Simples assim. Comentários sobre filmes que já vi, bons ou ruins, recentes ou antigos. Um jeito de falar sobre cinema sem necessariamente ter alguém pra me ouvir.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
De Volta para o Futuro Parte II (Back to the Future Part II, 1989)
Hoje, dia 21 de outubro de 2014, estamos a exatamente um ano do dia em que Marty McFly (acompanhado do Doc Brown e de sua namorada) chega no "futuro" para tentar salvar seu filho da prisão por um assalto. Sim, aquele futuro "distante", com carros voadores, hoverboards, e hologramas de tubarão está a apenas 12 meses de se tornar realidade. Será?
Mas, por mais que todos estejamos ansiosos com a possibilidade de andar de skate sem rodinhas, o que eu queria mesmo era aproveitar essa "comemoração" e falar do segundo filme da melhor trilogia que o cinema já viu, um dos poucos filmes "do meio" que supera os demais (de cabeça, lembro também de O Império Contra-Ataca). E um dos meus favoritos de todos os tempos.
Para mim, o filme é uma aula de "como fazer uma continuação". Repete o que deu certo no primeiro (mas sem exageros, como Se Beber, Não Case ou até alguns episódios da série Rocky) e constrói algo maior em cima disso. Agora que o espectador já entendeu as "regras" da viagem no tempo neste universo, roteirista e diretor as subvertem, escalando os problemas e transformando o filme em um vai e volta temporal que beira o caos, incluindo realidades alternativas, encontros entre diferentes versões do mesmo personagem, e até uma volta a 1955, onde tudo começou.
O principal fator de sucesso do filme é Robert Zemeckis. O interessante é que, segundo ele, não havia intenção de fazer uma continuação, e o final do primeiro filme indo para o futuro era apenas uma piada. No entanto, ao assumir o "desafio", ele soube ao mesmo tempo construir uma história interessante, com vários paralelos com o roteiro do primeiro filme, e fugiu da armadilha de "prever" o futuro criando uma 2015 caricata, estereotipada e muito divertida, sem relação nenhuma com a realidade.
Essa 2015 do filme foi um deleite para as crianças nerds da década de 80: hologramas, veículos voadores, aparelhos gigantes de TV com vários canais simultâneos, e até um óculos de informação pessoal que lembra bem o Google Glass. Mas, claro, o filme é muito mais do que isso. A história, como comentei, potencializa o efeito "fazer besteira no passado afeta o futuro": ao ir para 2015 evitar que seu filho seja preso, Marty McFly sem querer possibilita ao velho Biff encontrar seu eu do passado e entregar para ele um almanaque de resultados esportivos, possibilitando que ele fique milionário e domine Hill Valley. Para evitar que isso aconteça, ele e Doc Brown devem voltar à mesma noite de 1955 e evitar que o jovem Biff receba o almanaque, restaurando assim a 1985 original.
Com isso, novamente, apesar do "futuro" no nome, boa parte do filme se passa em 1955, dando ao espectador a chance de entender e até rever sob outra perspectiva alguns dos acontecimentos do primeiro filme, especialmente o Baile do Encanto Submarino, onde Marty havia conseguido reunir seus pais e garantir sua existência.
No mais, atuação, trilha sonora, tudo se mantém ou evolui em relação ao primeiro filme. No entanto, o roteiro mais intrincado, as piadas recorrentes e o tal "to be concluded..." no final (chamando para o inferior, porém ainda sensacional terceiro filme) fazem com que esse seja um pouco superior ao primeiro (algo muito difícil, diga-se). Agora é esperar um ano e ver se Marty McFly aparece com o DeLorean nos céus...
Nota: 9,8 (2o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
(Link para o texto sobre o primeiro filme aqui)
sábado, 27 de abril de 2013
Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie's, 1989)
Já que o blog vinha meio morto nos últimos tempos, nada como pegá-lo pelo cabelo e pela jaqueta e tentar fazer com que os leitores pelo menos achem que ele está vivo....
Essa é a premissa (original, por que não?) de Um Morto Muito Louco. Típico filme de humor nonsense dos anos 80, figurinha carimbada da Sessão das Dez do SBT, conta a história de dois jovens que descobrem um desvio milionário na empresa em que trabalham, e vão mostrar a descoberta ao presidente da companhia, esperando serem recompensados. Ele os convida para passar o fim de semana em sua casa de praia "para discutirem melhor", mas na verdade quer matá-los, já que ele é o responsável pelo desvio. Ao chegarem na casa de praia, no entanto, eles o encontram morto pela máfia, descobrem seu plano, e resolvem fingir que ele está vivo, já que ouvem uma gravação telefônica em que Bernie (o chefe) diz para o que o matador não os execute enquanto estiverem com ele.
A partir daí, se torna uma comédia "nonsense" bem típica dos anos 80. Um dos rapazes, Larry (Andrew McCarthy, um dos atores que fez milhares de filmes na época, incluindo o cultuado O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, e depois sumiu), mulherengo, quer aproveitar toda a "infraestrutura" do morto - casa, barco, praia - para se dar bem com as garotas locais, enquanto o outro, Richard (Jonathan Silverman), o mais certinho, só concorda com a ideia porque descobre que pode ter alguma chance com a garota de seus sonhos.
Como eu dizia, as comédias da época em geral se baseavam em mulheres e humor gaiato. Filmes como Curso de Verão, Porky´s, Loucademia de Polícia, com premissas simples de roteiro, e piadas pouco elaboradas e honestas, fizeram muito sucesso passando na TV brasileira. Era quase obrigatório um filme do tipo na Sessão da Tarde, Supercine ou Sessão das Dez (aquela de domingo à noite no SBT, que depois de passar, o filme repetia), e com isso vários desses filmes ficaram famosos aqui no Brasil (tenho uma teoria que Curtindo a Vida Adoidado passou tanto aqui que os brasileiros conhecem mais o filme que os americanos).
Um Morto Muito Louco segue um pouco esse estilo Trapalhões de humor. Eu achava que tinha até mais putaria, peitos de fora, como era comum na época, mas assisti de novo recentemente e o filme é até bem-comportado nesse sentido. No mais, continua divertido: os roteiristas exploram ao máximo a premissa inicial (bom, nem tanto, já que fizeram um Um Morto Muito Louco 2), chegando a situações absurdas (a cena da lancha é muito boa), mas se mantendo engraçado.
Uma outra coisa que vale destacar é a atuação de Terry Kiser, o Bernie, que apesar de só ter ação e falas durante uns 20 minutos, depois claramente rouba a cena no papel do morto. Além de quase "convencer" no papel, tem horas que dá pra ver que o cara está se divertindo, embora não "entregue" que está vivo em nenhum momento. Nunca o vi em nenhum outro filme, então não deve ser de fato um excelente ator, mas manda bem aqui.
Em resumo: o filme até que passa bem pela "Regra dos 15 anos", que postula que se você viu um filme antes do 15, não deveria ver de novo, e sim guardar a memória que tem dele, sob pena de se decepcionar. Até dei umas risadas, e gostei de rever, embora não ache que teria coragem de ver o 2. Me lembro de tempos mais simples, em que algumas situações idiotas e uma ideia boa eram suficientes para me entreter durante um filme.
Nota: 7,0
PS: Não tem tanto assim a ver com o filme (na verdade, é mais baseado no 2), mas eu não podia deixar de citar, mais uma vez, um funk feito com base no filme, assim como fiz em O Senhor dos Aneis. Com vocês, Um Morto Muito Louco, o funk:
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985)
É responsabilidade demais falar sobre esse, que é um dos meus filmes preferidos, provavelmente o que assisti mais vezes na vida, e que foi mais importante na minha formação como criança/adolescente nerd do que a série Star Wars. Deve ser por isso que demorei tanto para falar dele. Mas, tudo alguma hora chega, então vamos lá.
Esse filme saiu quando eu tinha 8 anos, e como os outros todos que estão em sua frente no meu ranking são filmes que vi depois, durante um tempo foi meu filme favorito (só desbancado em 1989 - adivinhem - por De Volta para o Futuro Parte 2). Para mim, era (é?) o filme perfeito: comédia, ação, viagem no tempo, tiradas interessantes, momentos emocionantes, suspense.... tudo sem exagero, equilibrado, e conspirando para um filme empolgante.
Mas o que exatamente o faz tão interessante? Para mim, a história. Um garoto adolescente normal, como tantos outros (e com quem tantos podem se identificar, portanto), que tem uma namorada, uma banda (que não parece que vai fazer sucesso), e é amigo do cientista maluco local, em uma cidadezinha chamada Hill Valley. Um dia, no entanto, esse cientista o chama para ajudar a testar a invenção do século: uma máquina do tempo instalada em um carro. Algumas coisas saem errado e, quando vê, Marty está no ano de 1955, conhece seus pais quando adolescentes e acaba interferindo no início do namoro dos dois. Agora tem que desfazer o que fez para não ameaçar sua própria existência.
E é aqui que está a grande diferença do filme: a viagem no tempo (que eu adoro) é um meio e não um fim. O principal se passa em 1955, onde o choque cultural entre Marty e a geração anterior, aliado à sua incredulidade em aceitar que seus pais, tão conservadores, tinham sido adolescentes como ele (a cena em que ele, assustado, vê sua mãe com decote, bebendo e ainda é beijado por ela é fantástica - mas foi o que fez a Disney recusar o filme, pois uma mãe beijando seu filho seria algo inimaginável em seus filmes) traz situações muito interessantes, e uma vontade real de saber o que vai acontecer (como ele resolve o problema dos pais, e se consegue voltar para seu próprio tempo). Como qualquer filme que envolve viagem no tempo, tem alguns (poucos) furos de roteiro e paradoxos, mas nada que comprometa a qualidade geral.
As piadinhas e paralelos entre as duas épocas no filme também são sensacionais. O jeito que o valentão da cidade trata o pai de Marty no passado e no presente, o tio presidiário que "adora ficar no cercadinho" no passado, e, claro, ele se empolgando ao tocar Johnny B. Goode na década de 50, e o guitarrista da banda ao telefone: "Chuck, aqui é seu primo Marvin Berry. Lembra aquele som que você estava procurando? que tal isso?". Absolutamente genial.
Aliás, a trilha sonora também merece destaque. Além da já citada Johnny B. Goode, o tema do filme (que, se toca no carro, me faz acelerar automaticamente para chegar a 88 milhas por hora), e as demais músicas de Huey Lewis compõem uma ótima trilha. Os atores também estão ótimos, Michael J. Fox praticamente "virou" Marty McFly por boa parte de sua carreira (e, por estar filmando a série Caras e Caretas na época, só podia fazer suas cenas à noite), e Christopher Lloyd também é um Doc Brown memorável.
Provavelmente não consegui transparecer aqui toda a minha empolgação com esse filme. Mas, como acredito que quase todo mundo já viu, acho que não preciso convencer ninguém a assisti-lo. É outro daqueles filmes que você pode até não gostar, mas nesse caso eu é que vou gostar um pouco menos de você :-)
Nota: 9,3 (9o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
domingo, 14 de outubro de 2012
O Império Contra-Ataca (The Empire Strikes Back, 1980)
A piada seria melhor se fosse O Retorno de Jedi, mas resolvi continuar a série Star Wars com O Império Contra-Ataca depois de bastante tempo sem postar aqui no blog de filmes. E como eu adoro a série, e especialmente esse filme, não será difícil retomar a produção aqui.
Sequências de filmes, e trilogias, são um fenômeno relativamente recente na história do cinema. Segundo pesquisei, a primeira sequência registrada foi Fall of a Nation, de 1916, sequência direta do controverso Birth of a Nation, de 1915. Após isso, são poucos registros até 1974, quando O Poderoso Chefão 2 se tornou a primeira continuação a vencer o Oscar de Melhor Filme. Trilogias são ainda mais raras nos primeiros anos do cinema: há registro de 3 livros da série Frankenstein, que contavam um mesmo arco de história, sendo adaptados para o cinema na década de 30. No entanto, a primeira trilogia de sucesso foi mesmo Star Wars. Outra inovação de George Lucas no cinema, goste ou não.
Assim, trilogias passam a ser cada vez mais importantes no cinema atual, às vezes até de maneira exagerada. Com isso, podemos analisar um pouco como elas se estruturam: em geral, o primeiro filme é feito quando ainda não se sabe que vai haver uma trilogia. Portanto, tem início, meio e fim definidos. O último filme encerra a história, então também é tranquilo. O problema em geral é o segundo filme. Não tem que apresentar os personagens, e em geral também não tem um fim propriamente dito. Isso faz com que os "filmes do meio" acabem perdendo atratividade.
Mas esse não é o caso de O Império Contra-Ataca. George Lucas, naquela época, sabia que seu forte não era a direção, e portanto chamou um diretor mais experiente, Irvin Kershner, para o segundo filme da saga. Também ainda não tinha a pretensão de fazer um filme infantil, portanto (apesar de Yoda, um personagem mais "muppetizado") não aliviou a história, colocando por exemplo Ewoks ou um (argh) Jar Jar Binks da vida.
Com isso, o filme pega a história de Star Wars e a leva para outro patamar, muito mais profundo e sombrio. Darth Vader aqui não é mais apenas um vilão de capacete engraçado, toda a estrutura de poder do Império (e a dos rebeldes também) é caracterizada, e a ameaça torna-se muito mais concreta. O "contra-ataque" do Império é coordenado e eficaz, culminando com algumas das passagens mais emblemáticas de toda a série: o congelamento de Han Solo em carbonite ("Eu te amo" / "Eu sei"), e, claro, a cena mais icônica de todas: a esperada luta entre Darth Vader e Luke Skywalker.
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| I am your father! Join me, and we´ll rule the galaxy as father and son. |
E essa cena é exatamente a razão pela qual, um dia, quando eu for mostrar os filmes para minha filha, vou mostrá-los como devem ser vistos, fora da ordem cronológica, com a trilogia clássica primeiro (e se der tempo, depois a trilogia mais nova). Que graça tem ver essa cena sabendo que Darth Vader já foi um menino cabeçudo, já foi um ator ruim, já teve midichlorians, já namorou a Natalie Portman e já foi burro de matar o Samuel L. Jackson? (sim, com spoilers. quem não viu esse filme ainda, gente?)
E é assim, da maneira mais sombria possível, com Han Solo preso, Luke Skywalker sem mão, e com toda a esperança perdida, que o filme acaba. Melhor impossível, certo? Não, pode ser ainda melhor: basta incluir o tema de vilão mais épico da história do cinema, a Marcha Imperial.
How cool is that? Não tem como você ser um vilão melhor que Darth Vader. E não tem como uma continuação ser melhor que O Império Contra Ataca. Pena que depois disso, George Lucas meio que desaprendeu....
Nota: 9,7 (3o na minha lista de filmes favoritos)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Highlander (1986)
Um grupo de imortais, que foram nascendo ao longo dos séculos, destinados a um confronto final em uma terra distante. Um escocês nascido na Idade Média, que percebe que é um deles, e ao mesmo tempo prepara-se para este confronto e vive sua vida, sabendo que, enquanto todos à sua volta nascem, envelhecem e morrem, ele passará os séculos inalterado.
Esse é outro dos clássicos da Globo dos anos 80. Não fez grande sucesso quando lançado, mas foi virando cult ao longo dos anos (e das reprises), e é mais um daqueles filmes que acabou ficando na memória coletiva dessa geração. Conta a história de Connor MacLeod (Christopher Lambert), que descobre ser um imortal, quando é atacado por um ferimento mortal e... bem, não morre. Banido de sua vila, ele para de envelhecer e percebe que não é uma pessoa normal. Aos poucos ele vai descobrindo que, como ele, há alguns outros imortais, que só podem ser mortos tendo suas cabeças cortadas por um outro imortal, e que, em um ponto no futuro, os poucos que sobrarem se encontrarão para duelarem até que sobre apenas um, que receberá um grande prêmio e a imortalidade definitiva ("There can be only one!!!).
(um dado importante: ao contrário do que pensam algumas mães de jogadores de futebol, Highlander não apenas não é o nome dele - e sim uma referência às Highlands, região montanhosa da Escócia de onde ele se origina -, mas também não se escreve "Railander"... hehehe)
Além da premissa, a maneira de contar a história também é bem interessante, alternando épocas antigas (como a Idade Média), onde aos poucos vai entendendo o que se passa, e aprende a lutar com um mentor também imortal (Sean Connery), com os dias atuais, onde aguarda o confronto final enquanto relembra sua longa vida, na qual vive o conflito de não envelhecer junto aos que ama, enquanto assume de vez em quando uma nova identidade para não ser descoberto.
Claro que há pontos ruins no filme também. Tirando o mito Sean Connery, os atores não são grande coisa (Christoper Lambert surgia como uma promessa nessa época, que nunca se concretizou propriamente - era apenas seu segundo filme em inglês, língua que havia aprendido há pouco tempo), os efeitos especiais também não são fantásticos. Nada que tire a graça e o interesse sobre o filme.
Mas ainda falta falar do que, na minha opinião, é a principal razão do filme ser o que é:
Sua trilha sonora. Um dos poucos casos que conheço de que a trilha inteira do filme é feita pela mesma banda (excluindo, claro, compositores de "scores" instrumentais como Ennio Morricone ou Alan Silvestri), e ainda com o detalhe de que eles compuseram a trilha com o filme já quase pronto, e portanto puderam se inspirar na história e nas imagens para a composição. Diz-se que eles tinham sido contratados apenas para uma música, mas quando viram o filme, cada um deles passou a trabalhar inspirados nas cenas que mais gostaram. Brian May compôs "Who Wants to Live Forever" no táxi voltando para o hotel, e Roger Taylor usou a frase "It´s a Kind of Magic" como base para a tão famosa música, que toca nos créditos finais. E tudo isso com a genialidade de Freedie Mercury nas interpretações. Não tinha como dar errado. Assim como já falei sobre Mamma Mia, com essa trilha o filme nem precisava ser muito bom para ser memorável. E ele é muito bom.
Nota: 7,0
PS: Apenas não esqueça de uma coisa: nunca, mas NUNCA, sequer considere as continuações. Assista apenas ao primeiro. Sério.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O Grande Dragão Branco (Bloodsport, 1988)
Existiu uma época muito distante na qual toda uma geração de crianças tinha uma gama de opções infinitamente menor do que hoje para se distrair em casa. Não havia internet, poucos tinham videogame ou videocassete, e especialmente aqueles que moravam em apartamento e não eram muito de sair para brincar na rua (como eu) contavam com exatos 7 canais de TV para escolher quando sentavam à tarde, após a aula, na frente de seu televisor. Dentre essas opções, programas voltados à senhora dona de casa, Chaves (sim, já existia), outros programas em geral desinteressantes (desenho animado, só de manhã), e, por fim, aquela que era responsável por dar alguma variedade a essa rotina das tardes após a lição de casa: a Sessão da Tarde.
Lendas dizem que ela ainda existe, mas claro que sem um pingo da relevância que já teve. Para essa geração de crianças, a Sessão da Tarde era o principal contato com a gama de filmes que o cinema nos apresentava a cada ano (em geral, uns 3 ou 4 anos depois, mas isso não vem ao caso). Verdadeiros clássicos da sétima arte dublada, como Curtindo a Vida Adoidado, Bingo - Esperto pra Cachorro, Remo - Desarmado e Perigoso, Loucademia de Polícia e tantos outros viraram verdadeiros ícones dessa geração sendo repetidos exaustivamente nas tardes da TV, logo após o Vale a Pena Ver de Novo (sim, algumas coisas nunca mudam).
O Grande Dragão Branco (que tradução, hein?) era outro desses ícones da TV do final dos anos 80. Com um Jean-Claude Van Damme recém alçado ao "estrelato" por Retroceder Nunca, Render-se Jamais (que por sua vez, passava nas noites da Bandeirantes), o filme conta a história "baseada em fatos reais" de Frank Dux, militar americano treinado em artes marciais desde sua infância (por um daqueles velhinhos japoneses mais clichês impossível), que resolve disputar (e vencer) o "Kumite", campeonato ilegal de artes marciais variadas disputado no oriente (não existia ainda o MMA), conhecido por não ter regras e por sua violência exagerada, tendo causado inclusive algumas mortes em sua história.
(aqui cabe um parêntese para falar sobre duas das maiores instituições dos filmes na TV dos anos 80. A primeira era o "baseado em fatos reais", o que no caso desse filme significa provavelmente que existiu um Frank Dux, que era um militar americano e..., bem, tinha dois olhos e uma boca. Esse era um expediente muito utilizado naqueles dramalhões do Supercine, por exemplo, para dar alguma "credibilidade" à choradeira que você via em cena. A segunda, o "pela primeira vez na televisão", utilizado especialmente pelo SBT para aqueles filmes que você já tinha cansado de ver. Silvão Santos chegou ao cúmulo de mudar o nome de um filme só para poder continuar dizendo que era inédito)
Era o "auge" dos filmes de artes marciais. Depois da morte de Bruce Lee nos anos 70, os filmes de luta acabaram migrando para o modelo do "super-soldado" que acaba sozinho com todo um exército inimigo (filmes do Stallone, Schwarzennegger, Chuck Norris e outros). Com o relativo esgotamento desse modelo, e com o surgimento de um tipo diferente de "atores", como Van Damme, e mais tarde Steven Seagal, o foco dos filmes voltou a ser a luta corporal (chegando ao extremo com Karate Kid...), e filmes de "torneios de artes marciais" surgiram às toneladas (seguido de jogos, como Street Fighter e Mortal Kombat, que por sua vez acabaram também virando filmes...).
Não vou ousar dizer que o filme é ótimo. Não, não é. Mas é divertido, especialmente se você entra no clima. Van Damme está canastrão ao extremo. As situações são bizarras. Mesmo as cenas de luta são inverossímeis. O vilão é extramente caricato (mas muito divertido, suas expressões são ótimas). Aliás, uma das cenas mais emblemáticas do filme é quando, para provar que é mesmo discípulo de seu mestre, Frank Dux desfere um (impossível) golpe que quebra (ou melhor, explode) apenas o tijolo de baixo de uma pilha de uns cinco. Todos ficam impressionados, menos o vilão (claro), que solta a frase que virou clássico: "Tudo bem, mas...
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| ...TIJOLO NÃO REVIDA!!!!" |
E depois, a tradicional quase morte do grande amigo do herói nas mãos do vilão, seguida de ameaças, trapaças e da também obrigatória vitória redentora do herói ao final. Tudo regado a várias repetições do movimento registrado de Van Damme: a abertura de pernas (espacate), até na cozinha pra não encostar no chão, que está eletrificado (ou pode ser que isso seja em outro filme e eu me confundi. São todos iguais...)
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| Nada como um alongamento leve a 300m de altura |
Não sei se tenho muito mais o que dizer. Se você tem mais de 30 anos, provavelmente assistiu. Se não tem, talvez nem se interesse agora. Mas o fato é que era muito divertido, especialmente inserido na cultura da época. Por vezes fico pensando o que será dessa geração que tem centenas de canais, além de TV on demand, youtube, etc.... Precisamos também das coisas ruins para formar nosso caráter, oras!
Nota: 5,0
PS: Se você ficou curioso de ver ou rever o filme, mas não tem mais tempo de assistir Sessão da Tarde, seus problemas acabaram! O filme está disponível na íntegra no youtube, e (YEAH!) com a dublagem tosca original. Pegue sua pipoca, sente em frente ao seu computador e aproveite:
domingo, 17 de junho de 2012
Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller´s Day Off, 1986)
Sozinho, esse filme já seria suficiente para justificar porque é tão mais legal ter sido adolescente nos anos 80 do que hoje. Pode esquecer a regra dos 15 anos! Já assisti esse filme algumas vezes recentemente e ele continua tão legal quanto antes. Ao mesmo tempo "subversivo" e de certo modo inocente, ao mostrar Ferris Bueller, no final do ensino médio, faltando à aula para aproveitar a vida enquanto pode, às vésperas de iniciar a faculdade (que ele nem sabe qual quer ainda), sabendo que em breve vai deixar de poder fazer isso. Chega a ser poético, na verdade.
Se você é uma pessoa mal-humorada, ou de mal com a vida (espero que não), pode estar perguntando: "Tá, mas grande coisa, uma comédia dos anos 80 como tantas outras, o que esse filme tem demais afinal?". Respondo a seguir, caro leitor insuportável:
- A comédia: a situações são ótimas, o trabalho que o Ferris tem para conseguir faltar à aula chega a ser comovente. O que faz para não ser visto por seu pai ou pelo diretor também. E muito mais: o "empréstimo" da Ferrari, os programas que eles inventam de fazer no dia de folga ("Está querendo me dizer que você é o Rei da Linguiça de Chicago?")...
- Os personagens: Ferris provavelmente não faz uma única coisa certa no filme todo, mas quem não torce por ele? Além dele, os pais "trouxas", o diretor obcecado, a irmã invejosa, o amigo medroso, e até Charlie Sheen como um drogado, todos personagens memoráveis, muito bem construídos pelos atores, e pelo roteirista e diretor John Hughes, o cara que sabia falar com os adolescentes da época como ninguém (Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco e outros)
- As músicas: além de ressucitar "Twist and Shout" para toda uma geração que não era contemporânea dos Beatles, em uma das melhores (senão a melhor) cena musical do cinema, outras músicas como "Oh Yeah" (da cena final, no ônibus escolar, clássica), "Danke Schoen" (que pouca gente nota que ele canta no chuveiro no início do filme, bem antes de cantar na parada), e mesmo a música da cena dele fugindo pra casa são ótimas. Ironicamente, nunca foi lançada a trilha sonora do filme, em disco, CD ou qualquer outro formato.
- A filosofia: Muita gente fala do "Carpe Diem" de Sociedade dos Poetas Mortos, mas um filme não precisa ser chato e metido a profundo pra te dar o que pensar. Já no início do filme, Ferris vira para a câmera e solta o já clássico "A vida passa rápido demais. Se você não parar de vez em quando para olhar em volta, pode deixá-la passar". A partir daí, você vê que, apesar de ele estar enganando todo mundo, o "day off" de Ferris tem como objetivo ser de fato um momento de curtir a vida, se aproximar dos amigos a quem logo vai deixar de ver todo dia, e também tentando ensinar algumas lições ao amigo, que ele acredita piamente que precisa se libertar mais. Propósitos nobres, ou não? Vi o Marcelo Janot, crítico de cinema do Telecine, falando: "Ele falta à aula e vai a uma galeria de arte. Muitos adolescentes não fazem isso nem por obrigação". É isso.
- O saudosismo: Claro, esse não poderia faltar. Para quem cresceu com poucas opções além da Sessão da Tarde, e portanto viu esse filme muitas vezes (e, porque não, imaginou fazer o mesmo), o filme traz lembranças muito legais. É outro dos poucos filmes que prefiro dublados.
Precisa mais? Para o pessoal que nasceu nos anos 80 e 90, e que sei que lêem esse blog, o filme vai passar hoje (17/6/12), no Telecine Cult, às 22:00, ou então, melhor ainda, dublado no youtube:
Já se você é dos anos 80, ou por outra razão já assistiu, e não gostou, por favor não volte a falar comigo :-)
Nota: 8,9 (19o. colocado na minha lista de filmes favoritos)
PS: O filme mostra que, mesmo que demore muito, uma hora você vai ser castigado por matar aula. Por que outra razão Matthew Broderick (o Ferris) acabaria se casando com aquela insuportável (e baranga) atriz principal de Sex and the City? O castigo vem a cavalo...
PPS: No início do ano, uma propaganda do CR-V da Honda resgatou o filme como se fosse uma continuação, mas com o próprio Broderick fingindo estar doente para faltar a um dia de filmagem. Apesar de um pouquinho anti-climático (muitos tiveram um fiozinho de esperança de que fosse de fato haver uma continuação), o comercial, que passou no intervalo do Super Bowl, é sensacional (primeiro o teaser, que fez muita gente pensar em uma continuação, depois a propaganda completa):
terça-feira, 15 de maio de 2012
[18+] Os Sete Gatinhos (1980)
Existe aquela categoria de filmes que são tão ruins, mas tão ruins, que chegam a ficar bons. Alguns de propósito (em geral, os filmes "trash" como Evil Dead, Plan 9 from Outer Space), e alguns involuntariamente (filmes como Rambo ou Independence Day, na minha modesta opinião). Não sei se consigo encaixar esse filme em alguma das categorias, mas torço bastante para que o diretor Neville de Almeida e os atores soubessem o nível de tosqueira do que estavam fazendo, e se divertissem com isso.
Aliás, toda essa fase da pornochanchada brasileira é um capítulo à parte na história do cinema nacional. Não sei se é o caso aqui de discorrer sobre o momento político da época, e sobre a natureza contestadora/escapista (sim, as 2 coisas) do cinema desse período, já que eu acho mais divertido falar sobre as bizarrices de filmes como esse e outros do mesmo "quilate" (e o blog é meu, oras).
Começando pela (peculiar) história do filme, por sinal uma adaptação de Nelson Rodrigues: Silene, a filha mais nova de uma família de classe média baixa (o pai é contínuo, como faz questão de lembrar várias vezes durante o filme), estuda em um internato e é a esperança do pai de que uma de suas 5 filhas possa ser alguém na vida (entenda-se: casar virgem com um homem mais rico). A ponto das demais filhas se prostituírem para pagar o estudo da mais nova. No entanto, ela é expulsa do internato por incompreensivelmente ter matado uma gata que dera à luz a sete gatinhos, e tem que voltar para casa. A partir daí, se revela toda a disfuncionalidade da família (especialidade de Nelson Rodrigues, afinal).
Nas mãos de um diretor iraniano, por exemplo, essa sinopse viraria um dramalhão existencial daqueles (e não saberíamos o que acontece no final). Ainda bem que isso não aconteceu, já que, mesmo com uma história sem pé nem cabeça e algumas situações incompreensíveis, o filme é muito divertido, especialmente se você entra no espírito. O pai, Noronha (interpretado por Lima Duarte, que parece que já nasceu com uns 60 anos, aliás), desfere, logo no início do filme, a frase que talvez seja a maior pérola do cinema nacional em todos os tempos (desculpe, Tropa de Elite, mas é verdade): "Eu quero saber quem foi que desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro".
As filhas também são um caso à parte. Basta dizer que uma delas é a Regina Casé (que protagoniza outra cena clássica, correndo pelada em volta da piscina de um deputado sob a perseguição dele). Outros personagens clássicos do cinema brasileiro, como a velha carente, o velho tarado, o cafajeste, o político ladrão, estão todos lá, mesmo que sem fazer muito sentido pra história.
Atores como Ary Fontoura e Antonio Fagundes também estão no filme, em personagens completamente diferentes dos que as gerações atuais se acostumaram a vê-los. Aliás, essa é uma característica curiosa dos filmes da época: como não havia muita opção de trabalho para os atores "famosos" (leia-se, os atores das novelas da Globo), era comum vê-los em filmes de baixíssimo orçamento e gosto bastante duvidoso como esse. Até música do Roberto Carlos na trilha sonora tem, vejam vocês.
Os Sete Gatinhos talvez seja apenas um dos mais conhecidos, senão o mais conhecido, representante do período, representado por filmes muito toscos com títulos impagáveis (pérolas como Bonitinha Mas Ordinária, Cada Um Dá o Que Tem, Rio Babilônia, Como É Boa Nossa Empregada e assim por diante). Com o fim da censura e consequente abertura social e até comercial, esses filmes foram sumindo, mas graças à internet estão novamente disponíveis (desconheço lançamentos em DVD - por exemplo, assisti a Os Sete Gatinhos baixado da internet).
Depois disso veio o "novo cinema brasileiro", com filmes bons como Central do Brasil e Cidade de Deus, e abrindo espaço para o chatíssimo sub-gênero "favela movie", mas aí é assunto para outro post. Por ora, vale a lembrança do cinema brasileiro moleque, de raiz... :-)
Nota: 6,0
Aliás, toda essa fase da pornochanchada brasileira é um capítulo à parte na história do cinema nacional. Não sei se é o caso aqui de discorrer sobre o momento político da época, e sobre a natureza contestadora/escapista (sim, as 2 coisas) do cinema desse período, já que eu acho mais divertido falar sobre as bizarrices de filmes como esse e outros do mesmo "quilate" (e o blog é meu, oras).
Começando pela (peculiar) história do filme, por sinal uma adaptação de Nelson Rodrigues: Silene, a filha mais nova de uma família de classe média baixa (o pai é contínuo, como faz questão de lembrar várias vezes durante o filme), estuda em um internato e é a esperança do pai de que uma de suas 5 filhas possa ser alguém na vida (entenda-se: casar virgem com um homem mais rico). A ponto das demais filhas se prostituírem para pagar o estudo da mais nova. No entanto, ela é expulsa do internato por incompreensivelmente ter matado uma gata que dera à luz a sete gatinhos, e tem que voltar para casa. A partir daí, se revela toda a disfuncionalidade da família (especialidade de Nelson Rodrigues, afinal).
Nas mãos de um diretor iraniano, por exemplo, essa sinopse viraria um dramalhão existencial daqueles (e não saberíamos o que acontece no final). Ainda bem que isso não aconteceu, já que, mesmo com uma história sem pé nem cabeça e algumas situações incompreensíveis, o filme é muito divertido, especialmente se você entra no espírito. O pai, Noronha (interpretado por Lima Duarte, que parece que já nasceu com uns 60 anos, aliás), desfere, logo no início do filme, a frase que talvez seja a maior pérola do cinema nacional em todos os tempos (desculpe, Tropa de Elite, mas é verdade): "Eu quero saber quem foi que desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro".
Atores como Ary Fontoura e Antonio Fagundes também estão no filme, em personagens completamente diferentes dos que as gerações atuais se acostumaram a vê-los. Aliás, essa é uma característica curiosa dos filmes da época: como não havia muita opção de trabalho para os atores "famosos" (leia-se, os atores das novelas da Globo), era comum vê-los em filmes de baixíssimo orçamento e gosto bastante duvidoso como esse. Até música do Roberto Carlos na trilha sonora tem, vejam vocês.
Os Sete Gatinhos talvez seja apenas um dos mais conhecidos, senão o mais conhecido, representante do período, representado por filmes muito toscos com títulos impagáveis (pérolas como Bonitinha Mas Ordinária, Cada Um Dá o Que Tem, Rio Babilônia, Como É Boa Nossa Empregada e assim por diante). Com o fim da censura e consequente abertura social e até comercial, esses filmes foram sumindo, mas graças à internet estão novamente disponíveis (desconheço lançamentos em DVD - por exemplo, assisti a Os Sete Gatinhos baixado da internet).
Depois disso veio o "novo cinema brasileiro", com filmes bons como Central do Brasil e Cidade de Deus, e abrindo espaço para o chatíssimo sub-gênero "favela movie", mas aí é assunto para outro post. Por ora, vale a lembrança do cinema brasileiro moleque, de raiz... :-)
Nota: 6,0
sábado, 31 de março de 2012
RoboCop (1987)
Mais um da série "anos 80". Depois de muitos anos, assisti esse filme de novo (no Telecine Cult, veja você). Ao contrário de Quanto Mais Idiota Melhor, não fiquei revoltado e nem achei que era um lixo, baseado na Regra dos 15 Anos. O que mais me impressionou, mais uma vez, foi como a estética dos anos 80 era muito marcante e muito diferente da atual, em vários aspectos (e não apenas nos cabelos e roupas, como salta aos olhos no primeiro momento).
Antes disso, a história do filme: um policial é "morto" em ação e utilizado para um projeto piloto, onde parte de seu corpo é fundido com partes robóticas para criar o policial ideal. Porém, aos poucos a consciência dele vai voltando e o projeto vai começando a dar errado.
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o conceito de "alta tecnologia" da época. Talvez influenciado pela megalomania da "Guerra nas Estrelas" da época da Guerra Fria, nesse filme (e em outros da época) a tecnologia significa robôs, muitas luzes, e grandes sistemas interligados cuja função é controle e opressão. Claro que querer que eles tivessem previsto a internet é demais, mas é curioso entender o pensamento da década quanto à tecnologia e sua função.
Outro ponto interessante é a violência. Esse filme é um exemplo clássico disso... a cena do policial Murphy sendo "morto" tem mão explodindo, sangue pra todo lado, e sadismo extremo do vilão do filme e líder da quadrilha (o mesmo ator que faz o pai do Eric Forman no That 70s Show, por sinal). A cena do RoboCop se vingando da quadrilha então, tem gente derretendo, explodindo, morrendo de tudo que é jeito. Um filme desses hoje seria censura para maiores de 18 anos, fácil, fácil. E na época não só era assistido por menores como ainda tinha uma linha de brinquedos.
E a heroína do filme então? Uma garota até bonitinha, mas normal, meio baixinha e gordinha... Hoje em dia a atriz principal não seria nada menos que uma Charlize Theron, ou Megan Fox, sei lá,e provavelmente cheia de efeitos visuais em cima ainda... É como aquelas cenas antigas dos Trapalhões, em que as mulheres bonitas eram bem diferentes das de hoje...
De todo jeito, foi divertido assistir de novo. O filme é longe de ser fantástico, mas é razoavelmente divertido, e ainda serve como estudo sociológico da "década perdida". E passa no Telecine Cult, quem diria...
Nota: 8,0 (minha nota sempre se refere à primeira vez que assisti)
PS: Não tem muito a ver com o filme, mas sempre é divertido lembrar:
Antes disso, a história do filme: um policial é "morto" em ação e utilizado para um projeto piloto, onde parte de seu corpo é fundido com partes robóticas para criar o policial ideal. Porém, aos poucos a consciência dele vai voltando e o projeto vai começando a dar errado.
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o conceito de "alta tecnologia" da época. Talvez influenciado pela megalomania da "Guerra nas Estrelas" da época da Guerra Fria, nesse filme (e em outros da época) a tecnologia significa robôs, muitas luzes, e grandes sistemas interligados cuja função é controle e opressão. Claro que querer que eles tivessem previsto a internet é demais, mas é curioso entender o pensamento da década quanto à tecnologia e sua função.
Outro ponto interessante é a violência. Esse filme é um exemplo clássico disso... a cena do policial Murphy sendo "morto" tem mão explodindo, sangue pra todo lado, e sadismo extremo do vilão do filme e líder da quadrilha (o mesmo ator que faz o pai do Eric Forman no That 70s Show, por sinal). A cena do RoboCop se vingando da quadrilha então, tem gente derretendo, explodindo, morrendo de tudo que é jeito. Um filme desses hoje seria censura para maiores de 18 anos, fácil, fácil. E na época não só era assistido por menores como ainda tinha uma linha de brinquedos.
E a heroína do filme então? Uma garota até bonitinha, mas normal, meio baixinha e gordinha... Hoje em dia a atriz principal não seria nada menos que uma Charlize Theron, ou Megan Fox, sei lá,e provavelmente cheia de efeitos visuais em cima ainda... É como aquelas cenas antigas dos Trapalhões, em que as mulheres bonitas eram bem diferentes das de hoje...
| Hoje ela seria no máximo a vizinha engraçada. |
De todo jeito, foi divertido assistir de novo. O filme é longe de ser fantástico, mas é razoavelmente divertido, e ainda serve como estudo sociológico da "década perdida". E passa no Telecine Cult, quem diria...
Nota: 8,0 (minha nota sempre se refere à primeira vez que assisti)
PS: Não tem muito a ver com o filme, mas sempre é divertido lembrar:
quinta-feira, 1 de março de 2012
Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Outro dia desses, quando minha filhinha Manu chegou da escola cantando "Uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravo", bateu um misto de orgulho e surpresa. Surpresa porque nunca achei que ainda ensinassem essa música nas escolas. Xuxa, ok, um Balão Mágico, talvez, mas nunca os Trapalhões. E orgulho porque, afinal, tem tanta porcaria por aí tocando pra crianças que é muito legal ela gostar logo da mesma música que eu adorava quando tinha a idade dela. E, afinal, é do Chico Buarque, tem uma qualidade musical envolvida.
E, claro, também lembrei do filme. E agora achei legal que esse fosse o primeiro filme brasileiro a aparecer aqui no blog.
Regra dos 15 anos à parte, e muitos podem não saber disso (ou não concordar), mas houve de fato uma época quando Os Trapalhões eram engraçados. E eram um sucesso também. Filmes dos Trapalhões são 12 das 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro em todos os tempos. Esse filme especificamente é considerado por alguns como um dos melhores (ou o melhor) que eles fizeram. Era o auge do grupo, e ao contrário dos filmes anteriores, esse procurava passar uma mensagem, não apenas de conteúdo mas política também. A história dos empregados pobres do circo, sendo explorados pelo dono, em busca de uma vida melhor era até "subversiva" em pleno regime militar (e provavelmente uma das razões de Chico Buarque ter se envolvido no projeto).
Mas o principal que eu queria falar aqui é sobre como a noção de humor evoluiu em tão pouco tempo. Sem entrar no clichê de "o politicamente correto está matando o humor", é uma diferença brutal entre as 2 épocas. Em um DVD que comprei dos melhores momentos dos Trapalhões, há um quadro em que eles, com fome, roubam uma galinha, são perseguidos e trocam tiros (!) com a polícia. Imagine isso em um programa de humor atual... mas ao mesmo tempo havia uma "inocência" maior, não se tinha uma preocupação com o impacto de tudo, ou com ofensas e "melindrações" de todos os lados. No máximo o Mussum respondia "Negão é seu passadis" e tava tudo certo. Tudo muito mais simples. Se é por isso ou não, não sei, mas hoje é muito difícil achar um humor decente. Talvez as pessoas estejam se preocupando demais.
O fato é que assisti esse filme de novo há pouco tempo, e continuei gostando. A paixão não correspondida do Didi (!) pela Lucinha Lins (!!), as lições de vida de nunca desistir, e de encarar a vida com senso de humor não importa o que aconteça ainda estão lá. E essas coisas sobrevivem ao tempo.
Nota: 6,0 (afinal não é nenhuma obra prima...)
PS: Não é cinema, mas eu precisava colocar aqui um dos melhores momentos dos Trapalhões na minha opinião, "Papai eu quero me casar". Obviamente hoje não iria ao ar, muito menos às 7 da noite de um domingo...
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982)
Acho que já está na hora de alguma polêmica aqui no blog (quem sabe assim alguém se manifesta nos comentários). Então lá vai: Eu não gostei de Blade Runner.
Entendo seu papel como pioneiro em uma série de conceitos que moldaram a ficção científica moderna. Entendo também a revolução que causou na época por mostrar um futuro distópico e dark, em vez da ficção "limpinha" que era moda desde 2001. Me emocionei quando Rutger Hauer fala sobre a fugacidade da vida no monólogo final "Tears in the Rain". Também achei a Sean Young muito bonita e a Daryl Hannah meio esquisita. Também adorei o personagem de Edward James Olmos, o mais enigmático da história. Curto pra caramba a trilha sonora do Vangelis (Fogo no Rabo, TV Pirata, lembram?). Adoro ficção científica, especialmente a mais inteligente. Eu li até o livro. Mas não consegui gostar de Blade Runner.
Pior é que eu nem sei explicar direito porque não gostei. Depois de pensar bastante, cheguei a algumas razões, mas não sei se elas explicam propriamente a razão de eu não ter gostado. De todo jeito, seguem:
- Eu demorei quase 25 anos para ver o filme: claramente é uma obra revolucionária para sua época. Assistir muito tempo depois, especialmente quando tudo que ela influenciou já está na sua cabeça, causa bem menos impacto. É como eu disse no Facebook uma vez, que já achei que Beach Boys tinham copiado Juba e Lula, e que Under Pressure do Queen lembrava bastante Ice Ice Baby, do Vanilla Ice. Tudo é uma questão de pioneirismo...
- Não achei o roteiro tão bom assim: e olha que eu vi a versão do diretor que saiu muito depois. Mas não sei, acho que o Ridley Scott tentou fazer um filme noir demais e exagerou na complexidade e no mistério. Os personagens não geram muita empatia (não chega a te deixar desesperado pra saber o que vai acontecer), e especialmente o tanto de gente que mexeu, editou, deu palpite, etc. deixa o filme meio Frankenstein demais. O personagem do Rutger Hauer, como eu comentei, se redime no final, e até mostra suas motivações, mas os demais replicantes me parecem meio soltos.
- As atuações não são muito boas: não é segredo pra ninguém que a Sean Young nunca foi grande atriz, o próprio diretor diz que a escolheu mais pelo visual do que propriamente pela habilidade de atuação. E tenho que admitir outra coisa: eu nunca achei o Harrison Ford um excelente ator. Se consagrou em Star Wars, teve papéis muito bons (Indiana Jones, por exemplo), mas não é o cara que te faz sair de casa para ver o filme em que ele está. Entendo o personagem, mas acho que o Harrison Ford estava apático demais nesse filme. E, se prestarmos atenção, em quase todos os seus filmes...
Claro que o filme tem componentes psicológicos muito interessantes (como comentei, a fugacidade da vida, mas também a busca pelo criador, e até o que é a vida, no confronto entre replicantes e humanos). Eles têm sim seu mérito. Mas, em suma, não é um filme que me agrada rever. Só eu acho isso? Comentem.
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