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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

[Top 10] Coisas que dá pra salvar na trilogia nova de Star Wars


Não se fala em outra coisa no "mundo pop" a não ser Star Wars. Filme novo, a volta dos personagens clássicos, finalmente a continuação da história, spoilers, teorias, conjecturas... E a velha discussão de porque a trilogia nova (A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) é tão horrível, e só o Samir gosta dela. Assim, já que guardar rancor é o caminho para o Lado Negro da Força, dou o braço a torcer nesse post, relembrando 10 coisas da Nova Trilogia que, digamos, não são um lixo completo (inclusive o próprio Samir me ajudou, já que eu estava há meses pensando, sem conseguir juntar 10 coisas):

(atenção: texto com spoilers dos filmes I a VI)


10 - O paralelo entre as histórias de Luke e Anakin Skywalker

Ao final de Retorno de Jedi, o Imperador e Darth Vader querem de todo jeito convencer Luke a juntar-se ao Lado Negro da Força para salvar aqueles que ama. De certa maneira, você nunca de fato acredita que isso vai acontecer, e, previsivelmente, ele não apenas não se converte como ajuda seu pai a se redimir. No entanto, por mais mal escrita e atuada que seja, a queda de Anakin para o Lado Negro em Vingança dos Sith mostra que aquilo já aconteceu antes, por razões muito parecidas, e que o fato de serem pai e filho torna isso algo a se temer, de fato. Por mais que você saiba que Luke não vá para o lado do Mal.

Tá calor, né? E a Dilma?

9 - Darth Maul

Eu nem acho Ameaça Fantasma o pior filme dos três (pra mim é Ataque dos Clones) mas com certeza é o mais dispensável (esse sensacional post mostra o porquê, e de quebra sugere uma ordem excelente para ver a saga toda). Se bem analisado, nada do que acontece ali tem real importância para os rumos da história. Mas para mim, é lá que está o melhor vilão de toda a trilogia: Darth Maul, aquele que é tão ruim que é mau com u e mal com L ao mesmo tempo. Assustador, tinha um sabre de luz maneiro e passava aquela sensação de algo sinistro que um vilão de Star Wars precisa. Tivesse sobrevivido, com certeza faria melhor papel que Christopher Lee (para mim, totalmente deslocado) e General Grievous (ok, ele era maneiro em Clone Wars, mas nos filmes? Afff).



8 - Trouxe Star Wars de volta e possibilitou novas criações

Muito pouco se falava de Star Wars na década de 1990. Em 1997, o lançamento da trilogia clássica remasterizada (Han atirou primeiro!) começou a trazer de volta a saga ao mundo, mas, como esperado, foi o lançamento de novos filmes que fez com que Star Wars voltasse a ser assunto. E, mesmo não tendo sido bons, esses filmes possibilitaram também o surgimento de coisas maneiras, como Clone Wars, Lego Star Wars e Star Wars: Rebels.




7 - Mais informações sobre o passado dos personagens

Nerds são a maioria do público-alvo de Star Wars. E, como nerds que são, querem compulsivamente mais informações sobre aquilo que os interessa. Isso a nova trilogia traz. Mesmo que as informações sejam contraditórias, desnecessárias, revoltantes ou decepcionantes, bem, elas estão lá.

Mas eu não precisava saber que Anakin foi um moleque mala que gritava IIIPPIII!

6 - O Surgimento de Darth Vader

Desde o dia em que os filmes novos foram anunciados, um momento era muito esperado pelos fãs: a transformação final da pessoa Anakin Skywalker no vilão Darth Vader. E, apesar de alguns detalhes (o NOOOOOO, por exemplo), essa foi uma cena que eu gostei. Lembro de mal respirar enquanto Darth Sidious pegava o Anakin semi-morto e o colocava na icônica armadura. Especialmente a tomada "em primeira pessoa", com a máscara sendo colocada nele pela primeira vez, e seguida da famosa respiração, convenhamos, foi foda.



5 - "Fear is the path to the Dark Side"

A nova trilogia de Star Wars surgiu e se desenvolveu na era da internet. E, como tal, não poderia deixar de gerar memes, piadas, sátiras, e homenagens. Para mim, a mais versátil de todas é a cena em que o Conselho Jedi entrevista o pequeno Anakin para definir se ele será treinado. A fala de Yoda se tornou um clássico instantâneo ("Fear is the path to the Dark Side. Fear leads to anger, anger leads to hate, hate leads to suffering."):



Já no longínquo ano de 1999, pré-internet, Lisa Kudrow (a Phoebe de Friends), estrelou uma sátira a essa cena no MTV Movie Awards (juntando com outro meme pré-histórico, o do Kevin Bacon).


4 - Trilha Sonora

Um fato da vida: John Williams consegue tornar até um filme iraniano interessante, apenas com a trilha sonora. Na nova trilogia não seria diferente. Claro que as músicas da trilogia clássica (especialmente a Marcha Imperial) são, bem, clássicas, mas o trabalho dele nos filmes novos é tão bom quanto, talvez melhor em alguns momentos. A luta de Qui-Gon Jinn e Obi-Wan contra Darth Maul ganha muita dramaticidade ao som de Duel of the Fates:



3 - Trazer Star Wars para uma nova geração

Dezesseis anos se passaram entre Retorno de Jedi e Ameaça Fantasma. Assim como a nossa geração descobriu Star Wars quando criança e trouxe isso consigo, toda uma nova geração, que hoje está nos 20 e poucos anos, conheceu e se apaixonou pela saga a partir dos filmes novos. Se um deles voltou e curtiu a trilogia clássica também, já compensa tudo o que passamos ao nos decepcionar.



2 - O Duelo entre Anakin e Obi-Wan

Outro daqueles momentos que todo mundo que viu a trilogia original sempre imaginava era o duelo final entre Anakin e Obi-Wan. Mestre e discípulo forçados a lutar por tomarem posições contrárias em um conflito. Anakin derrotado, tendo sua conversão completada ao passar por um sofrimento indescritível ("na lava? como foi isso?", pensávamos nós), e tendo que viver para sempre em uma assustadora armadura de suporte de vida, buscando dominar definitivamente a galáxia. E, apesar de alguns detalhes ("Give up, Anakin, I have the higher ground"? Jura?), a luta não decepciona, podendo ser considerada um dos melhores (talvez o melhor) momento dos 3 filmes:



1 - Jar Jar BinksNÃO, VANZO, SAI DAÍ, JÁ DISSE QUE SÓ VOCÊ GOSTA DELE!!!


Peço desculpas pela interrupção.

1 - A certeza de que a trilogia original é algo único e especial

George Lucas sempre disse que sua história tinha nove partes, e que a trilogia original eram os episódios IV, V e VI dessa história. Ao anunciar os filmes I, II e III, nos encheu de esperança de finalmente termos uma grande história completa. Porém, mesmo com sua presença e direção (ou, na verdade, por causa dele), a nova trilogia foi uma decepção. O que nos mostra que é muito difícil replicar as condições que tornam um filme, ou uma saga, algo memorável. É torcer para que, a partir de amanhã, essas condições estejam novamente reunidas em O Despertar da Força.


E sim, finalmente eles estarão de volta.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Beleza Americana (American Beauty, 1999)


Vencedor do Oscar em 1999, Beleza Americana, de Sam Mendes, conta a história de Lester Burnham (Kevin Spacey), pai de família acomodado, que se considera um fracasso, tem um casamento falido com Carolyn (Annette Bening), não consegue se comunicar com a filha adolescente (Thora Birch), e de repente se vê apaixonado pela sua amiga de colégio Angela (Mena Suvari, linda). A partir desse fato, começa a contar sua vida e a vida daqueles em seu redor, a partir de um ponto futuro no tempo, onde ele já morreu.

O conjunto de "tipos" que compõem o subúrbio retratado no filme é um de seus pontos fortes: temos o pai de família fracassado e sem perspectivas, a mãe frustrada e viciada em auto-ajuda, a filha problemática e sua amiga popular, o vizinho esquisito, com seu pai militar rígido e a mãe ausente. E todos eles bastante realistas, ou pelo menos críveis, assim como a história que Lester conta a partir do dia que conheceu a amiga da filha até o dia de sua morte. O roteiro e as atuações são bastante elogiáveis (especialmente Kevin Spacey, que havia estourado há poucos anos com Seven e Os Suspeitos, e Chris Cooper, no difícil papel do Coronel Fitts), o visual e fotografia (especialmente nas cenas entre Lester e Angela, geralmente na imaginação dele), compondo um excelente filme, que ganhou prêmios e fez bastante sucesso na época do lançamento.


Mas provavelmente eu não estaria aqui escrevendo sobre o filme se não o tivesse visto de novo por esses dias. Além de comprovar que o filme continua atual, e foi realmente muito bem feito, algo me chamou atenção quando comparei as duas vezes que o vi, com 16 anos de diferença: o filme fala diferente para pessoas diferentes, e para fases diferentes da mesma pessoa.

Não é grande novidade que a experiência de quem assiste um filme varia de acordo com a sua vivência. Pros dois lados: há filmes que se não forem assistidos enquanto jovem, não vão ter grande apelo quando mais velho (Curtindo a Vida Adoidado, por exemplo). Mas me surpreendeu o quanto isso afeta a visão que tive de Beleza Americana aos 22 e agora aos 38 anos.



A primeira coisa: aos 22, me parecia que Lester Burnham era quase aposentado, que olhava do fim da vida e via que a tinha desperdiçado. Qual não foi minha surpresa quando logo na introdução ele diz que tem 42 anos. É pouco mais que a minha idade. O que me pareceu muito distante lá atrás de repente é algo muito próximo hoje. E isso me fez "sentir" muito mais a dor que ele sente, já que agora ele me parece "novo" e já desanimado da vida que passou anos construindo.

Outro ponto que passei a entender melhor: o "vilão" do filme, sob o ponto de vista de Lester, não é a idade, a velhice. É o conformismo, a desesperança. É estar longe do fim da estrada mas já achar que tomou o caminho errado e não se ver com forças para voltar e trocar de caminho. E não apenas ele: a seu modo, cada um dos personagens se vê em seu próprio caminho sem volta. Talvez seja essa a tal "Beleza Americana": você tem toda a condição de escolher de que maneira vai ficar insatisfeito.

É o principal mérito do filme também, conseguir mostrar sua mensagem de maneira diferente para cada um que o assiste. Ou, no meu caso, para cada fase da vida que assistiu. Não é pouco mérito.

Nota: 8,0


sábado, 16 de março de 2013

Maratona de filmes março/2013


O post de hoje é um pouco diferente. Aliás, bem diferente. Eis que me encontro, sozinho em casa, sexta-feira à noite. Esposa na pós (hoje de noite e amanhã o dia todo), filha passando uns dias com a avó. Foi assim que me surgiu a ideia: tenho tantos filmes que ainda quero ver, e normalmente tão pouco tempo para vê-los, que tal passar esse tempo todo (adivinhem) vendo filmes?

Pois bem, é isso que vou fazer. Começando agora (sexta, 20:30), e amanhã o dia todo, pretendo assistir algo em torno de 7-8 filmes. E descrever a experiência aqui, não só falando sobre os filmes mas também sobre a maratona em si, se eu aguentar até o fim.

A escolha dos filmes? O único critério é que eu não tenha visto ainda (ou que, por tempo ou outra razão, não me lembre mais dele). No mais, pretendo variar bastante de gênero, país, época, tipo... Nada contra, por exemplo, uma maratona de filmes do James Bond, mas não é essa a minha ideia hoje (portanto, pode parar de me chamar, box de Star Wars...)

Outro critério é que o filme da noite não seja mudo, longo ou devagar demais. Acabei de parar de trabalhar, a chance de dormir na frente da TV é enorme.


Assim, também em homenagem aos 70 anos de David Cronenberg completados hoje, um filme via Netflix: eXistenZ (1999). Seguindo a linha dos demais filmes do diretor, tem características de realidade distorcida, contando a história de um jogo de realidade virtual jogado através de conexões bio-mecânicas. A criadora do jogo (Jennifer Jason Leigh, uma das atrizes mais subestimadas do cinema) é atacada por uma organização que é contra a fuga da realidade que o jogo produz. Não é um filme para todos, tem um quê de bizarro, mas a história é muito interessante, e imagino que tenha influenciado muitos filmes mais recentes, como Inception, por exemplo. Muito bom filme, com vários "plot-twists". Nota: 7,0

Continuando, acho que por hoje (sexta-feira) é só. São quase 23h e a perspectiva é de um dia longo de filmes amanhã.


Já dormi, acordei, corri e comi, então resolvi começar o dia com um filme mais leve para ir devagar: Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, 1935), comédia dos irmãos Marx em que eles tentam ajudar um casal de cantores a ficarem juntos e a fazer sucesso na ópera. Nunca tinha pensado em uma grande diferença entre o drama e o humor: as histórias dramáticas são clássicas, e "esqueletos" de roteiro funcionam bem desde o início do teatro na Grécia Antiga, como o amor não correspondido, as diferenças sociais impedindo casais de serem felizes e outros. Já o humor é tremendamente mutante. O que faz as pessoas rirem hoje provavelmente não as fará em 20 ou 30 anos. Não existem grandes histórias clássicas de humor. Tudo isso para dizer que, apesar de clássico, para mim esse filme envelheceu muito mal: todo baseado em "gags" físicas e nas frases espirituosas de Groucho Marx, quase 80 anos depois perdeu toda a sua novidade. E o tanto de números musicais torna a hora e meia de filme um suplício. Nota: 4,0.


Um café depois, e segue a maratona, com Cova Rasa (Shallow Grave, 1994). Primeiro filme para o cinema de Danny Boyle (Trainspotting, A Praia, Quem Quer Ser um Milionário?), já mostra tanto na direção quanto nas atuações (adoro a fase "escocesa" de Ewan McGregor, pra mim um excelente ator) o amadurecimento que continuaria 2 anos depois em Trainspotting. Conta a história de 3 amigos que moram juntos, e acabam aceitando mais um morador para dividir as despesas. Logo em seguida, o novo morador tem uma overdose no quarto, e eles descobrem uma mala de dinheiro escondida. A evolução de cada um dos personagens é notável, e aos poucos a situação vai exercendo sobre eles uma pressão que se torna insuportável. Ótimas atuações (coincidentemente, é o segundo filme de Christopher Eccleston nessa maratona, 2 boas atuações), e o roteiro com aquele jeitão inovador e abusado de filme iniciante. Nota: 7,0


Depois do almoço, hora de falar sério. Um dos filmes que todo mundo mais se espanta quando digo que não vi. Problema resolvido agora: Taxi Driver (1976). Nem preciso falar sobre a história, nem sobre a atuação de Robert de Niro (e queriam dar o Oscar pra ele por O Lado Bom da Vida????). Aliás, o grande problema foi esse: depois de ouvir falar tanto do filme, de já saber os pontos principais da história (ele leva a namorada no cinema pornô, tenta salvar a menina prostituta, mata um monte de bandidos, e tal), o filme perde um pouco do impacto. Não é culpa do filme, claro, mas minha por não tê-lo visto antes. De todo jeito, grande história, refletindo bastante o momento da história americana em que se passa, final da Guerra do Vietnã, país com moral baixa, veteranos voltando e não conseguindo se encaixar de volta. A direção de arte e fotografia são absolutamente fantásticas, essas sim me surpreenderam bastante. Scorsese é Scorsese, afinal, e esse, um de seus primeiros trabalhos, já mostra seu potencial. Nota: 7,0.


Pra quebrar um pouco o clima "pra baixo" do fim de tarde, nada como uma animação. Já tinha ouvido falar bastante de Wall-E (2008), até comecei a assistir uma vez, mas nunca tinha ido até o fim. Que filme fantástico! Quase sem falas na primeira metade, mostra que existem muitas maneiras de se passar a mensagem que se quer. Mostra também que o discurso ambientalista e contra o consumismo exagerado é importante e não precisa ser chato. E principalmente, mostra que personagens carismáticos podem fazer milagres por uma história. Difícil não se pegar torcendo pela "vida" e pelo "amor" entre dois robôs, e se emocionando no final. Pixar é foda. Podem me julgar à vontade, mas por enquanto é o melhor filme do dia (é, melhor que Taxi Driver). Nota: 8,1 (passa a ser o 58o. lugar na minha lista de filmes favoritos)


E, pra fechar a noite (embora eu ainda tivesse alguns filmes na fila), um clássico, muito mais denso e interessante do que eu imaginava: Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire, 1951). Que a atuação de Marlon Brando seria poderosa eu até já imaginava, mas, por não ter visto ...E o Vento Levou não tinha ideia de que Vivien Leigh pudesse ter uma atuação tão arrebatadora. Segundo li, ela se entregou tanto ao papel, que depois desse filme (por sofrer de transtorno bipolar) passou a confundir sua vida com a de sua personagem. Uma atuação que faria corar a maioria das vencedoras de Oscar de Melhor Atriz das últimas décadas, que acabam ganhando mais por transformações físicas que pela atuação (já falei mal de O Lado Bom da Vida aqui, não vou falar de novo, mas Jennifer Lawrence passa vergonha perto de Vivien Leigh).

Além disso, a história, adaptada de uma peça de Tennessee Williams, é fantástica. Nota-se que em alguns momentos foi suavizada devido ao código de regras de Hollywood à época, mas ainda assim é difícil imaginar um filme tão ousado e chocante hoje em dia. A história da mulher metida a aristocrata que perde tudo e vai morar com a irmã submissa e o marido violento, e cujos segredos aos poucos vão se revelando, é um tratado de personalidade, e o filme vai evoluindo os personagens aos poucos, contando com roteiro e atuações maravilhosos. Um belo final para um dia inteiro de filmes. Nota: 8,5 (passa a ser o 34o. lugar na minha lista de filmes favoritos)

Ah, e me recuso a usar a incompreensível tradução do título para português Uma Rua Chamada Pecado. Não faz sentido algum.

Acho que consigo ver mais um filme...

É isso. Sinceramente, esperava ter conseguido ver pelo menos mais um, mas os próximos da fila aqui eram muito longos (estava entre Duna e Lawrence da Arábia), e ainda tive que dar uma saída no meio do último que deu uma quebrada no cronograma. Não estou exatamente como nessa foto, mas são 23h de sábado e acho que não consigo ver mais nada. De todo jeito, 6 filmes em pouco mais de 24h é uma boa marca, e em geral foi uma experiência positiva, tendo visto alguns ótimos filmes. Quem sabe não faça de novo algum dia.

E, se algum de vocês heróis leitores, conseguiu chegar até aqui, comente! São 6 filmes, duvido que não tenham visto pelo menos um, e queiram discordar de algo (ou tudo) que falei. É só usar esse espaço logo aqui embaixo....

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Lista de Schindler (Schindler´s List, 1993)


A II Guerra Mundial, especialmente o nazismo, está provavelmente entre os assuntos mais retratados no cinema, de todas as maneiras imagináveis. Desde um foco histórico, retratando os grandes atores do conflito (como em A Queda), seja com foco nos conflitos (A Ponte do Rio Kwai, ou as minisséries The Pacific e Band of Brothers), ou até com um tanto de realismo fantástico (Bastardos Inglórios). Esse filme, que marcou a consagração e o reconhecimento definitivos de Steven Spielberg (pelo menos em termos de Oscars), conta uma história sob o ponto de vista dos judeus, e de um industrial alemão que, com o desenrolar da guerra, percebe o mal que está sendo impetrado e tenta fazer algo para minimizá-lo.

A história é essa mesmo: ao se mudar para a Polônia durante a guerra para aproveitar a mão de obra barata dos judeus para montar uma fábrica de armamentos, o empresário Oskar Schindler (junto com seu contador judeu), começa timidamente a salvar alguns judeus sem condições de trabalho, alegando que fazem parte de sua força de trabalho e evitando que sejam mandados para campos de concentração. No momento em que o gueto onde sua fábrica está é fechado, e todos os judeus serão enviados para Auschwitz, ele utiliza sua fortuna e influência para garantir salvar o máximo possível de pessoas.


Spielberg intensifica ainda mais nesse filme a carga dramática que é sua característica, em um projeto extremamente importante sob o ponto de vista pessoal, uma vez que é descendente de judeus. Isso de certa forma é esperado, até. Um ponto mais surpreendente são as atuações. Não porque os atores sejam ruins ou venham de más atuações, mas porque entregam performances muito intensas, e ótimas, contribuindo demais para a carga dramática do filme. Ben Kingsley é um excelente ator e aqui prova isso mais uma vez. Liam Neeson (na época, praticamente um desconhecido, tendo como único papel de destaque até então o filme Darkman - Vingança sem Rosto) tem a atuação de sua vida como Oskar Schindler, sendo responsável por  boa parte do sucesso do filme (e começa a pavimentar o caminho para seu sucesso no papel de mentor - como descrito com bastante humor aqui - afinal ensinar Obi-Wan Kenobi, Darth Vader e Batman não é para qualquer um). Mas a alma do filme, no papel do diretor nazista do gueto judaico Amon Goeth, é Ralph Fiennes (também desconhecido na época). Sua imersão no personagem é impressionante, e ele encarna fielmente um personagem psicopata, que faz as maiores atrocidades sem demonstrar emoções, e ao mesmo tempo mostrando desequilíbrio em alguns momentos. Só quem nunca viu esse filme acha que Voldemort, de Harry Potter, é seu vilão mais assustador.



No mais, a tradicional competência de Spielberg, em termos de roteiro, fotografia (o preto e branco com alguns toques de cor chega a ser comovente), trilha sonora, compondo um filme tecnicamente próximo da perfeição. As cenas do holocausto são muito bem feitas, realistas e passam uma emoção enorme, dando rostos aos números infames de que ouvimos falar quando se diz sobre a guerra. Mas não é isso o que me fez ter vontade de escrever sobre esse filme agora.


Assisti esse filme pela primeira vez no cinema, no lançamento (ah, a época de escola), algo como 18 anos atrás. Adorei, me impressionei demais, mas nunca mais havia visto novamente. Conforme até comentei no Facebook outro dia, peguei o filme quase por acaso começando no Telecine Cult. Resolvi assistir, e logo percebi que, em certos casos como esse, quem você é faz uma diferença enorme na visão e no entendimento que tem do filme. Não que eu fosse um completo idiota aos 17 anos, mas ter vivido um monte de coisas a mais, ser pai, e até ter opiniões mais firmes sobre o mundo e sobre relações e injustiças fazem uma enorme diferença na mensagem que você captura do filme. Inclusive, nesse caso, abri uma exceção: apesar de meu ranking de filmes considerar sempre a nota da primeira vez que assisti, fui na planilha e aumentei a nota que havia dado originalmente. Mereceu, e muito. Para mim foi quase outro filme.

É um filme sublime, e entendo que não é nada que falo aqui que fará alguém mudar sua opinião ou gostar mais do filme. O que eu posso dizer aqui é: às vezes existem momentos ou fases mais certas para apreciarmos certos filmes. Percebi isso da melhor maneira possível.

Nota: 8,6 (29o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Perfume de Mulher (Scent of a Woman, 1992)


Voltando aos anos 90, um dos filmes aos quais ouço mais elogios. É a história de um garoto (Chris O´Donnell), que apesar de estudar em um colégio abastado (com bolsa), passa por dificuldades financeiras e é contratado para cuidar de um militar cego e aposentado (Al Pacino), tentando ganhar algum dinheiro, enquanto é pressionado pela direção da escola a entregar alguns colegas que aplicaram um trote. Considerado uma pessoa difícil até pela família, que viaja para o feriado de Thanksgiving e o deixa aos cuidados de alguém, o Ten-Cel. Slade se recusa a ficar em casa conforme previsto, e faz com que Charlie (o garoto) o leve para Manhattan. No processo, o que iniciou como um relacionamento forçado e distante vai se tornando uma amizade, com Slade atuando como um improvável mentor junto a Charlie.

Eu gosto do filme. Mas provavelmente não tanto quanto a média. Não há como negar a estupenda atuação de Al Pacino (uma das suas últimas realmente boas, antes de bombas como S1m0ne), pela qual inclusive recebeu o Oscar de Melhor Ator. Sua interpretação do militar cego é impressionante e soa extremamente realista. Dá para ver o quanto ele se entrega ao papel. No entanto, em uma análise fria, o filme vai muito pouco além disso. Claro que já falei aqui sobre filmes que se apóiam em uma única cena (Letra e Música) ou mesmo em uma grande atuação (Piaf), mas para mim há uma diferença. Me permitam tentar explicá-la usando uma metáfora futebolística (se o ex-presidente pode, eu também posso).

Até o Al Pacino gosta de futebol.

Imagine um time com um grande craque e 10 jogadores medianos, comuns. Esse time possivelmente vai ganhar alguns (ou muitos) jogos. Mas, em geral, duas coisas podem acontecer: o craque carrega o time nas costas sozinho, ou então seu jogo faz com que os demais jogadores acabem se superando e jogando mais do que sabiam. Acho que já está claro onde quero chegar... Só para ficar em Al Pacino, em O Advogado do Diabo, outra fantástica atuação sua, ele puxa a qualidade geral do filme para cima. E olha que estamos falando de Keanu Reeves e toda a sua expressividade. A história, as atuações, o clima do filme se beneficiam de sua presença.

Para mim, não é o que acontece em Perfume de Mulher. Continuando um pouco mais com o futebol, é como se o time todo jogasse em função só do craque. Soa como se o filme fosse apenas uma ferramenta para mostrar a genialidade de Pacino. E, não me levem a mal, funciona muito bem, e o resultado geral é bom. Em muitos momentos seu brilho torna fantástico o que estamos assistindo. Mas, para que fosse um filme ótimo, acho que falta um pouco mais de unidade entre suas partes (convenhamos, Chris O´Donnell tem como "destaque" em sua carreira, além desse filme, 2 participações como Robin em filmes do Joel Schumacher. É bem pouco). E, embora o time de um só craque ganhe jogos e tenha seus brilhos, pode sentir dificuldade quando comparado a um que tenha como força o conjunto, sem nenhum destaque individual (tá aí a semifinal da Libertadores entre Santos x Corinthians que não me deixa mentir).

Tá bom, tá bom, chega de futebol.

Com tudo isso, como eu disse, eu gosto do filme, embora o ache meio Sociedade dos Poetas Mortos demais, se apoiando sobre uma grande atuação e um senso meio pretensioso de profundidade filosófica para parecer mais do que é. No entanto, se assistido como um grande monólogo de um grande ator, é uma experiência pra lá de prazerosa.


Nota: 7,0

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Lua de Fel (Bitter Moon, 1992)


Há atores que se transformam quase em "gêneros cinematográficos". São aqueles cuja presença em um filme em geral já diz tudo o que você precisava saber sobre o filme: o tipo, gênero, história, tom, e algumas vezes até o final da história podem muitas vezes ser inferidos apenas olhando quem participa dele. Hugh Grant é um exemplo (até já falei sobre isso aqui), Meg Ryan é outro (e por isso achei Em Carne Viva tão surpreendente), além, é claro, de brucutus como Stallone e Schwarzenegger (tirando desvios como Um Tira no Jardim de Infância).

Mas não é Hugh Grant o caso em discussão aqui (ele está nesse filme, mas apesar de seu papel ser meio que o de sempre, a história é bem diferente das quais estamos acostumados a vê-lo). Lua de Fel se encaixa em um tipo de filme geralmente tenso, abusado, chocante, com temática sexual, livre de amarras de pudor e convenções sociais, e portanto, não feito para todos os gostos. Esse tipo de filme fatalmente terá um de 2 atores (ótimos, por sinal), que para mim, simbolizam exatamente do que falo: Jeremy Irons (Lolita, Madame Butterfly, Gêmeos: Mórbida Semelhança e outros), para mim um ótimo ator, em geral subestimado justamente pelo tipo de filme que faz, e Peter Coyote, que é um dos atores principais deste Lua de Fel (e que também estrelou A Grande Arte, dirigido por Walter Salles - daí dá pra ter uma ideia).

No filme, Hugh Grant e Kristin Scott Thomas (Nigel e Fiona, mais britânicos, impossível) são um casal em lua de mel em um cruzeiro indo para Istambul, que conhecem um escritor americano paralítico, Oscar (Coyote) e sua namorada francesa Mimi (Emmanuelle Seigner, linda). Inicialmente se sentem ofendidos pelo jeito rude e grosseiro do escritor, mas, um pouco por se sentir atraído por sua namorada, o personagem de Hugh aceita sua proposta de conhecer a história de suas vidas, como se conheceram e chegaram ali.


É a partir daí que a história fica mais densa, e o desejo de Nigel por Mimi vai se acentuando conforme as sessões com Oscar vão aprofundando mais em sua história chocante. Não vou entrar aqui nos detalhes da história, que obviamente é bem mais interessante assistida, mas queria falar um pouco sobre o quanto gostamos ou odiamos nos sentir chocados, ou seja, até que ponto nossa moral limita o que queremos ver (não entrando no mérito de o que nos dispomos a realizar, já que esse é um blog de cinema, a arte "voyeur" por definição).

Eu, pessoalmente, vejo uma diferença grande entre o "choque gratuito" e aquele que se insere em um contexto. Ou seja, filmes e pessoas que apresentam algo para gratuitamente chocar ou escandalizar alguém perdem muitos pontos comigo (um exemplo besta é a Lady Gaga aparecendo em uma festa dentro de um ovo gigante - convenhamos, isso é ridículo, e pessoas só fazem isso porque há desocupados que repercutem). Para mim, o exemplo clássico cinematográfico é Almodóvar (pausa para desviar das pedradas): reconheço méritos em seus filmes, inclusive tendo gostado muito de A Pele que Habito, o mais recente, mas acho que ele perde a mão muito facilmente. Exagera mesmo. Suas comédias são bastante honestas, especialmente as do começo da carreira, mas o tipo de drama que ele geralmente faz traz forçadas de barra desnecessárias, estilo novela mexicana mesmo, sem uma contraparte na história, ou seja, ele poderia contar as mesmas histórias de maneira menos sensacionalista. Ou sou eu que tenho, afinal, um baixo limite para me sentir ofendido, como claramente aconteceu em Má Educação.

Voltando ao filme em questão, claro que mentes mais sensíveis podem se escandalizar, mas o diretor Roman Polanski, na minha opinião, insere os momentos mais agressivos da história em um contexto bastante interessante. Claro que o filme não é perfeito, e em alguns momentos ele perde a mão um pouco, mas o filme deixa um saldo positivo.

Acho que, como falei antes, tudo se resume ao gosto pessoal de cada um. Como eu disse, o filme claramente não é para todos, mas aqueles que se dispuserem a abdicar por 2 horas de alguns preconceitos poderão gostar bastante. Além disso, como já disse em vários outros posts, acho que o cinema fica mais interessante quando nos leva, de maneira consistente, a experiências que não tivemos (ou não teremos) em nossas vidas, seja viajando entre galáxias, visitando a Idade Média, ou, como é o caso aqui, entrando na mente, relacionamentos e preferências sexuais de outras pessoas. Em resumo, eu gostei do filme e recomendo. Nem que seja para fazer como Hugh Grant no filme, e se sujeitar a uma história pesada só para ver a garota bonita... :-)

Nota: 6,0

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993)


Já vou adiantando que essa é minha comédia favorita de todos os tempos. Daquelas que posso assistir quantas vezes for, e vou rir e adorar cada uma delas.

O filme conta a história de um homem do tempo egocêntrico e mal humorado (Bill Murray, novamente muito bem, passando muita credibilidade - e fazendo um pouco o papel dele mesmo) que vai contra a vontade cobrir, pelo quarto ano seguido, um evento que ele considera irrelevante (o tal Dia da Marmota). Chegando lá, na minúscula cidade de Punxsutawney, ele acaba tendo que passar a noite, devido a uma nevasca (a qual ele não tinha previsto, apesar de ser o homem do tempo) que fecha as estradas.

Ao acordar no dia seguinte, ele descobre que na verdade não é o dia seguinte, e sim o Dia da Marmota de novo. Tudo em sua volta acontece exatamente da mesma maneira que no dia anterior, e ele parece ser o único que percebe o que está acontecendo. É muito divertido todo o processo de ele primeiro entender o que se passa, depois passar pelas fases de duvidar, tentar entender, aproveitar, se desesperar.

Nesse ponto é que algumas soluções inteligentes de roteiro fazem toda a diferença. Você percebe essas coisas quando ouve o comentário do DVD. A decisão de não explicar o porquê dos dias se repetirem é ótima, pois tira o assunto da frente, não fazendo o filme perder tempo em explorar nada. Além disso, a dinâmica da repetição dos dias é muito bem escrita e editada, com partes fantásticas (ele decorando o que vai acontecer para se beneficiar, ou perguntando sobre a vida das mulheres para no dia seguinte fingir que as conhece).


Claro que com o tempo, ele começa a se tornar uma pessoa melhor, e a se aproximar de sua produtora (Andie McDowell), com a "maldição" de que a cada dia ela volta a vê-lo como um insuportável e mimado ex-famoso. Aliás, vários atores estão muito bem: tanto Bill Murray (um dos melhores comediantes que conheço, especialmente nesses papéis mais cínicos), Andie McDowell, como alguns coadjuvantes, como o amigo que vende seguros, o câmera, e outros. Mas o destaque são mesmo as situações causadas pela repetição dos dias: a mesma música tocando no alarme todo dia, ele tentando se suicidar para quebrar o ciclo, aprendendo a tocar piano, fazer esculturas de gelo, e tal. É, de fato, apesar da premissa relativamente batida, um filme muito original e engraçado, e que faz pensar. Afinal, quem já não se sentiu preso na mesma realidade dia a dia...?

Nota: 9,5 (5o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Antes do Amanhecer / Antes do Pôr do Sol (Before Sunrise, 1995 / Before Sunset, 2004)


Pela primeira vez, faço um post duplo aqui, falando ao mesmo tempo de dois filmes. Acho que com esses não tem jeito mesmo, os filmes são entrelaçados demais (apesar de terem sido lançados com 9 anos de diferença) e fica bem difícil falar de um separado do outro. Aliás, parece que já foi anunciado recentemente um terceiro filme da série (não imagino qual seria o nome, Before Night talvez?), novamente 9 anos depois do último, que continuaria a história dos dois.

Para quem não conhece, Antes do Amanhecer, o filme de 1995, conta a história de dois jovens (Ethan Hawke e Julie Delpy) que se conhecem por acaso em um trem de Budapeste a Viena. Conversam, sentem uma certa afinidade, e ao descer em Viena, ele a convida para passar a noite com ele, já que seu voo de volta para os Estados Unidos é só na manhã seguinte e ele não tem onde ficar. Ela topa, e o filme mostra essa noite dos dois, antes que se despeçam, talvez para sempre. E o filme é uma grande conversa, a partir daí, entrelaçada com algumas cenas de aproximação entre os dois. Falam sobre a vida, o porquê de estarem ali, sobre o que os espera, e tal. No final (o suprassumo do amor platônico), concordam em se encontrar na mesma estação de trem 6 meses depois, não trocando nenhum dado de contato, pois "se o destino quiser, eles se reencontrarão".


Parece, mas não é chato. É apenas um ritmo diferente do que estamos acostumados, acho. E é interessante ver os personagens se conhecendo, dividindo suas vidas, e a esperança em um futuro que nessa altura ainda parece muito longo. É legal também sentir o idealismo e a crença no destino de quando se é jovem. Por isso, falo deste filme junto com Antes do Pôr do Sol. No segundo filme, eles se reencontram 9 anos depois, em Paris, e falam sobre o que aconteceu em suas vidas nesse período. Dá pra sentir a mudança em cada um deles com o que foram vivendo, e o quanto vêem a vida de forma diferente. Descobrimos também se os dois chegaram a se encontrar ou não depois do primeiro filme.



Para mim, a jogada de gênio foi esse segundo filme (e espero que o terceiro também). Não por ser um filme muito melhor que o primeiro, ou por trazer alguma novidade, mas pelo fato de revisitar personagens que já eram conhecidos um tempo depois, e contar o que aconteceu com eles. É como reencontrar alguém que você não vê faz tempo: apesar de um estranhamento inicial, muito rapidamente parece que vocês se viram todo dia. E o filme faz isso muito bem. Quem não gostaria de "saber" onde estão hoje, por exemplo, os personagens de Friends, a quem acompanhamos durante 10 anos e não vemos há quase isso? Me surpreende até, que de tantas continuações que são feitas de outros filmes, pense-se tão pouco em algo desse tipo. (Voltando a um post anterior, acho que foi isso que gerou tanto burburinho com a mera possibilidade, depois não confirmada, de uma continuação de Curtindo a Vida Adoidado).

Eu gostei dos dois filmes. Não tanto quanto a minha esposa, que até hoje diz que são seus preferidos de todos os tempos, mas acho legais. Mas não era mais fácil trocar telefones? :-)

Notas: 6,0 / 7,0

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Encaixotando Helena (Boxing Helena, 1993)


Esse é um filme que entra na categoria "bizarrices". Na época, essas coisas se espalhavam no boca a boca: todo mundo já tinha ouvido falar desse filme em algum momento, mas poucos tinham visto, e era até difícil achar o VHS(!) na vídeolocadora (!). E não é para menos. A história é muito absurda: Um cirurgião fica obcecado por uma mulher, com a qual saiu apenas uma vez. Começa a persegui-la até que esta sofre um atropelamento. Ao socorrê-la, a traz para dentro de casa e a aprisiona. Quando ela tenta fugir, ele corta seus braços e pernas e a coloca em um altar. (?!?!?!)

Ou seja, bizarro. Acaba sendo curioso, já que temos que admitir que não é uma premissa comum. O ator principal (como não poderia deixar de ser) tem um jeito absurdo de psicopata (mas manda até bem no papel), ele que já foi até vilão do 24 Horas. Curioso também por nos mostrar até que ponto pode chegar alguém obcecado (embora o cinema tenha exemplares melhores desse subgênero, como Louca Obsessão, Mulher Solteira Procura e Atração Fatal, entre outros). Acho sempre interessante (quando é bem feito) observar personagens com comportamentos que não vemos no dia a dia, e tendo reações pouco comuns.

E por que então eu resolvi falar desse filme entre todos os melhores? Bom, primeiro, como eu já disse outras vezes, gosto de falar de vez em quando sobre filmes aleatórios, que com certeza pouca gente deve ter visto. Esse, especificamente, acho até difícil que consigam ver hoje em dia, já que desconheço lançamento em DVD e até no youtube é difícil achar. Mas é interessante falar sobre ele assim mesmo, justamente pelo desconhecimento e pela premissa diferente. E não sou só eu: o filme virou meio "cult", como a maioria dos filmes ruins e bizarros :-)



E o filme? Bom, tirando a ideia original, o filme não é lá essas coisas. Dá pra ver pela cena do atropelamento que coloquei aqui em cima. A atriz é até um tanto famosa, mas não atua tão bem assim, e a história não se desenvolve como poderia. É o filme de estreia da filha do David Lynch, daí dá pra tirar uma ideia. E a "reviravolta" no final do filme é revoltante de tão ruim. Ou seja, vale pela curiosidade. E para tomar muito cuidado ao atravessar a rua após uma discussão com um ex psicopata. :-)

Nota: 4,0

terça-feira, 22 de maio de 2012

Os 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995)

Outro sub-gênero de filmes que eu adoro é o de viagens no tempo. Já falei aqui sobre Meia Noite em Paris, que apesar de, de certa maneira, ter viagens no tempo, não é na minha opinião um filme SOBRE o tema, e de O Exterminador do Futuro 2, esse sim um filme mais clássico de alguém viajando no tempo para evitar que algo aconteça.

Já esse Os 12 Macacos é um filme excepcional, que aborda esse tema de passado e futuro, mas vai além, não apenas na história, um suspense a princípio meio confuso e recortado, mas que aos poucos vai se tornando extremamente cativante, mas também em toda a ambientação do filme, tanto no futuro quanto no presente. O diretor é o ex-Monty Python Terry Gilliam, e seu toque um tanto surreal é visto em todo o filme, especialmente no futuro distópico onde a humanidade foi forçada a se mudar para os subterrâneos depois que um vírus mortal dizimou 99% das pessoas.

Cole (o personagem de Bruce Willis, ótimo) é um prisioneiro nesse futuro, que concorda (um pouco contra a vontade) de participar de experimentos de viagem ao passado (com o toque genial de que nem sempre elas funcionam muito bem, ou seja, não há certeza de volta e nem precisão no destino), para tentar localizar uma amostra deste vírus antes de suas mutações, para que seja buscada uma cura que permita aos humanos voltarem à superfície, uma vez que o passado não pode ser alterado, e portanto a epidemia não pode ser evitada.

Na sua viagem ao passado (os dias atuais), Cole é dado como louco, e portanto internado. Lá conhece a psiquiatra Kathryn (Madeleine Stowe, para mim uma atriz subvalorizada, e que sumiu), e Jeffrey (Brad Pitt), um louco que chefia um grupo de anarquistas chamado O Exército dos 12 Macacos, suspeitos pelos cientistas do futuro de serem os responsáveis pelo "outbreak" do vírus. A história se complica bastante, e o final é sensacional, mas além disso a fotografia e o visual do filme são muito bons também. As atuações são ótimas, com destaque de longe para Brad Pitt que, acredito eu, começou a mostrar nesse filme que de fato é um bom ator e não apenas o queridinho das mulheres, chegando a ganhar um Globo de Ouro por seu papel nesse filme.


Interessante notar como os filmes de viagem no tempo podem ser divididos em 2 tipos: aqueles em que o passado pode ser mudado (como De Volta para o Futuro) e os que consideram a história passada imutável (como esse). Em geral,  acabam sendo filmes mais sombrios, em que a noção de destino e de inevitabilidade da vida estão mais presentes. Não sei dizer se tenho um tipo favorito entre os dois, ambas as correntes têm filmes muito bons. Eventualmente falarei mais sobre eles por aqui. Por enquanto vai a indicação de um filme excelente, que até quem não é fã de ficção geralmente gosta.

Nota: 9,25 (10o na minha lista de filmes favoritos)

sábado, 12 de maio de 2012

Um Dia de Fúria (Falling Down, 1993)

Bom, ando falando muito dos meus Top 50, então queria voltar aos filmes "comuns". Sei lá porque lembrei desse, nem tenho em DVD, e deve fazer uns 10 anos, pra mais, que não assisto. Isso deve dizer alguma coisa sobre o meu humor ultimamente... :-)

Por alguma razão, esse filme ficou marcado, apesar de não ter tido um grande destaque. Acho que todo mundo já deve ter assistido em algum Supercine da vida: em um momento de stress um homem querendo ir encontrar sua filha abandona o carro e tenta ir a pé, encontrando situações que só fazem com que sua raiva aumente. O que era um momento de insanidade se transforma em algo muito mais grave, quando um policial prestes a se aposentar resolve descobrir o que está acontecendo.

O que sei é que quase todo mundo já teve o seu "Dia de Fúria"... Aliás, meu primeiro destaque é para o título em português, um dos poucos que provavelmente é melhor do que em inglês, caracterizando exatamente o que acontece com o protagonista. Acho que é por isso que esse filme ficou tão marcado, todo mundo já teve vontade de fazer exatamente o que ele fez.

Michael Douglas está muito bem, passando em cada cena o desespero crescente do sujeito. Robert Duvall é o tradicional clichê do policial quase aposentado, que mesmo já não tendo mais porque, resolve investigar essa série de pequenos crimes aparentemente desconexos.

Mas o principal destaque do filme são as situações. Parece que de fato, em um dia ruim, qualquer um de nós poderia, no limite, ter a mesma reação dele. A cena do McDonald´s é clássica: primeiro ele chega pedindo o café da manhã às 11:05 e a balconista diz que só pode servir até as 11:00. Depois de alguma briga, ele então pede um sanduíche, e ao comparar o que recebeu com a foto "meramente ilustrativa", acaba destruindo o restaurante. Exagero? Sim. Mas quem nunca teve vontade?


Da mesma maneira, ele reage contra assaltantes, imigrantes ilegais, neonazistas, o trânsito, e basicamente tudo que passa à sua frente.  Claro que a história não acaba bem, mas o importante destacar aqui é o quanto compreendemos o personagem em sua angústia, e de certa maneira até justificamos suas reações, chegando até a "torcer" por ele.

Afinal, quem nunca teve um dia de fúria?

Nota: 7,0

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Matrix (1999)

Foi só em 1999, último ano de faculdade, quando vi Matrix no cinema (aquela época em que ainda íamos ao cinema sem saber direito o que esperar do filme), que entendi o impacto que devem ter tido filmes como Star Wars e Blade Runner quando estrearam. Um filme tão diferente, tanto na história como no visual, dos anteriores que simplesmente mudou o conceito de ficção científica. Aquele filme que te faz querer vê-lo várias vezes, discutir, entender, aprofundar e estender o que viu, e cujo impacto você acaba só entendendo um tempo depois. Nada como ser contemporâneo de uma revolução para entender de fato seus efeitos. Como eu disse anteriormente, talvez seja isso que tenha me faltado para que eu gostasse de Blade Runner.

Mas será que de fato Matrix foi uma revolução ou um "hype" coletivo?

Assisti novamente o filme outro dia, e continuo acreditando que o filme foi um "divisor de águas" (olha o chavão), tanto em termos de história (juntando a ficção com filosofia, ação, dramas existenciais) como em execução (o "bullet time", que na época foi um frisson, aparecendo em 78% dos filmes nos anos seguintes, até no Shrek...). Claro que nada disso é original e inventado aqui, mas o grande mérito do filme foi combinar todos esses fatores em uma história inteligente e atrativa para o grande público.

Nerds ao redor do mundo foram ao delírio. Não só o filme povoou todos os fóruns de discussão da então recém-popularizada internet, como principalmente mostrava o viciado em computador como alguém à frente dos demais, mais inteligente e "cool" ao mesmo tempo...

O filme tem seus (muitos) méritos. Quem nunca imaginou se a realidade que conhece é de fato verdadeira? Quem nunca se sentiu deslocado do mundo ao seu redor? O filme aproveita essas questões primordiais e misturando-as com outros conceitos filosóficos ("A Caverna de Platão", por exemplo), juntando cenas empolgantes, para contar a história de um "hacker" que é recrutado por rebeldes que mostram para ele que o "mundo real" em que vivemos é uma simulação de computador, destinada a manter os humanos em animação suspensa para servirem de fonte de energia para as máquinas, que no passado criaram inteligência e ganharam uma guerra contra os humanos. Tudo isso com efeitos especiais caprichados (e quase todos, inéditos), uma trilha sonora legal, e atores decentes (tirando o Keanu Reeves, claro, que deve ser o ator mais sortudo do mundo: mesmo ruim, está em vários sucessos). Não tinha como dar errado.

Sempre digo que é muito especial quando um filme consegue captar e transmitir conceitos profundos sem se tornar intragável. Matrix faz isso com muita competência. Claro que as sequências se tornaram pretensiosas e ininteligíveis (o que é o discurso do Arquiteto no filme 2?), estragando a mitologia, mas para mim esse filme individualmente (e talvez com o apoio dos curtas de animação Animatrix, que explicam um pouco mais sobre o universo e suas características) é, sim, revolucionário. Não à toa, é um dos meus filmes favoritos, e, claro, sempre me faz pensar (um pouquinho que seja) se não é verdade mesmo. Coisa de nerd...

Nota: 9,1 (13o. lugar na minha lista de filmes favoritos)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

American Pie (1999)

Não dá pra falar o tempo todo só dos Top-20. Outros filmes não-épicos, porém legais (e até os ruins mesmo) também merecem seu espaço aqui. Aproveitando o lançamento de um novo filme da franquia (que, incrivelmente, parece ser bom), vou falar do primeiro, talvez o único que presta de uma infinidade de lançamentos posteriores.

Em 1999, eu já não era mais um adolescente (pelo menos no RG). Mas as histórias de adolescente ainda eram muito recentes na memória, até por ainda estar na faculdade. E esse filme, especialmente, apesar da parte tipicamente americana (baile de formatura, irmandades e tal), tem alguns temas universais da adolescência: dificuldades com garotas, amizade, incerteza sobre o futuro. E é muito engraçado.



Me pergunto também o que aconteceu com o gênero "comédias adolescentes". Desde os precursores A Vingança dos Nerds, Picardias Estudantis e Clube dos Cafajestes, ao longo de toda a década de 80, esses filmes eram presença certa nos cinemas, com piadas de duplo sentido, semi-pornografia gratuita e escatologia à vontade. Ou seja, o famoso besteirol. Filmes como Um Morto Muito Louco, A Última Festa de Solteiro, Curso de Verão e tantos outros que "forjaram" a mente de uma geração. Isso sem falar dos mais clássicos, como Curtindo a Vida Adoidado.  A impressão que tenho é que adolescentes hoje assistem Harry Potter, Crepúsculo e coisas do tipo. Ou seja, são criaturas muito mais tristes.

Não assisti de volta o filme, mas tenho certeza que vou continuar gostando (ou seja, sem Regra dos 15 Anos, até porque vi com 22...). Adoro comédias besteirol, especialmente as bem feitas (porque tem cada lixo por aí... Austin Powers, estou falando com você), e fico feliz quando aparece um Se Beber Não Case para representar o gênero. O pessoal tá se levando demais a sério...

A história? 4 caras prestes a se formarem no colegial fazem um pacto de perder a virgindade antes da festa de formatura. E saem tentando... das piores maneiras possíveis. Basta dizer que a "torta" do título não é apenas uma metáfora ou uma referência à música do Don McLean... Divertido, escrachado, tudo que uma comédia de verdade precisa ser. Uma obra-prima do cinema? Nem de longe. Um dos melhores que já vi? Nada. Mas tem hora que você não quer ver um multicampeão do Oscar...

Ah, sim, e pretendo assistir o novo, claro. Resta saber se a Chris vai querer ir comigo... :-)

Nota: 6,5

quinta-feira, 15 de março de 2012

O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2: The Judgement Day, 1991)

Não tinha falado de nenhum filme de ação ainda. Assim o blog fica "cabeça" demais, diversificar é o segredo. Já inicio falando de um dos meus favoritos, afinal ninguém é de ferro (só o Arnold).

Pra quem não conhece (quem não conhece?), é a história de dois robôs que vêm do futuro para os "nossos" dias: um para proteger e outro para assassinar John Connor, futuro líder da resistência humana contra a dominação das máquinas no futuro. Ou seja, mais ou menos a mesma história do primeiro. E com o Arnold, o que é garantia de uma atuação muito ruim, especialmente no início dos anos 90, quando ele mal tinha aprendido a falar inglês. Por que acho o filme bom então? (boa pergunta)

Porque é divertido, oras. Primeiro que eu adoro filmes de viagem no tempo (vocês verão). Além disso, a história é legal, o Arnold como robô é a desculpa perfeita para a má atuação (ele faz até piada com isso), os efeitos especiais eram fantásticos para a época (foi o filme mais caro de todos os tempos por alguns anos), e tinha o Guns n'Roses na trilha sonora... Aliás a cena da perseguição com "You Could Be Mine" é alucinante, especialmente para um recém-adolescente de 14 anos...

O que me leva à análise de hoje: todos queremos conteúdo, histórias inteligentes, sair do cinema com mais cultura do que entramos. Mas uma diversão escapista de vez em quando não mata ninguém... Tem hora que você quer mais que o Irã e seu povo sofrido se danem... Hehehe... Claro que tem muita porcaria no dito "cinema comercial", mas tem coisa que preste também.

Outra coisa que adoro nesse filme, claro, são as frases. Aliás, adoro frases de filmes. Cito Casablanca, O  Poderoso Chefão e até Tropa de Elite o tempo todo. "Hasta la vista, baby", "I'll be back" e outras viraram moda na época. E tudo com a cortesia da atuação "mecânica" do tio Schwarzenegger.

Enfim, assim como preguei o fim do preconceito contra o filme cult em outro post, faço o mesmo aqui: veja filmes porcaria você também. Você pode não se arrepender. E não vai ter que ir ao Espaço Unibanco na Terça às 3 da tarde junto com a galera alternativa...

Nota:8,8 (22o. na minha lista de filmes favoritos)

terça-feira, 13 de março de 2012

Adeus, Lenin! (Good bye Lenin!, 2003)

Acho que não conheço ninguém que não gostou desse filme. Leve (apesar do assunto), simpático, engraçado e com uma mensagem muito legal, o esforço de se agradar a quem se ama. Eu, pelo menos, adoro.

A história se passa na ex-Alemanha Oriental, e se inicia poucos meses antes da unificação alemã, já durante os protestos contra o regime comunista. O protagonista, contra a opinião de sua mãe, comunista fanática, vai a um desses protestos. Quando a mãe o vê, sofre um infarto e entra em coma por alguns meses. Ao acordar, o mundo em sua volta já mudou completamente: a Alemanha é uma só, e o capitalismo avança furiosamente. Orientado pelo médico a não submeter sua mãe a emoções fortes, o filho então "cria" uma Alemanha Oriental falsa, apenas para sua mãe.

O que poderia ser um filme de uma piada só se mostra uma história engraçada sim, mas muito humana, mesclando o esforço do filho de resgatar aquilo que todos os outros estão loucos para se livrar, com os momentos em que ele, sob os protestos da irmã, insiste em criar esse "mundo" para sua mãe. Filme altamente recomendado.

O que me traz a um assunto interessante, que é o cinema refletindo a História. Desde os primórdios, os filmes vêm sendo utilizados para contar (ou até para manipular) a História. Iniciando por filmes como O Nascimento de Uma Nação, com sua visão elitista e racista dos EUA, até as dramatizações do 11 de setembro pelo mundo, muitas vezes o cinema externa uma visão de mundo da época em questão, ajudando seus espectadores a lembrar, conhecer e formar opinião sobre o que vêem.

No caso da Alemanha, essa relação é bastante mais conturbada. Dona de um cinema bastante interessante nas décadas de 20 e 30, reduzido durante a guerra a peças de propaganda como O Triunfo da Verdade (independente de sua qualidade cinematográfica), o cinema alemão, assim como seu povo, ainda guarda uma relação de tabu com seu período mais negro: o domínio nazista, talvez se perguntando como puderam deixar ou ajudar aquilo acontecer.

Por isso, é muito mais fácil vermos o povo alemão rindo da época do comunismo (que, por sinal, é muito mais recente), do que do nazismo. Para mim, a sátira é uma das melhores ferramentas de "desconstrução" da história, e por isso talvez um dos primeiros atos de qualquer governo ditatorial é censurar suas manifestações artísticas, por seu caráter fundamentalmente contestador. E isso Adeus Lenin! faz muito bem, ao mesmo tempo mostrando os absurdos da vida no lado oriental, mas sem tomar partido do capitalismo.



"O povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la", já diz a frase clichê. Por isso são tão importantes as visões artísticas sobre a história de qualquer povo. Adeus Lênin! tem também essa qualidade. A Queda também é fantástico, não apenas como filme, mas como peça histórica. Filmes como O Leitor e outros também ajudam, de certa maneira, o povo alemão a fazer as pazes com seu passado e encará-lo de frente.

Independente de qualquer coisa, é um filme fantástico. Junto com o documento histórico, vem a mensagem universal de cuidar de quem se ama. E isso está na história de todos nós.

Nota: 8,1

segunda-feira, 12 de março de 2012

Pulp Fiction (1994)

Para a "alegria" do amigo Almir, chegou a hora de falar sobre um de meus filmes preferidos, de um de meus diretores preferidos: Pulp Fiction (me recuso a usar o subtítulo em português "Tempo de Violência" - aliás, algum dia quero falar sobre os nomes ridículos em português). Goste ou não, é fato que esse filme (na verdade, Cães de Aluguel, que saiu antes, mas não fez tanto sucesso - na época) "inaugurou" um conceito novo de filmes, misturando comédia, ultraviolência e "cultura" pop em doses cavalares, além de uma certa liberdade na maneira de contar a história (seja ela temporal, como em Pulp Fiction, ou até de gênero, como Um Drink no Inferno).

Em uma época (início dos anos 90) onde a grande novidade do cinema eram os efeitos visuais, associados a um certo "tradicionalismo" na maneira de contar a história - outros concorrentes ao Oscar daquele ano foram  Forrest Gump e, veja você, Um Sonho de Liberdade, outro filme ótimo - Pulp Fiction quebrou as "regras" do cinema, focando novamente em uma história inovadora - quem lê o blog já sabe que esse é meu ponto fraco - e em um jeito ainda mais inovador de contá-la. A sequência de eventos, a trilha sonora, as "homenagens", de faroeste a kung fu, de filmes B a musicais, tudo forma uma experiência única e muito diferente (pelo menos no conjunto) do que assistíamos na época.

Lembro de ir ao cinema com vários amigos assistir a Pulp Fiction. Primeiro ano de faculdade, a gente ia basicamente assistir a qualquer coisa que se dignasse a chegar aos cinemas da metrópole de São José dos Campos. Sem internet, era até meio difícil (e porque não dizer, mais surpreendente) saber o que esperar dos filmes antes de assisti-los. A surpresa foi enorme, e lembro que eu e mais um ou dois gostaram do filme, os demais odiaram. Mas era impossível ficar indiferente.

A trilha sonora vale uma menção à parte. Foi a primeira vez que comprei um CD de trilha sonora na vida (pois é, na época em que se compravam CDs...), e lembro que cansei de ouvir. Ao contrário das trilhas normais, que têm 3 ou 4 músicas batidas e um monte que não toca no filme, só completando o CD, essa era realmente legal. E por serem músicas obscuras, você sempre vai associar aquela música à cena em que toca:


Nem falei do filme em si: dois mafiosos ficam responsáveis por cuidar da mulher do chefe enquanto ele viaja. E aí acontece de tudo. Fora da ordem. :-)

Com o tempo, alguns desses maneirismos foram se repetindo e até cansando, até que o próprio Tarantino se livrou de alguns deles em seus filmes mais recentes (mas não de todos...), especialmente Bastardos Inglórios. Mas o primeiro filme do Tarantino que você assiste, nunca esquece.

Nota: 9,4 (7o. na minha lista de filmes preferidos)

PS: Notando agora, não foi uma homenagem, mas esse post parece um filme do Tarantino: bagunçado, sem muita lógica, até difícil de acompanhar. Espero que esteja comparável em conteúdo também...

PS2: Esqueci de 2 das melhores coisas do filme: John Travolta e Samuel L. Jackson. :-) Só ter ressucitado esses caras já vale o filme...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999)

Esse filme é uma das razões pelas quais eu apoio a liberação das drogas. Não entendeu? A lógica é meio tortuosa:

Eu não acho possível que um cérebro em tudo similar ao meu (e aos do resto do mundo), nas mesmas condições do meu (experiência, conhecimento e até sobriedade) seja capaz de gerar um roteiro tão absurdo como esse. Sério. É impossível. A única explicação é o uso de alucinógenos fortes. E se o uso de alucinógenos fortes gera filmes como esse, quem sou eu para querer proibi-los? :-)

Brincadeiras à parte, é meio difícil imaginar como alguém consegue criar uma viagem de roteiro dessas. Não conhece? Lá vai: um puppeteer (como chama isso em português mesmo?), pressionado pela mulher, resolve arrumar um emprego "sério", já que a vida de artista não está rendendo o suficiente. Devido à sua habilidade com as mãos (!), consegue um emprego de arquivista no andar 7 1/2 (!!) de um prédio comercial. No trabalho, deixa cair uma pasta atrás do arquivo, e ao tentar recuperá-la, encontra uma porta minúscula, que leva à mente de John Malkovich (!!!!!). A partir daí, começa a explorar sua descoberta comercialmente, vendendo entradas inclusive para o próprio Malkovich. Sem estragar a experiência, o final então é de uma maluquice sem tamanho.

Sério, tem lógica? E o filme é fantástico. Claro, não apenas pelo roteiro, os atores também mandam muito bem. John Cusack é um baita ator, e aqui não poderia ser diferente. Cameron Diaz (quase irreconhecível), Catherine Keener, ótima, e o próprio John Malkovich estão fantásticos.


Quem já conversou de cinema comigo sabe que, pra mim, roteiro é no mínimo 70% do filme. Pode ter atores fantásticos, efeitos visuais de cair o queixo, produção, trilha sonora, etc. Se a história não for boa, não tem jeito. Afinal, cinema não é mais um jeito de contar histórias?

Me empolgo demais quando um filme traz um roteiro inovador, uma história diferente. Esse é um deles. Um roteiro que de maneira nenhuma eu poderia ter sequer concebido é uma das maiores recompensas de assistir um filme. Com o perdão do trocadilho, é como uma passagem de entrada para a cabeça de alguém.

Nota: 8,4 (37o. na minha lista de filmes favoritos)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Advogado do Diabo (The Devil´s Advocate, 1997)

Outro dia, conversando com meu sócio Fábio, esse filme surgiu no assunto. Impressionante como esse filme está impresso no imaginário coletivo da minha geração. Não sei bem porque; se é a história (bastante original e "transgressora"), se são as atuações (até Keanu Reeves, o ator mais inexpressivo do mundo, se salva), a trilha sonora (Led Zeppelin!), as cenas mais "fortes", ou se é tudo junto. O fato é que um filme até certo ponto despretensioso ficou marcado, e na minha opinião é de fato uma conjunção de fatores:

- Um roteiro interessante: a história da tentação, o bem x o mal, ganância x honestidade já rendeu grandes roteiros. Aqui outro fator se soma, o diabo em pessoa tentando uma pessoa já de moral questionável (outro filme fantástico com essa premissa é Coração Satânico), e as reações totalmente humanas e até certo ponto compreensíveis dessa pessoa, com a qual nos identificamos

- Charlize Theron linda, em começo de carreira: e por "começo de carreira" quero dizer "sem pudor de fazer cenas de nudez". I rest my case.

Nem assim você muda de expressão facial, Keanu?


- Al Pacino: pra mim, a razão principal. Um excelente ator, já na fase de não precisar provar nada para ninguém, e recém admitido na "Escola Jack Nicholson de Atuação": represente você mesmo em todos os papéis. Muitas vezes dá errado (estão aí Nicholas Cage e Charlie Sheen que não me deixam mentir), mas para atores consagrados já em uma certa idade é o que há. Não pense no personagem; aja como você mesmo. Para ele, nesse filme, funcionou perfeitamente. O cara tá solto, duvido até que tenha decorado as falas. E com isso, carregou até o Keanu Reeves junto com ele, fazendo o cara parecer um bom ator. Tem maior desafio que esse?

Ah, o filme. Bom, um advogado ambicioso no começo da carreira, nunca tendo perdido um caso, recebe uma proposta milionária de um escritório famoso. Apesar dos avisos de sua mãe e do efeito negativo sobre sua mulher, resolve aceitar e subir na carreira nesse escritório. Logo, as coisas se mostram mais sinistras do que pareciam, e ele terá que fazer algumas escolhas.

No final, juntando tudo isso, um excelente drama, carregando todo esse questionamento de ganância x ética que é sempre atual. Ou seja, recomendadíssimo. Nem que seja para ver o último grande papel de um enorme ator (ah, vá, o que o Al Pacino fez de bom depois disso??? Perfume de Mulher é de 1992...).

Nota: 9,0 (16a. posição na minha lista de melhores filmes)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne´s World, 1992)





Escolhi esse filme para a postagem inicial por duas razões principais: representa bem a proposta de falar sobre filmes aleatórios, não necessariamente com algum buzz recente ou uma razão específica, e porque sem querer peguei ele passando na TV outro dia, e contra todo o bom senso, resolvi rever.

Aliás, é uma boa hora para falar sobre a Regra dos 15 Anos*, que conheci no Nerdcast e com a qual concordo plenamente: se você viu um filme antes dos 15 anos e gostou, NÃO VEJA DE NOVO. Guarde na memória aquela lembrança boa que você tem do filme e não a estrague com a realidade.

Pois bem, como eu ia dizendo, resolvi assistir ao filme um dia desses. Lá em 1992, quando eu era um adolescente que não sabia nada de cinema (não que hoje eu saiba muito), fui ver esse filme e adorei. Dois caras engraçados, transgressores, que faziam piada de tudo e todos e ainda balançavam a cabeça cantando Bohemian Rhapsody no carro:


Tem como não gostar? (aliás, durante muito tempo eu achava que a música era só essa parte)

Pra quem não viu: o filme é sobre dois gaiatos que fazem um programa local de TV a cabo e acabam sendo contratados por uma grande emissora. Um deles se apaixona pela cantora da banda que se apresenta, o empresário malvado quer se dar bem em cima deles, piadas, referências pop, yada, yada, yada. Se baseia em um quadro do SNL, que por sinal eu nunca vi.

O fato é que eu adorei o filme, vi algumas vezes no cinema e tal. Esse filme me fez pensar por algum tempo, inclusive, que o Mike Myers não era só um Jim Carrey genérico que só fazia caretas e a voz do Shrek. Até eu assistir a porcaria que é Austin Powers 2 (mas isso é outro assunto...)

Qual não foi a minha decepção ao assistir meia hora do filme de novo agora. Diga-se, meia hora porque eu não aguentei e fui dormir correndo. O filme não tem ritmo, as piadas são péssimas (até a do "No Stairway to Heaven", que eu adorava), os atores são medonhos e nada daquilo faz sentido.

O que só me faz pensar que eu sou hoje muito mais chato que aos 15 anos. Uma pena. Até desanimei de assistir Um Morto Muito Louco de novo. Por que é que a gente vai ficando mais exigente? Sei lá se isso é bom ou ruim...

Em tempo: pra vocês terem uma ideia, o filme tem nota 8,0 na minha lista, baseado na época que assisti. Acho que se fosse para dar nota hoje, ganharia um 3,0 ou 4,0.

Abraços!

* Para mais informações sobre a regra dos 15 anos e sobre o Nerdcast: Regra dos 15 anos