Simples assim. Comentários sobre filmes que já vi, bons ou ruins, recentes ou antigos. Um jeito de falar sobre cinema sem necessariamente ter alguém pra me ouvir.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Oscar 2019 - Quem ganha?
É chegada a hora de palpitar e cornetar os palpites dos outros e os prêmios da Academia! Como excepcionalmente eu vi muitos dos filmes indicados esse ano, vou dizer aqui quem eu queria e quem eu acho que ganha o careca da Academia.
O ano de 2018 não me pareceu uma safra particularmente prolífica em termos de grandes filmes e grandes atuações indicadas ao Oscar. Por outro lado, não há um favorito destacado, e devemos ter algumas surpresas ao longo da premiação. É tipo campeonato da série B: o nível não é lá essas coisas, mas pelo menos vai ter disputa.
Sem mais delongas, vamos aos palpites furados. Depois eu volto e atualizo com os vencedores, ou com alguma mudança se eu assistir mais algum filme.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars VIII: The Last Jedi, 2017)
AVISO #1: Esse texto contém spoilers. Muitos spoilers. Não vou conseguir falar desse filme sem falar das cenas, das situações, dos caminhos para o próximo filme. Se você não viu e não quer saber o que acontece, não leia antes de ver!
AVISO #2: Eu não sou crítico de cinema e nem pretendo ser, esse blog é a minha opinião sobre as coisas. No caso de Star Wars, meu lado "fanboy" também se manifesta, obviamente, como vcs podem ter lido nos textos anteriores. Mas tentarei não ser o chato do "ai, que absurdo mudar a cor da sola do sapato do Almirante Ackbar, odiei" (a menos que estritamente necessário) ☺
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
[Top 10] Coisas que dá pra salvar na trilogia nova de Star Wars
Não se fala em outra coisa no "mundo pop" a não ser Star Wars. Filme novo, a volta dos personagens clássicos, finalmente a continuação da história, spoilers, teorias, conjecturas... E a velha discussão de porque a trilogia nova (A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) é tão horrível, e só o Samir gosta dela. Assim, já que guardar rancor é o caminho para o Lado Negro da Força, dou o braço a torcer nesse post, relembrando 10 coisas da Nova Trilogia que, digamos, não são um lixo completo (inclusive o próprio Samir me ajudou, já que eu estava há meses pensando, sem conseguir juntar 10 coisas):
(atenção: texto com spoilers dos filmes I a VI)
10 - O paralelo entre as histórias de Luke e Anakin Skywalker
Ao final de Retorno de Jedi, o Imperador e Darth Vader querem de todo jeito convencer Luke a juntar-se ao Lado Negro da Força para salvar aqueles que ama. De certa maneira, você nunca de fato acredita que isso vai acontecer, e, previsivelmente, ele não apenas não se converte como ajuda seu pai a se redimir. No entanto, por mais mal escrita e atuada que seja, a queda de Anakin para o Lado Negro em Vingança dos Sith mostra que aquilo já aconteceu antes, por razões muito parecidas, e que o fato de serem pai e filho torna isso algo a se temer, de fato. Por mais que você saiba que Luke não vá para o lado do Mal.
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| Tá calor, né? E a Dilma? |
9 - Darth Maul
Eu nem acho Ameaça Fantasma o pior filme dos três (pra mim é Ataque dos Clones) mas com certeza é o mais dispensável (esse sensacional post mostra o porquê, e de quebra sugere uma ordem excelente para ver a saga toda). Se bem analisado, nada do que acontece ali tem real importância para os rumos da história. Mas para mim, é lá que está o melhor vilão de toda a trilogia: Darth Maul, aquele que é tão ruim que é mau com u e mal com L ao mesmo tempo. Assustador, tinha um sabre de luz maneiro e passava aquela sensação de algo sinistro que um vilão de Star Wars precisa. Tivesse sobrevivido, com certeza faria melhor papel que Christopher Lee (para mim, totalmente deslocado) e General Grievous (ok, ele era maneiro em Clone Wars, mas nos filmes? Afff).
8 - Trouxe Star Wars de volta e possibilitou novas criações
Muito pouco se falava de Star Wars na década de 1990. Em 1997, o lançamento da trilogia clássica remasterizada (Han atirou primeiro!) começou a trazer de volta a saga ao mundo, mas, como esperado, foi o lançamento de novos filmes que fez com que Star Wars voltasse a ser assunto. E, mesmo não tendo sido bons, esses filmes possibilitaram também o surgimento de coisas maneiras, como Clone Wars, Lego Star Wars e Star Wars: Rebels.
7 - Mais informações sobre o passado dos personagens
Nerds são a maioria do público-alvo de Star Wars. E, como nerds que são, querem compulsivamente mais informações sobre aquilo que os interessa. Isso a nova trilogia traz. Mesmo que as informações sejam contraditórias, desnecessárias, revoltantes ou decepcionantes, bem, elas estão lá.
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| Mas eu não precisava saber que Anakin foi um moleque mala que gritava IIIPPIII! |
6 - O Surgimento de Darth Vader
Desde o dia em que os filmes novos foram anunciados, um momento era muito esperado pelos fãs: a transformação final da pessoa Anakin Skywalker no vilão Darth Vader. E, apesar de alguns detalhes (o NOOOOOO, por exemplo), essa foi uma cena que eu gostei. Lembro de mal respirar enquanto Darth Sidious pegava o Anakin semi-morto e o colocava na icônica armadura. Especialmente a tomada "em primeira pessoa", com a máscara sendo colocada nele pela primeira vez, e seguida da famosa respiração, convenhamos, foi foda.
5 - "Fear is the path to the Dark Side"
A nova trilogia de Star Wars surgiu e se desenvolveu na era da internet. E, como tal, não poderia deixar de gerar memes, piadas, sátiras, e homenagens. Para mim, a mais versátil de todas é a cena em que o Conselho Jedi entrevista o pequeno Anakin para definir se ele será treinado. A fala de Yoda se tornou um clássico instantâneo ("Fear is the path to the Dark Side. Fear leads to anger, anger leads to hate, hate leads to suffering."):
Já no longínquo ano de 1999, pré-internet, Lisa Kudrow (a Phoebe de Friends), estrelou uma sátira a essa cena no MTV Movie Awards (juntando com outro meme pré-histórico, o do Kevin Bacon).
4 - Trilha Sonora
Um fato da vida: John Williams consegue tornar até um filme iraniano interessante, apenas com a trilha sonora. Na nova trilogia não seria diferente. Claro que as músicas da trilogia clássica (especialmente a Marcha Imperial) são, bem, clássicas, mas o trabalho dele nos filmes novos é tão bom quanto, talvez melhor em alguns momentos. A luta de Qui-Gon Jinn e Obi-Wan contra Darth Maul ganha muita dramaticidade ao som de Duel of the Fates:
3 - Trazer Star Wars para uma nova geração
Dezesseis anos se passaram entre Retorno de Jedi e Ameaça Fantasma. Assim como a nossa geração descobriu Star Wars quando criança e trouxe isso consigo, toda uma nova geração, que hoje está nos 20 e poucos anos, conheceu e se apaixonou pela saga a partir dos filmes novos. Se um deles voltou e curtiu a trilogia clássica também, já compensa tudo o que passamos ao nos decepcionar.
2 - O Duelo entre Anakin e Obi-Wan
Outro daqueles momentos que todo mundo que viu a trilogia original sempre imaginava era o duelo final entre Anakin e Obi-Wan. Mestre e discípulo forçados a lutar por tomarem posições contrárias em um conflito. Anakin derrotado, tendo sua conversão completada ao passar por um sofrimento indescritível ("na lava? como foi isso?", pensávamos nós), e tendo que viver para sempre em uma assustadora armadura de suporte de vida, buscando dominar definitivamente a galáxia. E, apesar de alguns detalhes ("Give up, Anakin, I have the higher ground"? Jura?), a luta não decepciona, podendo ser considerada um dos melhores (talvez o melhor) momento dos 3 filmes:
1 - Jar Jar BinksNÃO, VANZO, SAI DAÍ, JÁ DISSE QUE SÓ VOCÊ GOSTA DELE!!!
Peço desculpas pela interrupção.
1 - A certeza de que a trilogia original é algo único e especial
George Lucas sempre disse que sua história tinha nove partes, e que a trilogia original eram os episódios IV, V e VI dessa história. Ao anunciar os filmes I, II e III, nos encheu de esperança de finalmente termos uma grande história completa. Porém, mesmo com sua presença e direção (ou, na verdade, por causa dele), a nova trilogia foi uma decepção. O que nos mostra que é muito difícil replicar as condições que tornam um filme, ou uma saga, algo memorável. É torcer para que, a partir de amanhã, essas condições estejam novamente reunidas em O Despertar da Força.
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| E sim, finalmente eles estarão de volta. |
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Superman - O Filme (Superman, 1978)
Outro dia, em uma conversa despretensiosa pelo Twitter, comentei o que eu achava que era uma opinião geral de quem assiste filmes de super-heróis no cinema: que o primeiro filme do Superman era fraco. Recebi várias reprimendas (pra dizer o mínimo), de amigos dizendo que o filme foi o pioneiro, estabeleceu vários padrões seguidos até hoje nos filmes do gênero, e especialmente do Victor Caparica, ouvi que eu (e, presumo, 99% dos espectadores do filme) tinha entendido errado o final, quando ele faz o tempo voltar para salvar Lois Lane do terremoto.
(inclusive, vale uma ressalva aqui: não sou leitor de gibis do personagem. Tudo o que disser se refere ao filme em si e não ao quanto é fiel ou não à mitologia dos quadrinhos. Muito menos entendo o suficiente para saber como as mudanças no universo das HQs afetam seu alinhamento com a história do filme)
Assim, depois de várias opiniões fortes, prometi a alguns amigos que reveria o filme com a cabeça aberta e escreveria um texto sobre ele aqui no blog para dizer o que achei. Adiantando: o filme é um pouco melhor do que eu lembrava, mas ainda não posso dizer que é bom. Explico:
O filme inicia muito bem. Toda a parte da origem do Superman é contada com calma, detalhes e didatismo. Talvez justamente por aquele pioneirismo, imagino que o diretor tenha escolhido um caminho conservador para não tornar o filme difícil para um público que não estava acostumado a esse tipo de história. Está tudo ali: de onde ele veio, porque veio especificamente para a Terra, porque seus pais o enviaram sozinho, como é seu relacionamento com seus poderes e seus pais adotivos na juventude... um belo "tutorial", que se encerra com a construção da Fortaleza da Solidão, a tomada de conhecimento de quem ele é e qual seu papel na Terra. Alguns efeitos especiais datados, mas essa parte realmente me animou para o resto do filme. Uma nota interessante: logo no início da história, aparecem os vilões do segundo filme sendo condenados, um "easter egg" que deve ter sido marcante na época.
A segunda parte do filme se dedica a estabelecer o Superman (o herói, e não a pessoa), além de caracterizar o ambiente que passa a cercá-lo: a cidade de Metrópolis, Lois Lane, Jimmy Olsen, e até um pouco de Lex Luthor. É nessa parte que, após algum conflito na adolescência, o Superman se transforma no "defensor da justiça, da verdade e do sonho americano" (sim, ele diz isso), o perfeito e incorruptível herói que Metropolis precisa. Eu tinha na cabeça que Lois Lane fosse uma personagem mais interessante (talvez resquício de ter visto Superman Returns há poucos anos), mas no filme ela é voluntariosa porém relativamente limitada (pessoas em volta corrigem sua ortografia algumas vezes durante o filme). A cena da entrevista exclusiva dela com o Superman é antológica pela parte do vôo em conjunto, mas é arrastada e algumas coisas não fazem sentido (você consegue a exclusiva mais procurada por todos os jornais da cidade e vai perguntar peso e altura, jura?). Ainda assim, o filme se sustenta bem, os personagens são bem retratados e, principalmente, o Superman se estabelece como herói na cidade de maneira muito interessante.
O terço final do filme é que estraga tudo. O filme se pretende sério, com pitadas de humor (o próprio Clark Kent funciona bem como alívio cômico em algumas cenas, sem cair na caricatura), mas nada justifica Lex Luthor e seus "capangas" terem cenas tão imbecis. Entendo que o "vilão ultra inteligente cercado por ajudantes imbecis" não era clichê na época como é hoje, mas ainda assim a sequência em que o bando tenta interceptar o comboio do míssil nuclear para redirecionar sua trajetória é revoltante de tão ruim, parece uma cena deletada de Top Secret por ter ficado sem graça. Quebra totalmente o ritmo do filme. Outra cena que não faz sentido algum é quando Lex Luthor chega à conclusão que, se Superman chegou à Terra no ano de 1961, então uma chuva de meteoros que chegou no mesmo ano "certamente" vem de Krypton, e "portanto", deve ser o ponto fraco dele, ele mesmo dando o nome de Kryptonita. É um ponto importantíssimo no plot do filme, merecia uma explicação melhor.
Após algumas pataquadas do vilão da história, chegamos à cena mais famosa (e mais polêmica, digamos) do filme. Ao ser salvo da morte por kryptonita pela assistente de Lex Luthor, ele promete que salvará a mãe dela primeiro, e com isso, Lois Lane é pega no terremoto causado pelo míssil de Luthor e morre soterrada. Em desespero, vai para o espaço e, com sua supervelocidade, faz com que o tempo volte e desce a tempo de salvar sua amada. Para mim (tanto na lembrança como vendo agora), parece que o Superman faz a Terra girar ao contrário para o tempo voltar, o que seria um grande absurdo. Há teorias que dizem que ele está gerando uma distorção no espaço-tempo, fazendo o tempo voltar, e não girando a Terra ao contrário, mas honestamente, não é isso que o filme demonstra (ele inclusive, no final, volta a girar no sentido normal da Terra para fazê-la "pegar no tranco"). De qualquer jeito, o ponto é que, mais uma vez, um ponto-chave da história fica muito mal explicado e sujeito a interpretações. Além disso, convenhamos, voltar, salvar a amada, mas deixar o resto do país explodindo não é exatamente o que o paladino da justiça teria feito...
O filme se beneficia de outros aspectos: o elenco tem boas atuações, e Christopher Reeve até hoje é o Superman, em uma identificação ator/personagem mais direta do que talvez qualquer outro herói do cinema (talvez apenas Robert Downey Jr./Iron Man e Hugh Jackman/Wolverine cheguem minimamente próximos). Na trilha sonora, John Williams mais uma vez mostra um tema daqueles de arrepiar, que até hoje identificamos nos primeiros acordes. Os efeitos visuais, como citei anteriormente, estão datados, mas não comprometem o filme, e na época devem ter sido considerados fantásticos. O diretor Richard Donner faz um trabalho muito competente, inclusive unindo a história com a do segundo filme (que acabou não dirigindo, por "diferenças criativas"). Alguns pontos positivos que ajudam o filme, mas acabam não fazendo tanta diferença. Como disse, acho que minha opinião não mudou muito. Reconheço alguns bons pontos positivos, e o pioneirismo, mas como entretenimento, continuo achando que não é grande coisa. Que venha o filme 2...
Nota: 5,0
domingo, 29 de março de 2015
[Top 10] Trilogias
As trilogias. Por alguma razão, séries de 3 filmes se tornam cada vez mais comuns no cinema, seja como desenvolvimento natural da história, seja porque se baseiam em séries de 3 livros, ou seja por falta de vergonha e ganância de quem as realiza (né, Peter Jackson?). Enfim, depois de um começo de conversa sobre o assunto com o Victor Caparica no Twitter, resolvi elencar aqui as 10 melhores trilogias do cinema na minha opinião, ordenadas. O critério é que tenham sido 3 filmes (dã), e que na média, eles componham uma obra de destaque, tentando privilegiar aqueles em que não haja um filme que destoe negativamente dos demais.
Já me preparando para desviar das pedradas, lá vai:
10 - Corra Que a Polícia Vem Aí (David Zucker - 1988 a 1994)
Sou um fã confesso do humor besteirol. Poucas vezes ele atingiu tal nível ao longo de 3 filmes como em Corra Que a Polícia Vem Aí. Leslie Nielsen, que teve uma longa carreira em filmes sérios, "renasceu" como ator de comédia física nas mãos de Zucker e Abrahams em Apertem os Cintos..., mas é aqui, como personagem principal, que atinge seu auge. São muitas cenas antológicas, várias vezes com outras piadas acontecendo ao fundo, para se escolher qual a melhor. Memorável.
9 - Trilogia "Antes do..." (Richard Linklater - 1995 a 2013)
Nada menos que 18 anos separam os filmes dessa série (da qual falei aqui e aqui), na qual Richard Linklater começa com a história de 2 desconhecidos que se encontram em um trem e decidem passara noite juntos (Antes do Amanhecer), se reencontram depois de muitos anos (Antes do Pôr do Sol), e estão casados, com 2 filhas (Antes da Meia-Noite). Em comum, os filmes têm muita conversa, um clima intimista e um retrato profundo da dinâmica entre o casal, e da passagem do tempo, desde jovens idealistas a um casal de meia idade pragmático. Vale muito assistir.
8 - Trilogia Exterminador do Futuro (James Cameron - 1984 a 2003)
Não é bem uma trilogia, mas como o filme 4 (e o futuro filme 5) se situam em uma linha temporal alternativa, dá pra isolar e analisar apenas os 3 primeiros. A história que projetou Arnold Schwarzenegger em Hollywood é uma baita história, com viagens no tempo, muita ação e efeitos visuais (O Exterminador do Futuro 2, quando lançado, era o filme mais caro de todos os tempos), e conta uma história que prende, empolga e, queira ou não, tem sua profundidade ao discutir os rumos da humanidade e a dependência de máquinas e computadores. Mesmo o terceiro filme, considerado por muitos muito inferior, me empolgou e terminou a saga inicial de maneira bem legal. E, claro, o tema é muito maneiro: TANAM TAM TANAM (um projeto @odildavid)
7 - Trilogia O Senhor dos Anéis (Peter Jackson - 2001 a 2003)
Considerada "infilmável", a série de 3 livros de J. R. R. Tolkien ganhou uma adaptação memorável pelas mãos de Peter Jackson no início dos anos 2000. Quase uma unanimidade em termos de "adaptação na mesma qualidade dos livros', a série de filmes foi produzida durante 18 meses na Nova Zelândia, e transmite todo o caráter épico e grandioso do livros. Suas versões estendidas somam mais de 11 horas de filme. A pena é que a ganância de Peter Jackson ao transformar o pequeno livro O Hobbit em mais 3 filmes tenha resultado em algo mais para modorrento do que para épico.
6 - Trilogia do Homem Sem Nome (Sergio Leone - 1964 a 1966)
Embora não sejam tecnicamente uma trilogia, já que as histórias não são sequenciais e Clint Eastwood sequer interprete o mesmo personagem nos 3 filmes, a sequência Por Um Punhado de Dólares/Por Uns Dólares a Mais/The Good, the Bad and the Ugly (me recuso a usar o nome em português) está aqui porque eu quero, oras. Obras-primas do sub-gênero "Western Spaghetti", que curiosamente começou como uma alternativa de menor custo e maior liberdade criativa ao Western tradicional, e acabou, na minha opinião, deixando um legado mais presente até hoje do que o gênero que o deu origem. Ah, e Ennio Morricone...
5 - Trilogia Batman (Christopher Nolan - 2005 a 2012)
O primeiro filme do Batman, de Tim Burton, foi um marco no cinema de quadrinhos. Basicamente apenas Superman havia sido feito na época, e ele trouxe um visual novo para os filmes de super-heróis. Após as "experiências" de Joel Schumacher, o personagem foi deixado um pouco de lado, e o gênero evoluiu enquanto isso. Até que Christopher Nolan trouxe uma abordagem nova, mais realista, para o personagem. Mesmo com opiniões divididas sobre o primeiro (na minha opinião, muito bom), e especialmente sobre o terceiro (que, de fato, fechou a história com uns furos de roteiro meio graves), o segundo filme, O Cavaleiro das Trevas segue sendo, provavelmente, o melhor filme de quadrinhos da história, não apenas pela estupenda atuação de Heath Ledger como Coringa, mas também por conseguir uma história inteligente, atrativa e toda amarrada, algo raro para um "filme do meio".
4 - Trilogia Indiana Jones (Steven Spielberg - 1981 a 1989)
Não há muito o que dizer aqui: um personagem carismático, com histórias interessantes, no estilo "aventuras de antigamente", bem dirigidas e emocionantes. O primeiro filme (Caçadores da Arca Perdida) já foi muito, muito bom, e os seguintes (Indiana Jones e o Templo da Perdição e Indiana Jones e a Última Cruzada) apenas aumentam o nível, sendo que Sean Connery arrebenta no papel de pai dele no último. De fato, não há muito o que dizer. Existem boatos não confirmados de um quarto filme.
3 - Trilogia O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola - 1972 a 1990)
O primeiro Godfather é considerado até hoje um dos melhores filmes de todos os tempos. O segundo, considerado por alguns no mesmo nível, é até hoje a única continuação a repetir o Oscar de Melhor Filme. O terceiro... bem, o terceiro poderia ser até um filme decente se Sofia Coppola não o estragasse, mas encerra a história de forma interessante. A saga da família Corleone até hoje espanta pela profundidade da história, pelas fantásticas atuações e pela reconstituição da máfia como poucas vezes visto.
2 - Trilogia Star Wars (George Lucas / Irvin Kershner / Richard Marquand - 1977 a 1983)
Não é preciso frisar o impacto que essa trilogia teve sobre a cultura pop e até sobre o jeito que se faz cinema. Fanboyzice à parte (vou tentar), são 3 baita filmes (Star Wars e Império Contra-Ataca estão claramente em um nível acima, mas O Retorno de Jedi de maneira alguma compromete). Aliás, para mim Império é o melhor filme do meio da história das trilogias, já que em vez de apenas ser um gancho para o fim da história, tem o final mais interessante e mais sombrio de toda a saga. Já que a tal "nova trilogia" (da qual o @fvanzo tanto gosta) decepcionou tanto, ficamos no aguardo do filme VII que a Disney (já sem George Lucas) vai lançar no fim do ano.
1 - Trilogia De Volta para o Futuro (Robert Zemeckis - 1985 a 1990)
É uma questão de gosto mesmo. Entendo quem disser que uma das anteriores (ou alguma que não coloquei) é melhor, mas os filmes De Volta para o Futuro (especialmente Parte 1 e Parte 2) têm algo de muito especial pra mim. Não há uma vez que passe na TV e eu não veja, torça pelos pais de Marty, vibre com o skate voador, com os paralelos entre os 3 filmes (aliás, sugiro fortemente vê-los pelo menos uma vez na sequência, direto). É um roteiro universal, em que a viagem no tempo é só um coadjuvante para contar histórias bacanas de pais, filhos, amigos, diversão. Precisa mais?
E agora podem vir as pedras.
(Menções honrosas: Máquina Mortífera, X-Men, Madagascar, Shrek, Rocky, Mad Max)
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Os Pássaros (The Birds, 1963)
Os poucos que me lêem por aqui sabem que não tenho preconceito com clássicos (pelo contrário, gosto de muitos), não faço questão (na verdade, nem gosto muito de) histórias fáceis, e gosto de filmes do Hitchcock (Um Corpo Que Cai e Janela Indiscreta são excelentes filmes). Então peço sua ajuda, caro leitor: onde é que estou errado em achar Os Pássaros um filme péssimo?
Não costumo escrever muito aqui sobre os filmes que não gostei. Em alguns casos, escrevo só pra descer a lenha no filme mesmo (como Menina de Ouro), mas em outros, como Blade Runner, tento entender o porquê de não ter gostado do filme, já que é tão famoso e tanta gente parece gostar. Esse é o caso aqui: tentarei listar as razões pelas quais eu odiei o filme e peço que me ajudem a entender nos comentários. Obviamente, falarei bastante da história, então segue o aviso: se você não viu e ainda quer ver o filme, não leia o texto. Contém spoilers.
O filme conta a história de uma região litorânea perto de San Francisco, onde, sem razão aparente, todos os tipos de pássaros começam a atacar as pessoas. Sem entender bem o que acontece, os moradores tentam se proteger e fugir da ameaça.
Situações inverossímeis e mal desenvolvidas: a moça conhece o rapaz em uma loja de pássaros, depois manda um "stalking" agressivo, descobre onde ele passa o fim de semana e vai atrás com a desculpinha de "presentear a irmã dele com periquitos" (?). Após uma tentativa patética de se esconder, é descoberta e... nada acontece. O rapaz leva isso numa boa, e o fato tem quase nenhuma importância para o filme. A moça conhece a professora local, descobre que ela é um ex-caso do rapaz, e... nada. A professora conta para ela que a mãe do rapaz é perigosa e foi a responsável pela separação deles, a mãe faz umas caras sinistras para a câmera, e... nada. Eu poderia dar outros exemplos, mas a impressão que dá é que Hitchcock foi abrindo situações para o filme e depois as descartou sem cerimônia. Ou tirou seus desdobramentos do filme na edição.
Sem falar que, em boa parte dos momentos, as pessoas não reagem como alguém real reagiria. As pessoas, sabendo da ameaça dos pássaros, se colocam em situações de risco. A moça stalker inventa uma historinha muito da vagabunda quando o rapaz a "descobre" "escondida" em um bote no meio do lago. Ele acredita. Toda a cena do bar, quando a moça tenta convencer as pessoas que os pássaros atacaram a escola é simplesmente inacreditável. Em vez de buscar saber o que aconteceu, as pessoas dão uma de malucos: uma mulher fica recitando nomes científicos de pássaros, outro passagens da Bíblia, e uma mãe tampa as orelhas dos filhos para que eles não fiquem com medo de ir à escola. Parte do bar acusa a protagonista de causar os ataques (moralismo, Hitchcock, jura?). Poderia simbolizar o surrealismo da situação (como assim, pássaros atacando pessoas?), onde ninguém sabe como reagir, mas para mim soou apenas como uma cena irritante e sem propósito.
Atuações constrangedoras: para quem já teve James Stewart, Kim Novak, e Anthony Perkins, o casal formado por Rod Taylor e Tippi Hedren (quem?) é quase uma vergonha. Ambos têm carisma negativo, e pouco ajudam em dar alguma vida aos diálogos e situações ruins do filme.
As mulheres: tudo bem que o filme é dos anos 60, mas o próprio Hitchcock, em filmes anteriores, já havia criado personagens femininas mais bem desenvolvidas. Aqui, mesmo a moça stalker, que dá uma de independente, quanto a professora que largou tudo por um amor, são personagens fracas, rasas, que passam o filme todo querendo ser "salvas" por um mocinho que não diz a que veio. Já a mãe do protagonista, pintada como a "megera" que destruiu o relacionamento dele com a professora, passa o filme todo caindo pelos cantos, e no momento em que começa a criar (ou parecer que cria) um vínculo com a protagonista (e você acha que pode ser algum tipo de manipulação), adivinhe!, nada acontece.
O final: Nada contra finais abertos, de maneira alguma. Um dos meus filmes favoritos, Feitiço do Tempo, não explica absolutamente nada e é genial. A cena do confinamento dentro da casa, que supostamente deveria ser o ápice do horror, é chata e previsível (e o que a moça foi fazer no telhado, afinal?). Tudo bem, é um filme de 50 anos atrás, podemos dar um desconto. Aí a cena de suspense apoteótica, com ele saindo para buscar o carro, aquela tensão toda, e...nada. Você ainda tem uma esperança quando a garota pede para levar a gaiola dos periquitos, mas (adivinhe de novo) nada. Os últimos 20-30 minutos de filme se tornam apenas um estorvo inútil. Vamos lá, você é o Hitchcock, pode fazer melhor, vai!
"Mas o filme não tem nada de bom?", você que resistiu até aqui pode me perguntar. Olha, a menos que o pessoal nos comentários mostre que estou errado (o que eu realmente quero que aconteça), para mim, muito pouco. A premissa principal é bem bolada, e o trabalho de produção e filmagem, com o tanto de pássaros que foram necessários, impressiona. Mas só isso. E o pior é que eu esperava muito, por se tratar do considerado "Mestre do Suspense", de quem já vi filmes ótimos. Mas, novamente, posso ter visto o filme em um dia ruim, ou simplesmente ter sido burro para entender as referências. Por isso peço: me malhem nos comentários ou no twitter. Quem sabe eu mudo de opinião. Torço para isso.
Nota: 2,0 (entra na lista dos 10 piores filmes que já vi)
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, 2005)
Depois de ter escrito
os textos sobre Star Wars e O Império Contra Ataca, o normal aqui seria eu
estar escrevendo agora sobre O Retorno de Jedi. No entanto, após uma conversa
no Facebook, percebi que, por ter visto A Vingança dos Sith apenas uma vez, no cinema,
com todo o frenesi de "finalmente veremos o surgimento de Darth
Vader", não tinha uma visão clara dele como filme, apenas como preâmbulo
da trilogia clássica que tanto gosto. Sendo assim, resolvi assistir ao filme novamente, 8
anos depois, e, claro, escrever sobre ele aqui no blog.
Mas para falar sobre
ele, é necessário situar um pouco a história. A tal "nova trilogia",
iniciada por A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones (filmes sobre os quais eu
provavelmente não vou escrever posts aqui), conta a história de Anakin
Skywalker, aquele que viria a se tornar o famoso vilão Darth Vader. No
primeiro, ele é uma criança, filho de uma escrava, encontrado quase por acaso
por 2 cavaleiros Jedi em um planeta remoto. Eles
percebem seu potencial e resolvem levá-lo para ser treinado. No segundo, ele já
está adulto, e observa de maneira próxima uma crise na república, ao mesmo
tempo que tenta lutar com seus próprios demônios. Dados os mais de 15 anos
entre o final da trilogia clássica e o lançamento da nova, a expectativa era
muito grande e o sucesso de público foi enorme, mas não há como negar que os
filmes são ruins, com uma história confusa e inverossímil. No entanto, no ano
de 2005 seria lançado aquele filme que finalmente fecharia o ciclo, mostrando
finalmente o início de uma das histórias mais cultuadas do cinema moderno.
Eu fui ao cinema e adorei. Claro que estava
longe de ser perfeito, e mesmo de ser tão bom quanto os clássicos, mas o lento
declínio de Anakin (Hayden Christensen, um péssimo ator) para o lado negro, sua
transformação em Sith, a tão aguardada luta entre ele e Obi-Wan Kenobi (Ewan
McGregor), o nascimento de Luke e Leia, a morte de Padmé Amidala (Natalie
Portman) eram acontecimentos tão importantes e aguardados dentro da mitologia
da série que o fato de finalmente poder vê-los mais do que compensava os
"pequenos" deslizes cometidos por George Lucas (notoriamente um
diretor fraco) em seus 3 filmes. Uma nota 8,0 e um bom lugar na minha lista de
filmes e mesmo na cronologia da saga foram as conclusões a que cheguei na
época.
Até semana passada.
Na tal conversa de Facebook a que me
referi, eu defendia que o filme não era grande coisa, mas que completava bem a
história, fechando de maneira satisfatória os pontos em aberto, enquanto o
Fábio Vanzo dizia que não, como se fosse Yoda me dizendo que "The dark side
clouds everything" (ele não disse bem isso, claro, mas foi essa a
mensagem). Percebi que só poderia ter certeza vendo novamente o filme, mas
dessa vez em uma posição mais isenta, analisando-o como história e não como
peça arqueológica de um universo de que gosto tanto.
E, amigos, lhes digo: o filme é horrível.
A história é simplista, os personagens
rasos e contraditórios ao extremo, os diálogos mal escritos e constrangedores,
e até por isso, as atuações, mesmo dos atores mais consagrados, são risíveis. A
edição é primária, não conseguindo construir um ritmo decente e quebrando
demais a história (sério, parece novela mexicana: uma cena canastrona, um cenário, uma cena canastrona...).
Os acontecimentos que levam Anakin de vez ao lado negro não
fazem nenhum sentido, e suas reações ao que acontece à sua volta e às
tentativas de manipulação que sofre dos demais personagens são incompreensíveis. A
motivação de sua mudança (as visões que tem de Padmé morrendo e a sua vontade
de impedir esse destino) não é nem de longe forte o suficiente para que ele
faça as coisas que faz no segundo ato, e sua reação após descobrir (uns 5
minutos depois) que não conseguiu impedir sua morte é a de um homem fraco e não
de um líder, destruindo totalmente a imagem de vilão mega-blaster-motherfucker
da trilogia original. Contribui também para isso um ator que não consegue
passar nenhuma credibilidade, não tem expressões faciais e tem sempre o mesmo
semblante (embora tenha que ser dito que nem mesmo Marlon Blando teria
conseguido coisa muito melhor com o texto que lhe foi dado). A direção e o
roteiro de Lucas são praticamente infantis, sem nenhuma profundidade.
O que me levou à óbvia pergunta seguinte:
então por que eu saí do cinema, em uma noite de Maio de 2005, achando que tinha
visto um bom filme? até que ponto a minha ligação emocional com a história e a
vontade que eu tinha de que o filme fosse bom me fizeram realmente acreditar
nisso? Não sei se saberia explicar, mas o fato é que, sob algumas
circunstâncias, parece que nosso senso crítico é desligado, como se nosso
cérebro não quisesse lidar com uma verdade que desejamos ardentemente que não
seja.
E isso não acontece o tempo todo? A tal
dissonância cognitiva, que leva as pessoas a supervalorizarem o que concorda
com suas opiniões ou vontades, e desprezarem tudo que vai contra elas? Em
religião, futebol, política, cinema, ou até mesmo em nosso convívio diário,
vemos a verdade ou apenas o que queremos ver? Ou essa minha filosofia toda é só
de novo um jeito de tentar algo de positivo de uma experiência decepcionante,
da qual eu tinha ma imagem muito melhor? :-)
Em resumo, não sei se prefiro agora, ou se
era melhor eu ter ficado com a imagem positiva que tinha até então. Ainda acho
que algumas poucas coisas se salvam: a trilha sonora de John Williams, o
"nascimento" de um ícone pop como Darth Vader, e até mesmo a fotografia
e o visual de algumas cenas, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan. Mas é
pouco, muito pouco. Nem falei muito dos demais aspectos do filme, da atuação de
Samuel L. Jackson (um ator de que gosto muito), de toda a computação gráfica
(que é até bem feita, mas acaba parecendo mais uma máscara para disfarçar a
falta de conteúdo), e outros, para não aumentar ainda mais minha decepção com o
filme.
Só espero que ver o Episódio VII (previsto
para 2015), não me faça olhar para esse e pensar "é, até que não era tão
ruim". Nesse caso, fãs ao redor do mundo vão acabar imitando uma das
piores mortes da história do cinema, a de Padmé, simplesmente "perdendo a
vontade de viver"...
Nota: 4,0
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Skyfall (2012)
50 anos do primeiro filme do 007 (007 Contra o Satânico Dr. No, 1962), 23o. filme da franquia e terceiro em que o agente James Bond é interpretado por Daniel Craig. A história acho que todo mundo conhece, e deve ser meio que a mesma sinopse de uns outros 10 filmes do 007: após falhar em uma missão, quando o MI-6 está sob ataques que parecem direcionados pessoalmente à sua chefe M, James Bond busca investigar e resolver os ataques, mesmo sendo considerado "velho" por boa parte daqueles que o cercam.
Na minha opinião, um filme desses tem que ser avaliado de 2 maneiras: como filme, e como filme do 007. É uma "franquia" tão antiga, com características tão peculiares, que parte importante de saber se gostamos ou não do filme vem do "encaixe" que ele tem com a mitologia da série. Aviso também que vi o filme no avião, naquelas telinhas pequenas, parte dublado e parte em inglês sem legendas, e com um passageiro ao lado que ocupava pelo menos 20% do meu assento. Ou seja, é uma resenha mal-humorada :-)
| O post é meu, eu ponho foto do Sean Connery aqui, oras. |
![]() |
| É, eu quis colocar essa também. |
Já olhando como filme de James Bond, para mim a discussão é mais profunda: existe espaço hoje em dia para um filme "clássico" do 007? Vilões megalomaníacos que contam seus planos para um 007 amarrado à beira da morte já foram ridicularizados até onde podiam por décadas de filmes, especialmente na série Austin Powers. Roger Moore fugindo no estilo Pitfall ou Sean Connery usando uma cadeira-foguete seriam alvo de riso no cinema de hoje. Mas, principalmente, a figura do "agente secreto", o cara que sozinho estraga o plano dos vilões, essa é que parece cada vez mais irreal (inclusive o próprio filme toca bastante no assunto).
Neste filme, acho que Sam Mendes atingiu um meio-termo insatisfatório. Traz de volta alguns pontos clássicos dos filmes antigos, como Q, Moneypenny, e até o famoso Aston Martin. Mas tudo soa meio forçado. A personagem de Berenice Marlohe aparece e sai da história sem que se entenda como Bond chegou a ela ou quais eram suas motivações, apenas para ser a garota que ele pega durante o filme. Aliás, esse outro traço tradicional do 007, de sempre ter as mulheres aos seus pés, e trocar uma por outra sem constrangimento, já tinha sofrido um duro golpe na época da explosão da AIDS, e com os avanços na luta por igualdade feminina.
Além disso, o filme parece trocar as situações bizarras e esdrúxulas (mas encaixadas na história) dos filmes antigos por reviravoltas sem nenhum sentido, e soluções fáceis de roteiro disfarçadas de exóticas (o que é a cena dos dragões de Komodo?). É tanta coisa que acontece por acaso ou sem explicação que no meio do filme você já deixou de tentar entender e só vai seguindo...
(parágrafo com "spoilers" sobre o filme. Se você não viu, pule este parágrafo)
E o final? Bond resolve acabar com a briga e levar M para seu castelo, contrariando todas as ordens, inclusive dela mesma. Mallory descobre, acha que ele está criando uma pista falsa e diz que é uma ótima ideia, sem saber o que realmente se passa. Bond monta um arsenal de guerra para capturar ou matar Silva e salvar M. Após a invasão, depois de vários tiros e explosões, Bond mata Silva mas M morre em decorrência de ferimentos. Ou seja, Bond conseguiu garantir que o plano de Silva funcionasse! E ainda é bem recebido e ganha seu lugar de volta no MI-6, sob a liderança do mesmo Mallory que havia dito no meio do filme que ele era ultrapassado e um risco a quem estava em volta! Dá pra entender?
(fim do parágrafo de spoilers. Todos podem voltar a ler a partir daqui)
Minha resposta é: não, James Bond não pertence mais a essa época. Já abandonaram a classe do personagem (Daniel Craig, me desculpem, não está à altura), o humor fino e nonsense, o exagero "kitsch", e tudo que fazia do herói algo diferente. Os filmes continuam, claro, e vão continuar mais, já que vêm batendo recordes de bilheteria (Cassino Royale me pareceu até uma boa ideia de mostrar a origem de 007, mas não vi Quantum of Solace de tanta crítica ruim que li, e esse Skyfall, que vi por insistência de um amigo, me decepcionou profundamente), mas é uma série de ação e espionagem qualquer que faz sucesso. Não é mais 007.
Nota: 4,0
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Juno (2007)
Recentemente, é difícil um ano em que um filme considerado "independente" não faça um sucesso considerável. Filmes como Pequena Miss Sunshine, Juno, Guerra ao Terror e O Artista foram bem sucedidos comercialmente, e mostram que nem sempre a estrutura dos estúdios é totalmente necessária para que um filme fique conhecido (embora mesmo filmes independentes acabem contando com estruturas de divulgação dos estúdios), gerando filmes diferentes, com histórias que não ficam amarradas à aprovação de produtores profissionais, garantindo em tese uma maior liberdade de temas e abordagens.
Juno foi um dos primeiros a marcar essa tendência, contando a história de uma adolescente que fica grávida do melhor amigo de maneira inesperada, e tenta seguir sua vida, muitas vezes sendo a mais madura entre todos que a cercam. É um filme simpático, com uma personagem principal cativante (a ótima Ellen Page, que descobriu uma reserva de mercado de papeis de adolescente precoce em filmes onde a atriz precisa ser maior de idade), e muito pontuado justamente por esse estilo "indie", no tema, na abordagem, e até na trilha sonora.
Mas, na minha opinião, não é um filme tão bom. A impressão que dá é que diretor/roteirista se preocuparam tanto em serem descolados em cada cena, cada diálogo, cada música, que perderam a mão na dose. Não é dizer que filme de gravidez na adolescência precisa necessariamente ser um dramalhão, onde a garota sente que perdeu sua vida e é castigada pela imprudência, coisas do tipo. Mas também fica irreal se ela não está nem aí (ainda mais porque a personagem não é construída como alguém que "não está nem aí"), e está mais preocupada em novas bandas independentes ou em dar respostas espertinhas o suficiente para parecer uma personagem de Gilmore Girls.
O filme parece se passar em uma versão fofinha, otimista e descolada do universo real. Mesmo as cenas de conflitos, problemas e dificuldades parecem passar sem grandes traumas, como se aquilo de fato não tivesse acontecido, ou como se não fizessem diferença na história que o filme quer contar. Primeiro ela não quer ter o filho, depois quer, aí acha um casal adotivo, gosta deles, se envolve com o futuro pai adotivo sem nem perceber, indiretamente causa a separação do casal, entra em crise porque quer uma família para o filho, depois sai da crise, fica feliz, conversa com a amiga no ultra-hypado telefone de hamburger, dispensa o amigo, gosta do amigo, canta com o amigo... e nada disso parece fazer muito efeito na história nem na personagem, que meio que termina o filme como começou. Ah, mas as 18 citações ultra-indies por minuto estão lá, e é isso que importa. Para que se preocupar com o futuro se podemos falar de bandas semi-desconhecidas?
Outra coisa que não ajuda é a atuação de Michael Cera, que faz o papel do amigo de Juno. Com ele, a nova geração de atores que só fazem o papel de si mesmos continua bem representada (para orgulho dos patronos Nicholas Cage e Jack Nicholson). Apesar de ter melhorado um pouco em Scott Pilgrim Contra o Mundo (pelo menos a ponto de não estragar o filme), e sabendo que o papel exigia um pouco isso dele, o ator está muito apático, muito abaixo da interpretação de Ellen Page, ela sim uma ótima atriz, não apenas aqui como em filmes como MeninaMá.com e A Origem. Mas não apenas Michael Cera como todo o elenco de apoio parecem estar meio no automático, sem muita paixão nos papeis. E isso, para mim, tirou qualquer envolvimento que eu pudesse ter com a história.
| Mas que profundidade dramática tem esse rapaz! |
A iniciativa de filmes independentes para fugir das restrições dos grandes investidores para mim é ótima. Mas nem todo filme "mainstream" é necessariamente ruim, e nem todo "indie" é necessariamente ótimo. E nem todo mundo que fala de filmes é necessariamente coerente e inteligente :-)
Ainda bem. E viva a diversidade.
Nota: 6,0
terça-feira, 23 de outubro de 2012
O Artista (The Artist, 2012)
Quem lê esse blog com alguma frequência já deve ter me visto falar o quanto gosto de soluções inovadoras no cinema, jeitos diferentes de contar uma história, seja no roteiro, edição, fotografia, formato... sabe também o quanto eu aprecio o cinema clássico bem feito, no sentido de capturar através do filme o pensamento, cultura e costumes de uma época diferente, contados diretamente por quem os estava vivendo.
Com isso em mente, e com todo o "hype" atingido por O Artista desde a época da indicação para o Oscar, finalmente consegui parar e assisti-lo essa semana. Não sei se todos sabem, mas o diretor Michel Hazanavicius utiliza o filme mudo justamente para contar a história de George Valentin, um ator famoso e consagrado da época silenciosa que sofre com o advento do cinema falado e cai em desgraça, enquanto Peppy Miller, uma dançarina que começou sua carreira em um dos filmes de Valentim, desponta como a nova estrela do novo cinema.
A ideia é muito boa, um tipo de "metalinguagem", em que o mundo silencioso do protagonista em certos momentos vai sendo invadido pelos sons, aos quais ele resiste, insistindo em achar que fechar-se em sua realidade muda será o suficiente para manter seu sucesso. Foi uma ideia muito ousada e corajosa do diretor criar um filme mudo como maneira de contar essa história, recriando um gênero que estava morto de uma maneira, digamos, "modernizada".
Mas, para mim, faltou um detalhe crítico: uma boa história. É até covardia tentar comparar O Artista com outros filmes que tratam do mesmo tema (a transição do cinema mudo para o falado), como os clássicos Cantando na Chuva ou Crepúsculo dos Deuses (embora a própria abordagem do filme, se "vestindo" de filme clássico, tenda a forçar essa comparação), mas mesmo em relação a filmes contemporâneos, percebe-se que toda a ousadia utilizada na escolha do formato não aparece na história em si, que nada mais é do que uma sucessão de situações previsíveis, mostrando o sucesso, a derrocada, o desespero e a redenção do ator principal, ajudado pela bondosa mocinha da história. Sinceramente, nada de novo aí, a não ser a "capa" retrô. Muito pouco, na minha opinião.
A atuação de Jean Dujardin (premiada com o Oscar de Melhor Ator) também não ajuda muito. Enquanto assistia ao filme, inicialmente me pareceu que ele forçava a barra para se parecer com os atores do cinema mudo da década de 20 (canastrões ao extremo, quase por necessidade, já que a expressão corporal era vital). Mas ao longo do filme, para mim ficou claro que ele se tornou "escravo" das emoções fáceis, sem profundidade. É mais difícil se expressar sem falar? Sem dúvida, mas existem excelentes filmes mudos, e, afinal, ninguém obrigou diretor e atores a fazer o projeto dessa maneira. Lembrei-me então das aparições do ator no Oscar, e para mim ficou claro: estamos diante do Roberto Benigni do século XXI, que parece pitoresco a uma primeira vista, mas torna-se cansativo logo depois. Não acho que ele vá se destacar no futuro.
No mais, todos os clichês de Hollywood (e até alguns de novela da Globo) estão lá: a mocinha de origem humilde que sobe na vida mas continua com bom coração; o empresário inescrupuloso que vira as costas para o mocinho quando ele mais precisa; o ator orgulhoso que prefere desperdiçar sua vida a recomeçar de baixo; e até (como eu odeio!) o animal engraçadinho que rouba a cena e salva seu dono na hora mais importante. Ninguém merece...
Claro que é esperar demais coerência histórica e relevância cultural do Oscar, mas acho sinceramente que aqui ganhou a forma e não o conteúdo. Assisti poucos dos filmes que concorriam ao prêmio desse ano, mas claramente tinha coisa muito melhor. É uma pena, pois sou um entusiasta de experiências e novas maneiras de se contar histórias, e, queira ou não, esse filme levou muita gente a fazer algo inimaginável: ir ao cinema para ver um filme mudo em preto e branco. Só espero que a experiência não tenha afugentado esses espectadores....
Nota: 5,0
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Perfume de Mulher (Scent of a Woman, 1992)
Voltando aos anos 90, um dos filmes aos quais ouço mais elogios. É a história de um garoto (Chris O´Donnell), que apesar de estudar em um colégio abastado (com bolsa), passa por dificuldades financeiras e é contratado para cuidar de um militar cego e aposentado (Al Pacino), tentando ganhar algum dinheiro, enquanto é pressionado pela direção da escola a entregar alguns colegas que aplicaram um trote. Considerado uma pessoa difícil até pela família, que viaja para o feriado de Thanksgiving e o deixa aos cuidados de alguém, o Ten-Cel. Slade se recusa a ficar em casa conforme previsto, e faz com que Charlie (o garoto) o leve para Manhattan. No processo, o que iniciou como um relacionamento forçado e distante vai se tornando uma amizade, com Slade atuando como um improvável mentor junto a Charlie.
Eu gosto do filme. Mas provavelmente não tanto quanto a média. Não há como negar a estupenda atuação de Al Pacino (uma das suas últimas realmente boas, antes de bombas como S1m0ne), pela qual inclusive recebeu o Oscar de Melhor Ator. Sua interpretação do militar cego é impressionante e soa extremamente realista. Dá para ver o quanto ele se entrega ao papel. No entanto, em uma análise fria, o filme vai muito pouco além disso. Claro que já falei aqui sobre filmes que se apóiam em uma única cena (Letra e Música) ou mesmo em uma grande atuação (Piaf), mas para mim há uma diferença. Me permitam tentar explicá-la usando uma metáfora futebolística (se o ex-presidente pode, eu também posso).
| Até o Al Pacino gosta de futebol. |
Imagine um time com um grande craque e 10 jogadores medianos, comuns. Esse time possivelmente vai ganhar alguns (ou muitos) jogos. Mas, em geral, duas coisas podem acontecer: o craque carrega o time nas costas sozinho, ou então seu jogo faz com que os demais jogadores acabem se superando e jogando mais do que sabiam. Acho que já está claro onde quero chegar... Só para ficar em Al Pacino, em O Advogado do Diabo, outra fantástica atuação sua, ele puxa a qualidade geral do filme para cima. E olha que estamos falando de Keanu Reeves e toda a sua expressividade. A história, as atuações, o clima do filme se beneficiam de sua presença.
Para mim, não é o que acontece em Perfume de Mulher. Continuando um pouco mais com o futebol, é como se o time todo jogasse em função só do craque. Soa como se o filme fosse apenas uma ferramenta para mostrar a genialidade de Pacino. E, não me levem a mal, funciona muito bem, e o resultado geral é bom. Em muitos momentos seu brilho torna fantástico o que estamos assistindo. Mas, para que fosse um filme ótimo, acho que falta um pouco mais de unidade entre suas partes (convenhamos, Chris O´Donnell tem como "destaque" em sua carreira, além desse filme, 2 participações como Robin em filmes do Joel Schumacher. É bem pouco). E, embora o time de um só craque ganhe jogos e tenha seus brilhos, pode sentir dificuldade quando comparado a um que tenha como força o conjunto, sem nenhum destaque individual (tá aí a semifinal da Libertadores entre Santos x Corinthians que não me deixa mentir).
Tá bom, tá bom, chega de futebol.
Com tudo isso, como eu disse, eu gosto do filme, embora o ache meio Sociedade dos Poetas Mortos demais, se apoiando sobre uma grande atuação e um senso meio pretensioso de profundidade filosófica para parecer mais do que é. No entanto, se assistido como um grande monólogo de um grande ator, é uma experiência pra lá de prazerosa.
Nota: 7,0
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Lua de Fel (Bitter Moon, 1992)
Há atores que se transformam quase em "gêneros cinematográficos". São aqueles cuja presença em um filme em geral já diz tudo o que você precisava saber sobre o filme: o tipo, gênero, história, tom, e algumas vezes até o final da história podem muitas vezes ser inferidos apenas olhando quem participa dele. Hugh Grant é um exemplo (até já falei sobre isso aqui), Meg Ryan é outro (e por isso achei Em Carne Viva tão surpreendente), além, é claro, de brucutus como Stallone e Schwarzenegger (tirando desvios como Um Tira no Jardim de Infância).
Mas não é Hugh Grant o caso em discussão aqui (ele está nesse filme, mas apesar de seu papel ser meio que o de sempre, a história é bem diferente das quais estamos acostumados a vê-lo). Lua de Fel se encaixa em um tipo de filme geralmente tenso, abusado, chocante, com temática sexual, livre de amarras de pudor e convenções sociais, e portanto, não feito para todos os gostos. Esse tipo de filme fatalmente terá um de 2 atores (ótimos, por sinal), que para mim, simbolizam exatamente do que falo: Jeremy Irons (Lolita, Madame Butterfly, Gêmeos: Mórbida Semelhança e outros), para mim um ótimo ator, em geral subestimado justamente pelo tipo de filme que faz, e Peter Coyote, que é um dos atores principais deste Lua de Fel (e que também estrelou A Grande Arte, dirigido por Walter Salles - daí dá pra ter uma ideia).
No filme, Hugh Grant e Kristin Scott Thomas (Nigel e Fiona, mais britânicos, impossível) são um casal em lua de mel em um cruzeiro indo para Istambul, que conhecem um escritor americano paralítico, Oscar (Coyote) e sua namorada francesa Mimi (Emmanuelle Seigner, linda). Inicialmente se sentem ofendidos pelo jeito rude e grosseiro do escritor, mas, um pouco por se sentir atraído por sua namorada, o personagem de Hugh aceita sua proposta de conhecer a história de suas vidas, como se conheceram e chegaram ali.
É a partir daí que a história fica mais densa, e o desejo de Nigel por Mimi vai se acentuando conforme as sessões com Oscar vão aprofundando mais em sua história chocante. Não vou entrar aqui nos detalhes da história, que obviamente é bem mais interessante assistida, mas queria falar um pouco sobre o quanto gostamos ou odiamos nos sentir chocados, ou seja, até que ponto nossa moral limita o que queremos ver (não entrando no mérito de o que nos dispomos a realizar, já que esse é um blog de cinema, a arte "voyeur" por definição).
Eu, pessoalmente, vejo uma diferença grande entre o "choque gratuito" e aquele que se insere em um contexto. Ou seja, filmes e pessoas que apresentam algo para gratuitamente chocar ou escandalizar alguém perdem muitos pontos comigo (um exemplo besta é a Lady Gaga aparecendo em uma festa dentro de um ovo gigante - convenhamos, isso é ridículo, e pessoas só fazem isso porque há desocupados que repercutem). Para mim, o exemplo clássico cinematográfico é Almodóvar (pausa para desviar das pedradas): reconheço méritos em seus filmes, inclusive tendo gostado muito de A Pele que Habito, o mais recente, mas acho que ele perde a mão muito facilmente. Exagera mesmo. Suas comédias são bastante honestas, especialmente as do começo da carreira, mas o tipo de drama que ele geralmente faz traz forçadas de barra desnecessárias, estilo novela mexicana mesmo, sem uma contraparte na história, ou seja, ele poderia contar as mesmas histórias de maneira menos sensacionalista. Ou sou eu que tenho, afinal, um baixo limite para me sentir ofendido, como claramente aconteceu em Má Educação.
Voltando ao filme em questão, claro que mentes mais sensíveis podem se escandalizar, mas o diretor Roman Polanski, na minha opinião, insere os momentos mais agressivos da história em um contexto bastante interessante. Claro que o filme não é perfeito, e em alguns momentos ele perde a mão um pouco, mas o filme deixa um saldo positivo.
Acho que, como falei antes, tudo se resume ao gosto pessoal de cada um. Como eu disse, o filme claramente não é para todos, mas aqueles que se dispuserem a abdicar por 2 horas de alguns preconceitos poderão gostar bastante. Além disso, como já disse em vários outros posts, acho que o cinema fica mais interessante quando nos leva, de maneira consistente, a experiências que não tivemos (ou não teremos) em nossas vidas, seja viajando entre galáxias, visitando a Idade Média, ou, como é o caso aqui, entrando na mente, relacionamentos e preferências sexuais de outras pessoas. Em resumo, eu gostei do filme e recomendo. Nem que seja para fazer como Hugh Grant no filme, e se sujeitar a uma história pesada só para ver a garota bonita... :-)
Nota: 6,0
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982)
Acho que já está na hora de alguma polêmica aqui no blog (quem sabe assim alguém se manifesta nos comentários). Então lá vai: Eu não gostei de Blade Runner.
Entendo seu papel como pioneiro em uma série de conceitos que moldaram a ficção científica moderna. Entendo também a revolução que causou na época por mostrar um futuro distópico e dark, em vez da ficção "limpinha" que era moda desde 2001. Me emocionei quando Rutger Hauer fala sobre a fugacidade da vida no monólogo final "Tears in the Rain". Também achei a Sean Young muito bonita e a Daryl Hannah meio esquisita. Também adorei o personagem de Edward James Olmos, o mais enigmático da história. Curto pra caramba a trilha sonora do Vangelis (Fogo no Rabo, TV Pirata, lembram?). Adoro ficção científica, especialmente a mais inteligente. Eu li até o livro. Mas não consegui gostar de Blade Runner.
Pior é que eu nem sei explicar direito porque não gostei. Depois de pensar bastante, cheguei a algumas razões, mas não sei se elas explicam propriamente a razão de eu não ter gostado. De todo jeito, seguem:
- Eu demorei quase 25 anos para ver o filme: claramente é uma obra revolucionária para sua época. Assistir muito tempo depois, especialmente quando tudo que ela influenciou já está na sua cabeça, causa bem menos impacto. É como eu disse no Facebook uma vez, que já achei que Beach Boys tinham copiado Juba e Lula, e que Under Pressure do Queen lembrava bastante Ice Ice Baby, do Vanilla Ice. Tudo é uma questão de pioneirismo...
- Não achei o roteiro tão bom assim: e olha que eu vi a versão do diretor que saiu muito depois. Mas não sei, acho que o Ridley Scott tentou fazer um filme noir demais e exagerou na complexidade e no mistério. Os personagens não geram muita empatia (não chega a te deixar desesperado pra saber o que vai acontecer), e especialmente o tanto de gente que mexeu, editou, deu palpite, etc. deixa o filme meio Frankenstein demais. O personagem do Rutger Hauer, como eu comentei, se redime no final, e até mostra suas motivações, mas os demais replicantes me parecem meio soltos.
- As atuações não são muito boas: não é segredo pra ninguém que a Sean Young nunca foi grande atriz, o próprio diretor diz que a escolheu mais pelo visual do que propriamente pela habilidade de atuação. E tenho que admitir outra coisa: eu nunca achei o Harrison Ford um excelente ator. Se consagrou em Star Wars, teve papéis muito bons (Indiana Jones, por exemplo), mas não é o cara que te faz sair de casa para ver o filme em que ele está. Entendo o personagem, mas acho que o Harrison Ford estava apático demais nesse filme. E, se prestarmos atenção, em quase todos os seus filmes...
Claro que o filme tem componentes psicológicos muito interessantes (como comentei, a fugacidade da vida, mas também a busca pelo criador, e até o que é a vida, no confronto entre replicantes e humanos). Eles têm sim seu mérito. Mas, em suma, não é um filme que me agrada rever. Só eu acho isso? Comentem.
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