segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, 2005)


Depois de ter escrito os textos sobre Star Wars e O Império Contra Ataca, o normal aqui seria eu estar escrevendo agora sobre O Retorno de Jedi. No entanto, após uma conversa no Facebook, percebi que, por ter visto A Vingança dos Sith apenas uma vez, no cinema, com todo o frenesi de "finalmente veremos o surgimento de Darth Vader", não tinha uma visão clara dele como filme, apenas como preâmbulo da trilogia clássica que tanto gosto. Sendo assim, resolvi assistir ao filme novamente, 8 anos depois, e, claro, escrever sobre ele aqui no blog.



Mas para falar sobre ele, é necessário situar um pouco a história. A tal "nova trilogia", iniciada por A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones (filmes sobre os quais eu provavelmente não vou escrever posts aqui), conta a história de Anakin Skywalker, aquele que viria a se tornar o famoso vilão Darth Vader. No primeiro, ele é uma criança, filho de uma escrava, encontrado quase por acaso por 2 cavaleiros Jedi em um planeta remoto. Eles percebem seu potencial e resolvem levá-lo para ser treinado. No segundo, ele já está adulto, e observa de maneira próxima uma crise na república, ao mesmo tempo que tenta lutar com seus próprios demônios. Dados os mais de 15 anos entre o final da trilogia clássica e o lançamento da nova, a expectativa era muito grande e o sucesso de público foi enorme, mas não há como negar que os filmes são ruins, com uma história confusa e inverossímil. No entanto, no ano de 2005 seria lançado aquele filme que finalmente fecharia o ciclo, mostrando finalmente o início de uma das histórias mais cultuadas do cinema moderno.

Eu fui ao cinema e adorei. Claro que estava longe de ser perfeito, e mesmo de ser tão bom quanto os clássicos, mas o lento declínio de Anakin (Hayden Christensen, um péssimo ator) para o lado negro, sua transformação em Sith, a tão aguardada luta entre ele e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), o nascimento de Luke e Leia, a morte de Padmé Amidala (Natalie Portman) eram acontecimentos tão importantes e aguardados dentro da mitologia da série que o fato de finalmente poder vê-los mais do que compensava os "pequenos" deslizes cometidos por George Lucas (notoriamente um diretor fraco) em seus 3 filmes. Uma nota 8,0 e um bom lugar na minha lista de filmes e mesmo na cronologia da saga foram as conclusões a que cheguei na época.



Até semana passada.

Na tal conversa de Facebook a que me referi, eu defendia que o filme não era grande coisa, mas que completava bem a história, fechando de maneira satisfatória os pontos em aberto, enquanto o Fábio Vanzo dizia que não, como se fosse Yoda me dizendo que "The dark side clouds everything" (ele não disse bem isso, claro, mas foi essa a mensagem). Percebi que só poderia ter certeza vendo novamente o filme, mas dessa vez em uma posição mais isenta, analisando-o como história e não como peça arqueológica de um universo de que gosto tanto.

E, amigos, lhes digo: o filme é horrível.



A história é simplista, os personagens rasos e contraditórios ao extremo, os diálogos mal escritos e constrangedores, e até por isso, as atuações, mesmo dos atores mais consagrados, são risíveis. A edição é primária, não conseguindo construir um ritmo decente e quebrando demais a história (sério, parece novela mexicana: uma cena canastrona, um cenário, uma cena canastrona...). 

Os acontecimentos que levam Anakin de vez ao lado negro não fazem nenhum sentido, e suas reações ao que acontece à sua volta e às tentativas de manipulação que sofre dos demais personagens são incompreensíveis. A motivação de sua mudança (as visões que tem de Padmé morrendo e a sua vontade de impedir esse destino) não é nem de longe forte o suficiente para que ele faça as coisas que faz no segundo ato, e sua reação após descobrir (uns 5 minutos depois) que não conseguiu impedir sua morte é a de um homem fraco e não de um líder, destruindo totalmente a imagem de vilão mega-blaster-motherfucker da trilogia original. Contribui também para isso um ator que não consegue passar nenhuma credibilidade, não tem expressões faciais e tem sempre o mesmo semblante (embora tenha que ser dito que nem mesmo Marlon Blando teria conseguido coisa muito melhor com o texto que lhe foi dado). A direção e o roteiro de Lucas são praticamente infantis, sem nenhuma profundidade.

O que me levou à óbvia pergunta seguinte: então por que eu saí do cinema, em uma noite de Maio de 2005, achando que tinha visto um bom filme? até que ponto a minha ligação emocional com a história e a vontade que eu tinha de que o filme fosse bom me fizeram realmente acreditar nisso? Não sei se saberia explicar, mas o fato é que, sob algumas circunstâncias, parece que nosso senso crítico é desligado, como se nosso cérebro não quisesse lidar com uma verdade que desejamos ardentemente que não seja.



E isso não acontece o tempo todo? A tal dissonância cognitiva, que leva as pessoas a supervalorizarem o que concorda com suas opiniões ou vontades, e desprezarem tudo que vai contra elas? Em religião, futebol, política, cinema, ou até mesmo em nosso convívio diário, vemos a verdade ou apenas o que queremos ver? Ou essa minha filosofia toda é só de novo um jeito de tentar algo de positivo de uma experiência decepcionante, da qual eu tinha ma imagem muito melhor? :-)

Em resumo, não sei se prefiro agora, ou se era melhor eu ter ficado com a imagem positiva que tinha até então. Ainda acho que algumas poucas coisas se salvam: a trilha sonora de John Williams, o "nascimento" de um ícone pop como Darth Vader, e até mesmo a fotografia e o visual de algumas cenas, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan. Mas é pouco, muito pouco. Nem falei muito dos demais aspectos do filme, da atuação de Samuel L. Jackson (um ator de que gosto muito), de toda a computação gráfica (que é até bem feita, mas acaba parecendo mais uma máscara para disfarçar a falta de conteúdo), e outros, para não aumentar ainda mais minha decepção com o filme.

Só espero que ver o Episódio VII (previsto para 2015), não me faça olhar para esse e pensar "é, até que não era tão ruim". Nesse caso, fãs ao redor do mundo vão acabar imitando uma das piores mortes da história do cinema, a de Padmé, simplesmente "perdendo a vontade de viver"...

Nota: 4,0


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