouco menos de você :-)

Nota: 9,3 (9o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988)


Existiu uma época muito distante na qual toda uma geração de crianças tinha uma gama de opções infinitamente menor do que hoje para se distrair em casa. Não havia internet, poucos tinham videogame ou videocassete, e especialmente aqueles que moravam em apartamento e não eram muito de sair para brincar na rua (como eu) contavam com exatos 7 canais de TV para escolher quando sentavam à tarde, após a aula, na frente de seu televisor. Dentre essas opções, programas voltados à senhora dona de casa, Chaves (sim, já existia), outros programas em geral desinteressantes (desenho animado, só de manhã), e, por fim, aquela que era responsável por dar alguma variedade a essa rotina das tardes após a lição de casa: a Sessão da Tarde.

Lendas dizem que ela ainda existe, mas claro que sem um pingo da relevância que já teve. Para essa geração de crianças, a Sessão da Tarde era o principal contato com a gama de filmes que o cinema nos apresentava a cada ano (em geral, uns 3 ou 4 anos depois, mas isso não vem ao caso). Verdadeiros clássicos da sétima arte dublada, como Curtindo a Vida Adoidado, Bingo - Esperto pra Cachorro, Remo - Desarmado e Perigoso, Loucademia de Polícia e tantos outros viraram verdadeiros ícones dessa geração sendo repetidos exaustivamente nas tardes da TV, logo após o Vale a Pena Ver de Novo (sim, algumas coisas nunca mudam).

O Grande Dragão Branco (que tradução, hein?) era outro desses ícones da TV do final dos anos 80. Com um Jean-Claude Van Damme recém alçado ao "estrelato" por Retroceder Nunca, Render-se Jamais (que por sua vez, passava nas noites da Bandeirantes), o filme conta a história "baseada em fatos reais" de Frank Dux, militar americano treinado em artes marciais desde sua infância (por um daqueles velhinhos japoneses mais clichês impossível), que resolve disputar (e vencer) o "Kumite", campeonato ilegal de artes marciais variadas disputado no oriente (não existia ainda o MMA), conhecido por não ter regras e por sua violência exagerada, tendo causado inclusive algumas mortes em sua história.

(aqui cabe um parêntese para falar sobre duas das maiores instituições dos filmes na TV dos anos 80. A primeira era o "baseado em fatos reais", o que no caso desse filme significa provavelmente que existiu um Frank Dux, que era um militar americano e..., bem, tinha dois olhos e uma boca. Esse era um expediente muito utilizado naqueles dramalhões do Supercine, por exemplo, para dar alguma "credibilidade" à choradeira que você via em cena. A segunda, o "pela primeira vez na televisão", utilizado especialmente pelo SBT para aqueles filmes que você já tinha cansado de ver. Silvão Santos chegou ao cúmulo de mudar o nome de um filme só para poder continuar dizendo que era inédito)



Era o "auge" dos filmes de artes marciais. Depois da morte de Bruce Lee nos anos 70, os filmes de luta acabaram migrando para o modelo do "super-soldado" que acaba sozinho com todo um exército inimigo (filmes do Stallone, Schwarzennegger, Chuck Norris e outros). Com o relativo esgotamento desse modelo, e com o surgimento de um tipo diferente de "atores", como Van Damme, e mais tarde Steven Seagal, o foco dos filmes voltou a ser a luta corporal (chegando ao extremo com Karate Kid...), e filmes de "torneios de artes marciais" surgiram às toneladas (seguido de jogos, como Street Fighter e Mortal Kombat, que por sua vez acabaram também virando filmes...).

Não vou ousar dizer que o filme é ótimo. Não, não é. Mas é divertido, especialmente se você entra no clima. Van Damme está canastrão ao extremo. As situações são bizarras. Mesmo as cenas de luta são inverossímeis. O vilão é extramente caricato (mas muito divertido, suas expressões são ótimas). Aliás, uma das cenas mais emblemáticas do filme é quando, para provar que é mesmo discípulo de seu mestre, Frank Dux desfere um (impossível) golpe que quebra (ou melhor, explode) apenas o tijolo de baixo de uma pilha de uns cinco. Todos ficam impressionados, menos o vilão (claro), que solta a frase que virou clássico: "Tudo bem, mas...

...TIJOLO NÃO REVIDA!!!!"

E depois, a tradicional quase morte do grande amigo do herói nas mãos do vilão, seguida de ameaças, trapaças e da também obrigatória vitória redentora do herói ao final. Tudo regado a várias repetições do movimento registrado de Van Damme: a abertura de pernas (espacate), até na cozinha pra não encostar no chão, que está eletrificado (ou pode ser que isso seja em outro filme e eu me confundi. São todos iguais...)

Nada como um alongamento leve a 300m de altura

Não sei se tenho muito mais o que dizer. Se você tem mais de 30 anos, provavelmente assistiu. Se não tem, talvez nem se interesse agora. Mas o fato é que era muito divertido, especialmente inserido na cultura da época. Por vezes fico pensando o que será dessa geração que tem centenas de canais, além de TV on demand, youtube, etc.... Precisamos também das coisas ruins para formar nosso caráter, oras!

Nota: 5,0

PS: Se você ficou curioso de ver ou rever o filme, mas não tem mais tempo de assistir Sessão da Tarde, seus problemas acabaram! O filme está disponível na íntegra no youtube, e (YEAH!) com a dublagem tosca original. Pegue sua pipoca, sente em frente ao seu computador e aproveite:




terça-feira, 31 de julho de 2012

Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)


Com a abertura das Olimpíadas nessa sexta, pensei em escrever um post comemorativo comentando algum filme relacionado ao evento. Acabei percebendo que nunca vi nenhum. O mais perto que eu tenho de esportes olímpicos é Rocky, Um Lutador. Depois de colocar Carruagens de Fogo e Jamaica Abaixo de Zero na lista de filmes a assistir, pensei então em escrever um post referente à outra coisa que aconteceu nessa sexta-feira: a estreia nos cinemas de O Cavaleiro das Trevas Ressurge, terceiro filme da trilogia de Christopher Nolan que resgatou o personagem (que tinha sofrido com maus filmes, especialmente Batman Eternamente e Batman e Robin, de Joel Schumacher) de maneira brilhante. Ainda não vi o terceiro filme, mas isso deve ser resolvido rapidamente, e pretendo falar dele aqui em breve.

A lógica seria eu falar inicialmente de Batman Begins, mas O Cavaleiro das Trevas é um filme do qual eu gostei tanto que resolvi partir direto para ele. Como já disse antes, é um dos poucos filmes (senão o único) que para mim transcendeu o status de "um excelente filme de super herói" para "um excelente filme". Isso principalmente pela decisão (muito bem executada) de criar um filme hiper-realista. Claro que é complicado imaginar que um cara, para se vingar dos bandidos, inspire-se nos morcegos e gaste uma fortuna, treine a vida inteira, e se torne quase indestrutível no combate ao crime. Mas o filme é montado de tal maneira que isso passa a ser quase crível. A tal "suspensão de descrença", na qual se constrói um universo de tal modo internamente coerente, que você acredita na história, por mais que não seja possível no nosso mundo.

O fato de ser o Batman ajuda muito nesse sentido. Dentre os herois mais famosos, ele é o que tem a história mais "plausível". Claro que não foi isso que vimos, tanto na famosa e mega cafona série de TV dos anos 60 e mesmo nos filmes anteriores, de Tim Burton e especialmente de Joel Schumacher. Na época do Tim Burton, o clima ainda era um pouco mais dark, embora com um pouco de fantasia (e na época do Joel Schumacher, virou palhaçada mesmo). Já com Christopher Nolan, a palavra chave é realismo, desde Batman Begins.

A famosa origem do Batman (milionário que tem os pais mortos quando criança e dedica a vida a combater o crime) é recontada de maneira um pouco mais "pé no chão". A capa, a máscara, a bat-caverna, tudo ganha uma explicação "real", ou pelo menos uma razão para existirem no mundo real. O bat-móvel, por exemplo, é um protótipo de carro de combate, algo sendo desenvolvido nas indústrias de Bruce Wayne para o exército.


Agora, tudo podia ser a coisa mais real do mundo se o filme não fosse bom. E ele é ótimo. Apesar de ser uma continuação, a história é basicamente independente, e funciona muito bem. Livre de contar a origem do personagem, Nolan pode focar na história e nos personagens. Christian Bale já está mais à vontade no papel, e a lista de coadjuvantes do filme é extremamente respeitável: Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Aaron Eckhart em ótimos papéis. Um roteiro cativante, muito bem estruturado, que explora a reação das pessoas a situações extremas, e a dualidade entre bem e mal. Mas o destaque do filme, obviamente, é o Coringa de Heath Ledger. Em uma encarnação assustadora de um personagem com uma origem bastante doentia nos gibis, mas que nas telas tinha apenas as referências de Jack Nicholson (no filme) e Cesar Romero (na TV). E não é uma questão de sobrevalorizar um ator que faleceu. Seu papel é muito envolvente, bem realizado, e chega a deixar alguma dúvida se não contribuiu para o momento perturbado pelo qual o ator passou em seguida.


Independente de qualquer coisa, seu papel é impressionante, contribuindo demais para a qualidade do filme. Claro que não é apenas isso, mas dentro do clima realista do filme, é outro dos fatores que poderia soar exagerado, mas acaba sendo bastante crível. Claro que é difícil imaginar um maluco todo retalhado e maquiado gerando caos pela cidade, mas a interpretação de Ledger associada a algumas escolhas de roteiro (como por exemplo não tentar explicar sua origem) acertam em cheio em gerar a tal "suspensão da descrença" tão necessária para a credibilidade do filme. E ajuda a tornar o filme muito divertido.

Em resumo, o filme não só quebrou o estigma de filmes de heróis, como também acabou sendo um grande sucesso, sendo indicado e recebendo Oscars e sendo reconhecido como um dos melhores filmes de 2008. Eu, pelo menos, adorei. E talvez o maior defeito do filme (além de ter trocado a Katie Holmes de Batman Begins pela feiosa e sem graça Maggie Gyllenhaal) tenha sido criar uma enorme expectativa para a conclusão da trilogia. Quero só ver se o terceiro filme vai manter o nível dos 2 primeiros. Saberei amanhã...

Nota: 9,35 (8o colocado na minha lista de filmes favoritos)

PS: Claro que eu não poderia deixar de citar o "fan-film" mais famoso do Batman (ou quase isso). Ainda nos tempos pré-internet, um grupo de amigos com um microfone, um vídeocassete e muito tempo livre geraram o primeiro clássico do youtube: Batman na Feira da Fruta. Você já deve ter visto, mas por via das dúvidas, segue. É toscamente engraçado demais:


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Oldboy (2003)

Na década de 2000, ganhou bastante destaque um "novo" modelo de cinema oriental, menos contemplativo e filosófico, como os filmes mais clássicos, e principalmente voltados para o suspense e terror. Filmes como O Chamado de certa maneira revolucionaram esse gênero de filmes, com uma abordagem diferente do suspense, muito menos reveladora, e portanto mais assustadora. Os filmes desse sub-gênero oriental geralmente lidam com medos mais primordiais, psicológicos, em que o terror normalmente não têm uma razão ou uma explicação específica.

Oldboy não chega a ser um filme de terror, muito pelo contrário. Está mais para um thriller psicológico muito bem construído, com aquele estilo de não explicar muita coisa e deixar você entender aos poucos: um homem é aprisionado em um quarto por 15 anos, sem razão aparente, e deixado sem contato com o mundo externo, exceto por uma televisão, através da qual descobre que sua mulher foi assassinada e sua filha, dada para adoção. Um certo dia, é libertado sem explicações, e recebe dinheiro, celular, e uma mensagem de que deve descobrir porque foi preso em 5 dias. Muito perturbado (compreensivelmente), ao mesmo tempo que tenta se readaptar à sociedade, faz todos os esforços para descobrir quem são seus captores e qual a razão de sua prisão.

Até aí, nada de extraordinário. Uma boa história, mas não chega a ser revolucionária. Aí entra a diferença de estilos de cinema (e o meu medo quando li que está em pré-produção um remake americano): o filme deixa muito mais para o espectador concluir, especular, e, embora o final seja bem definido, não é explicadinho e detalhado "for dummies" como a gente vê tanto. Além disso, é muito mais duro e cruel do que se fosse produzido em Hollywood (duvido que mantenham o final, por exemplo). A fotografia do filme também é toda diferente, aí sim mais contemplativa, mas também mais "crua", direta, incluindo um take fantástico que imita um videogame "side scrolling", onde o personagem principal vai percorrendo um corredor e brigando contra seus inimigos.


Aliás, o próprio personagem principal se parece muito pouco com um "herói" do filme: violento, perturbado e com uma aparência quase assustadora. Esse lado psicológico de mostrar o que se passa em sua mente é uma das principais virtudes do filme. Em vários momentos (e especialmente no fim, muito tenso e interessante), é como se você estivesse dentro de sua cabeça, e de maneira muito sutil, sem soluções fáceis como flashbacks ou narrações em off.

Sugiro muito assistir. É parte de uma "trilogia", mais temática do que de história, junto com "Mr. Vingança" e "Lady Vingança", os quais não vi ainda, mas esse, que acabou fazendo mais sucesso por aqui, é obrigatório. Só não entregue o final para quem não viu ainda... isso é maldade, tanto no cinema americano, coreano, ou de qualquer parte do mundo.

Nota: 8,9 (20o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os Vingadores (The Avengers, 2012)

É a primeira vez que posto aqui sobre um filme que acabei de assistir, então provavelmente esse deve ser um post um pouco diferente, mais "no calor do momento", do que os demais, que se referem a filmes que já assisti há alguns anos, e portanto já tenho uma opinião mais sedimentada. Vamos ver no que dá.

Isso posto, vamos lá: primeiro, gostei do filme. Provavelmente não tanto quanto os fãs de quadrinhos de de filmes de super-heróis em geral, e provavelmente mais do que o espectador médio de cinema (mais do que a Chris, com certeza eu gostei. Já vi que vou ter que pagar essa ida com uns 2 iranianos e um Almodóvar...). Não é meu filme de heróis preferido, nem de longe, mas tem suas qualidades e é bem divertido.



O cinema, obviamente, é uma mídia muito diferente das histórias em quadrinhos, e mesmo da animação. Por serem imagens e não desenhos, acho que instintivamente esperamos algo mais real, e nem tudo o que funciona em quadrinhos vai funcionar no cinema. Assim, a meu ver, um filme de heróis pode funcionar de 2 jeitos:

- Tentando ser ultrarealista: os filmes do Batman do Christopher Nolan são o exemplo clássico, facilitado pelo fato de que o Batman é um herói mais realista, que não tem superpoderes vindo do nada, e portanto se tornando muito mais "acreditável".

- Estabelecendo um universo onde aquelas coisas podem acontecer: é o caso de Os Vingadores. Não existe uma maneira realista de introduzir um personagem que fica indestrutível devido à exposição a raios gama, ou outro que é basicamente um semi-deus vindo de outra galáxia. Nesse caso, o filme em geral é tão melhor quanto mais conseguir convencer sua audiência da credibilidade desse universo.

O filme consegue bem esse objetivo. Com alguns poucos deslizes (como o começo meio arrastado), detalhes como a dificuldade de entendimento entre os herois e as diferenças de opinião entre eles (o sarcasmo do Homem de Ferro vs. o patriotismo do Capitão América, por exemplo) são bem introduzidos, inclusive desempenhando papel importante no enredo. O humor também é bem diferente do usual, quebrando os momentos de tensão e escalando até a impagável cena de luta entre o vilão Loki e o Hulk (que passa quase o filme todo sendo tratado com medo por todos, como uma força incontrolável, e a partir de um certo momento vira alívio cômico. Estranho).

As cenas de ação, claro, são muito bem feitas. Assisti ao filme em 3D e não me arrependi, chegando a "desviar" das flechas do Gavião Arqueiro em alguns momentos. O ritmo, especialmente na meia hora final, é frenético, mas sem aquela tontura de filmes que exageram na ação. Outro ponto positivo é o equilíbrio entre os personagens, sem que os mais "estrelas", como Homem de Ferro e Hulk, ganhem destaque excessivo.

As atuações são legais, dado o tipo de filme. Robert Downey Jr. nasceu para ser o Tony Stark (outro da escola Jack Nicholson de atuação - faça o papel de você mesmo. Aliás, assim como Samuel L. Jackson, que sempre faz o papel de Samuel L. Jackson, e sempre manda bem), Mark Ruffalo também consegue passar bem a aflição de um homem que sabe o perigo que é. Os demais estão ok, com destaque para Tom Hiddleston, muito bem como Loki, e para Scarlett Johansson, porque afinal ela sempre é o destaque onde quer que esteja.

Que atuação!
Não assisti à maioria dos "filmes que deram origem à série. Assisti ao primeiro Homem de Ferro, e gostei bastante, mas Thor, Capitão América, Hulk não. Portanto, acho muito legal a iniciativa da Marvel de juntar todas essas histórias e dar um direcionamento a elas em Os Vingadores, mas não posso falar sobre isso. Analisando esse filme isoladamente, é um filme interessante e divertido, que consegue passar uma certa credibilidade, mas não como O Cavaleiro das Trevas, que para mim rompeu a barreira e pode ser considerado um excelente filme, e não um "excelente filme de super-herói". Mas, claro, vale o ingresso, e obviamente a série não vai parar por aqui.

É isso, em resumo gostei do filme e sugiro fortemente, especialmente se você é fã do gênero. Tentei falar menos sobre a história dessa vez, já que muitos não devem ter visto ainda. Digam aqui embaixo o que acharam...

Nota: 7,5

sábado, 31 de março de 2012

RoboCop (1987)

Mais um da série "anos 80". Depois de muitos anos, assisti esse filme de novo (no Telecine Cult, veja você). Ao contrário de Quanto Mais Idiota Melhor, não fiquei revoltado e nem achei que era um lixo, baseado na Regra dos 15 Anos. O que mais me impressionou, mais uma vez, foi como a estética dos anos 80 era muito marcante e muito diferente da atual, em vários aspectos (e não apenas nos cabelos e roupas, como salta aos olhos no primeiro momento).

Antes disso, a história do filme: um policial é "morto" em ação e utilizado para um projeto piloto, onde parte de seu corpo é fundido com partes robóticas para criar o policial ideal. Porém, aos poucos a consciência dele vai voltando e o projeto vai começando a dar errado.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o conceito de "alta tecnologia" da época. Talvez influenciado pela megalomania da "Guerra nas Estrelas" da época da Guerra Fria, nesse filme (e em outros da época) a tecnologia significa robôs, muitas luzes, e grandes sistemas interligados cuja função é controle e opressão. Claro que querer que eles tivessem previsto a internet é demais, mas é curioso entender o pensamento da década quanto à tecnologia e sua função.

Outro ponto interessante é a violência. Esse filme é um exemplo clássico disso... a cena do policial Murphy sendo "morto" tem mão explodindo, sangue pra todo lado, e sadismo extremo do vilão do filme e líder da quadrilha (o mesmo ator que faz o pai do Eric Forman no That 70s Show, por sinal). A cena do RoboCop se vingando da quadrilha então, tem gente derretendo, explodindo, morrendo de tudo que é jeito. Um filme desses hoje seria censura para maiores de 18 anos, fácil, fácil. E na época não só era assistido por menores como ainda tinha uma linha de brinquedos.






E a heroína do filme então? Uma garota até bonitinha, mas normal, meio baixinha e gordinha... Hoje em dia a atriz principal não seria nada menos que uma Charlize Theron, ou Megan Fox, sei lá,e provavelmente cheia de efeitos visuais em cima ainda... É como aquelas cenas antigas dos Trapalhões, em que as mulheres bonitas eram bem diferentes das de hoje...

Hoje ela seria no máximo a vizinha engraçada.

De todo jeito, foi divertido assistir de novo. O filme é longe de ser fantástico, mas é razoavelmente divertido, e ainda serve como estudo sociológico da "década perdida". E passa no Telecine Cult, quem diria...

Nota: 8,0 (minha nota sempre se refere à primeira vez que assisti)

PS: Não tem muito a ver com o filme, mas sempre é divertido lembrar: