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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Quem ganha?


É chegada a hora de palpitar e cornetar os palpites dos outros e os prêmios da Academia! Como excepcionalmente eu vi muitos dos filmes indicados esse ano, vou dizer aqui quem eu queria e quem eu acho que ganha o careca da Academia.

O ano de 2018 não me pareceu uma safra particularmente prolífica em termos de grandes filmes e grandes atuações indicadas ao Oscar. Por outro lado, não há um favorito destacado, e devemos ter algumas surpresas ao longo da premiação. É tipo campeonato da série B: o nível não é lá essas coisas, mas pelo menos vai ter disputa.

Sem mais delongas, vamos aos palpites furados. Depois eu volto e atualizo com os vencedores, ou com alguma mudança se eu assistir mais algum filme.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013)


Outro dia, quando falei de Lucy, prometi que voltaria ao tema ficção, mas dessa vez para falar de bons filmes. Claro, já falei de alguns, como De Volta para o Futuro, Gravidade e O Império Contra-Ataca, mas sempre é bom destacar filmes inteligentes, especialmente aqueles que não ficaram tão conhecidos quado saíram.

Já esse Expresso do Amanhã (que nominho em português, hein?) nem é bem uma ficção científica. Está mais para um sub-gênero que eu adoro, o "futuro pós-apocalíptico". Baseado em uma HQ francesa, o filme se passa em 2031, em um mundo onde a humanidade, buscando acabar com o aquecimento global, acidentalmente congelou tudo. Os únicos sobreviventes estavam por acaso em um trem, auto-suficiente, que dá uma volta ao mundo por ano, e onde se criou um "micro-universo", com ricos, pobres, colheitas, prisões, desigualdades.


Curtis (Chris Evans, excelente) é o jovem líder dos moradores do fundo do trem, marginalizados e explorados pela elite dos vagões da frente. Periodicamente, crianças são sequestradas e levadas, e um desses sequestros desencadeia uma revolução, que busca tomar o poder no trem. Obviamente, nem tudo é o que parece, e nesse processo, Curtis conhecerá e aprenderá coisas que não imaginava. No elenco, também aparecem John Hurt, como o antigo líder e mentor de Curtis; Tilda Swinton, em atuação fantástica, é uma das líderes da elite; além de Ed Harris, Viola Davis, Alison Pill também em bons papéis.

Pessoalmente, eu sou fã tanto de histórias pós-apocalípticas (como o ótimo Filhos da Esperança), como de "micro-universos", onde alguma restrição faz com que o mundo, restrito a um espaço confinado, se desenvolva com suas próprias regras. Os 12 Macacos, Metro 2033 são excelentes exemplos. Este Expresso da Amanhã é outro que vale muito a pena.


Além da premissa inteligente, a história se desenvolve de maneira muito interessante. Aqui sim, o conceito de suspensão de descrença funciona bem. Se você acredita que um trem é o último bastião de sobrevivência se movendo pelo mundo sem parar há 19 anos, e que, como foi construído para ser autossustentável, consegue manter a vida de quem está dentro dele, você está pronto para gostar do filme. Porque é um excelente estudo de sociedade, além de uma experiência visual e narrativa surpreendente. Sem pressa, o diretor Joon-Ho Bong vai mostrando os detalhes do funcionamento tanto do trem como da sociedade, e deixando claras as escolhas e sacrifícios que são feitos por cada um. O filme, uma produção americana e européia com um diretor sul-coreano, aproveita muito bem todas essas heranças: a ação e visual dos filmes americanos, o choque social dos filmes europeus, e a estranheza e finais inesperados dos filmes coreanos.

Portanto, se você passou pelo filme na lista do Netflix, se interessou e colocou na lista, ou mesmo o deixou perdido no meio daquela imensidão, pense novamente: atrás de uma cara de ficção genérica com o carinha do Capitão América pode estar uma grata surpresa.

Nota: 8,5 (42o. colocado na minha lista de filmes favoritos)


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Oldboy (2003)

Na década de 2000, ganhou bastante destaque um "novo" modelo de cinema oriental, menos contemplativo e filosófico, como os filmes mais clássicos, e principalmente voltados para o suspense e terror. Filmes como O Chamado de certa maneira revolucionaram esse gênero de filmes, com uma abordagem diferente do suspense, muito menos reveladora, e portanto mais assustadora. Os filmes desse sub-gênero oriental geralmente lidam com medos mais primordiais, psicológicos, em que o terror normalmente não têm uma razão ou uma explicação específica.

Oldboy não chega a ser um filme de terror, muito pelo contrário. Está mais para um thriller psicológico muito bem construído, com aquele estilo de não explicar muita coisa e deixar você entender aos poucos: um homem é aprisionado em um quarto por 15 anos, sem razão aparente, e deixado sem contato com o mundo externo, exceto por uma televisão, através da qual descobre que sua mulher foi assassinada e sua filha, dada para adoção. Um certo dia, é libertado sem explicações, e recebe dinheiro, celular, e uma mensagem de que deve descobrir porque foi preso em 5 dias. Muito perturbado (compreensivelmente), ao mesmo tempo que tenta se readaptar à sociedade, faz todos os esforços para descobrir quem são seus captores e qual a razão de sua prisão.

Até aí, nada de extraordinário. Uma boa história, mas não chega a ser revolucionária. Aí entra a diferença de estilos de cinema (e o meu medo quando li que está em pré-produção um remake americano): o filme deixa muito mais para o espectador concluir, especular, e, embora o final seja bem definido, não é explicadinho e detalhado "for dummies" como a gente vê tanto. Além disso, é muito mais duro e cruel do que se fosse produzido em Hollywood (duvido que mantenham o final, por exemplo). A fotografia do filme também é toda diferente, aí sim mais contemplativa, mas também mais "crua", direta, incluindo um take fantástico que imita um videogame "side scrolling", onde o personagem principal vai percorrendo um corredor e brigando contra seus inimigos.


Aliás, o próprio personagem principal se parece muito pouco com um "herói" do filme: violento, perturbado e com uma aparência quase assustadora. Esse lado psicológico de mostrar o que se passa em sua mente é uma das principais virtudes do filme. Em vários momentos (e especialmente no fim, muito tenso e interessante), é como se você estivesse dentro de sua cabeça, e de maneira muito sutil, sem soluções fáceis como flashbacks ou narrações em off.

Sugiro muito assistir. É parte de uma "trilogia", mais temática do que de história, junto com "Mr. Vingança" e "Lady Vingança", os quais não vi ainda, mas esse, que acabou fazendo mais sucesso por aqui, é obrigatório. Só não entregue o final para quem não viu ainda... isso é maldade, tanto no cinema americano, coreano, ou de qualquer parte do mundo.

Nota: 8,9 (20o. colocado na minha lista de filmes favoritos)