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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Quem ganha?


É chegada a hora de palpitar e cornetar os palpites dos outros e os prêmios da Academia! Como excepcionalmente eu vi muitos dos filmes indicados esse ano, vou dizer aqui quem eu queria e quem eu acho que ganha o careca da Academia.

O ano de 2018 não me pareceu uma safra particularmente prolífica em termos de grandes filmes e grandes atuações indicadas ao Oscar. Por outro lado, não há um favorito destacado, e devemos ter algumas surpresas ao longo da premiação. É tipo campeonato da série B: o nível não é lá essas coisas, mas pelo menos vai ter disputa.

Sem mais delongas, vamos aos palpites furados. Depois eu volto e atualizo com os vencedores, ou com alguma mudança se eu assistir mais algum filme.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 (2017)


Há alguns anos, eu escrevi aqui no blog ESSE texto sobre Blade Runner, o original. Nele eu elencava várias razões pelas quais eu não tinha gostado do filme quando vi naquela época. Recentemente, assisti à versão original dele, com narração e final feliz, e relacionando as duas versões, consegui entender e gostar mais do filme. Mas o que de fato me fez gostar mesmo dele, finalmente, foi Blade Runner 2049.

O filme segue a história do original, 30 anos depois: os replicantes foram proibidos de serem fabricados em 2022, após executarem um atentado terrorista que criou um grande blecaute que durou dias e apagou praticamente todos os dados armazenados no planeta. Apenas alguns anos depois, o empresário Niander Wallace (Jared Leto), depois de desenvolver tecnologias de bioengenharia para acabar com uma grande fome, ficou bilionário, adquiriu a Tyrell Corporation (que fabricava os replicantes originais) e conseguiu autorização para voltar a fabricá-los. No entanto, os antigos replicantes, com poucas ferramentas de controle, continuam sendo perseguidos pelos famosos Blade Runners.


O filme é maravilhoso. Ele completa, engrandece e continua a história do primeiro, sendo ao mesmo tempo respeitoso e inovador. Leva os acontecimentos do primeiro por caminhos novos, mas que se entrelaçam com o passado. Mostra a mesma Los Angeles vazia e escura do primeiro filme, mas sob outro olhar. Mostra com calma, quase contemplação, a jornada de K (Ryan Gosling), um Blade Runner que descobre um segredo que pode causar uma guerra entre humanos e replicantes. Essa jornada visita novos e antigos lugares, e mostra como os destinos daqueles e de outros personagens voltam a colidir tantas décadas depois.

Boa parte do mérito vai para o diretor Dennis Villeneuve, de filmes como A Chegada e O Homem Duplicado. Assim como em seus filmes anteriores, ele consegue criar uma história intrincada, porém de forma ao mesmo tempo calma mas não didática demais. As 2 horas e 43 minutos de filme não apenas passam suaves, como você se pega torcendo para que o filme não acabe. Ele não está apenas contando uma história, está relembrando, criando e mostrando aquele universo para quem ficou 35 anos sem ter notícias dele. O cuidado com as referências e a evolução do ambiente é visível, e você se sente na Los Angeles daquele universo, mas 30 anos depois. Um exemplo são as cenas entre K e Joi (Ana de Armas), especialmente a linda cena de amor entre os dois.



Mas claro, a jornada também tem que valer a pena. E Villeneuve faz isso com muita competência. A história também se desfralda sem pressa, se explicando aos poucos, com paciência mas sem floreios. Tudo eventualmente acaba se encaixando e fazendo sentido, e se algo parece estranho em um momento, vai acabar sendo explicado depois. A motivação inicial se encaixa perfeitamente no primeiro filme, é surpreendente, e, na minha opinião, muito bem pensada. E se desenvolve muito bem, em camadas e desdobramentos que não deixam o ritmo do filme perder fôlego. Obviamente, não é um filme de ação, mas te deixa tenso praticamente o tempo todo, mesmo assim.

Outra coisa que vem muito forte do primeiro filme, embora sob outra ótica, é o questionamento do que é ser humano. Qual a diferença entre o humano "nascido" e o "construído"? Por que os últimos têm que se sujeitar às ordens e aos trabalhos rejeitados pelos primeiros? Por mais que agora seja mais fácil identificar um replicante (embora haja uma "releitura" do teste de Voight-Kampff), o conflito entre os humanos e os "sem-alma", mas muitas vezes mais humanos, replicantes sob o ponto de vista existencial continua guiando o filme, de formas diversas (e diferentes do primeiro filme).


As atuações eram um ponto que me preocupava um pouco. Não sou o mais fã de Ryan Gosling, peguei uma bronca razoável de Jared Leto, e tenho certo medo quando Harrison Ford entra no automático. Pois esse medo aqui é plenamente injustificado: os três estão em papéis completamente aderentes a essas características (Gosling é o Blade Runner que pouco demonstra emoções, Leto é o bilionário que se acha Deus, e Ford, bem, Ford é Deckard). Mas o destaque mesmo é o elenco de apoio, quase totalmente de mulheres: Robin Wright (a policial chefe de K), Ana de Armas, Sylvia Hoeks (impressionante como Luv, a assistente replicante de Wallace), Mackenzie Davis (uma prostituta que cresce na história, e tem talvez a cena mais bonita do filme) e Carla Juri (uma designer de lembranças para os replicantes) roubam a cena em papéis maiores ou menores, porém todas com extrema importância para a história e o universo. Até Edward James Olmos (Gaff) e Sean Young (Rachael) têm suas participações, aumentando mais ainda a sensação de continuidade com relação ao filme original.


O visual é um dos principais trunfos do filme. A fotografia busca inspiração no visual caótico, noturno e chuvoso do primeiro filme, porém cria novos cenários, expandindo aquele mundo para outros ambientes, outras pessoas, outros mundos ali dentro. E tudo se justifica. Não há o mundo ensolarado e bucólico do final do filme original, porém finalmente vemos que as ruas apertadas e visualmente poluídas não são os únicos lugares disponíveis. Assisti ao filme no IMAX, e recomendo bastante, pois traz uma amplitude e imersão que ajudam bastante a "entrar" no filme. O 3D é discreto mas não incomoda. A trilha sonora está à altura: Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch ajudam a criar a atmosfera, e trazem inclusive alguns toques do original de Vangelis, especialmente nos momentos mais conectados com o filme anterior. Confesso que senti um pouco de falta daqueles temas, mas o trabalho deles é impecável. E ainda tem Elvis, Sinatra, Righteous Brothers em momentos-chave.

Difícil apontar pontos negativos no filme. Alguns detalhes da história soam um pouco forçados, embora boa parte deles se explique mais adiante. Fora isso, fazia tempo que eu não saía do cinema tão maravilhado. Definiria Blade Runner 2049 como uma verdadeira experiência cinematográfica. Não é algo que se tem todo dia, mas é daqueles momentos que ficam na mente por muito tempo. Não se esvaem como lágrimas na chuva.

Nota: 9,4 (8o lugar na minha lista de melhores filmes)


sábado, 10 de junho de 2017

Mais Estranho Que a Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)





Não é muita novidade eu dizer aqui que adoro filmes com situações inusitadas, formas criativas de contar a história. Por isso, na época que esse filme foi lançado, imediatamente me interessou, por contar a história de Harold Crick, um auditor da receita com uma vida extremamente desinteressante e monótona, que um dia começa a ouvir uma narração em off de sua vida. Pior: a narração diz que ele vai morrer em breve.

Não é uma história criativa e com potencial? Eu me interessei imediatamente. Porém, acabei não vendo na época, e só assisti mais de 10 anos depois, essencialmente por causa de um problema:

                                    

Will Ferrell.

Eu me considero uma pessoa que gosta de comédias, sejam as mais inteligentes (Como Feitiço do Tempo, por exemplo), satíricas (Dr. Fantástico), escrachadas (Corra Que a Polícia Vem Aí), idiotas (Um Morto Muito Louco). Admiro muito bons atores de comédia, até porque, como já disse em outro post, o ator de comédia tem que ser muito mais versátil, já que os dramas clássicos têm a mesma estrutura desde milhares de anos atrás, enquanto a comédia que mais agrada muda completamente em questão de anos, ou de uma geração para outra.

E eu acho Will Ferrell um comediante tão ruim que isso me afastou do filme. Não consigo suportar os papéis dele em O Âncora, Ricky Bobby, e outras comédias em que ele faz sempre o tipo do bobo que se leva a sério. Acho que não tem graça, timing, nada. Nem no clássico "What is Love" do Saturday Night Live ele consegue se destacar minimamente:




No entanto, nesse filme, em um papel mais "contido", ele está muito bem. Assim como Jim Carrey, que na minha opinião é muito melhor ator dramático do que de comédia, Ferrell não compromete, e convence no papel de alguém que sempre teve tudo sob controle e de repente descobre algo tão extraordinário que começa a mudar. A química entre ele e Maggie Gyllenhall é ok, suficiente para que acreditemos em um romance pouco ortodoxo que aos poucos surge no filme.

E a história vai muito bem também, ao contrário de alguns filmes que pegam uma ideia criativa mas não sabem desenvolvê-la. Emma Thompson (no papel da autora que mata todos os "herois" de seus livros e quer matar Harold mesmo sabendo que ele é real) e Dustin Hoffman (como um professor de literatura que ajuda Harold) roubam todas as cenas em que aparecem, e você fica não apenas querendo saber o que vai acontecer com Harold como imaginando como seria a narração da sua vida e como você reagiria a ela.



Curioso como a gente pega bronca de um ator ou atriz e torce o nariz pra um filme só de saber que a pessoa está nele (estou falando com você, Nicolas Cage). Nesse caso, foram 10 anos que perdi de ter visto um filme tão interessante. E se tem algo que eu já devia ter aprendido sobre cinema, é que o único que se dá mal quando eu tenho algum preconceito sou eu mesmo.

Nota: 7,0

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, 2013)


Outro dia, quando falei de Lucy, prometi que voltaria ao tema ficção, mas dessa vez para falar de bons filmes. Claro, já falei de alguns, como De Volta para o Futuro, Gravidade e O Império Contra-Ataca, mas sempre é bom destacar filmes inteligentes, especialmente aqueles que não ficaram tão conhecidos quado saíram.

Já esse Expresso do Amanhã (que nominho em português, hein?) nem é bem uma ficção científica. Está mais para um sub-gênero que eu adoro, o "futuro pós-apocalíptico". Baseado em uma HQ francesa, o filme se passa em 2031, em um mundo onde a humanidade, buscando acabar com o aquecimento global, acidentalmente congelou tudo. Os únicos sobreviventes estavam por acaso em um trem, auto-suficiente, que dá uma volta ao mundo por ano, e onde se criou um "micro-universo", com ricos, pobres, colheitas, prisões, desigualdades.


Curtis (Chris Evans, excelente) é o jovem líder dos moradores do fundo do trem, marginalizados e explorados pela elite dos vagões da frente. Periodicamente, crianças são sequestradas e levadas, e um desses sequestros desencadeia uma revolução, que busca tomar o poder no trem. Obviamente, nem tudo é o que parece, e nesse processo, Curtis conhecerá e aprenderá coisas que não imaginava. No elenco, também aparecem John Hurt, como o antigo líder e mentor de Curtis; Tilda Swinton, em atuação fantástica, é uma das líderes da elite; além de Ed Harris, Viola Davis, Alison Pill também em bons papéis.

Pessoalmente, eu sou fã tanto de histórias pós-apocalípticas (como o ótimo Filhos da Esperança), como de "micro-universos", onde alguma restrição faz com que o mundo, restrito a um espaço confinado, se desenvolva com suas próprias regras. Os 12 Macacos, Metro 2033 são excelentes exemplos. Este Expresso da Amanhã é outro que vale muito a pena.


Além da premissa inteligente, a história se desenvolve de maneira muito interessante. Aqui sim, o conceito de suspensão de descrença funciona bem. Se você acredita que um trem é o último bastião de sobrevivência se movendo pelo mundo sem parar há 19 anos, e que, como foi construído para ser autossustentável, consegue manter a vida de quem está dentro dele, você está pronto para gostar do filme. Porque é um excelente estudo de sociedade, além de uma experiência visual e narrativa surpreendente. Sem pressa, o diretor Joon-Ho Bong vai mostrando os detalhes do funcionamento tanto do trem como da sociedade, e deixando claras as escolhas e sacrifícios que são feitos por cada um. O filme, uma produção americana e européia com um diretor sul-coreano, aproveita muito bem todas essas heranças: a ação e visual dos filmes americanos, o choque social dos filmes europeus, e a estranheza e finais inesperados dos filmes coreanos.

Portanto, se você passou pelo filme na lista do Netflix, se interessou e colocou na lista, ou mesmo o deixou perdido no meio daquela imensidão, pense novamente: atrás de uma cara de ficção genérica com o carinha do Capitão América pode estar uma grata surpresa.

Nota: 8,5 (42o. colocado na minha lista de filmes favoritos)


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016)


Eu odeio remakes, em geral pouco criativos e caça-níqueis que capitalizam um filme original. Eu odiei o novo Karate Kid. Eu odiei o novo A Fantástica Fábrica de Chocolate. Eu odiei quando anunciaram esse remake de um dos filmes oitentistas que mais gosto. Eu odeio a Melissa McCarthy como comediante. Eu odiei os trailers que foram sendo divulgados. Eu absolutamente odiei a versão nova da música-tema, provavelmente uma das mais emblemáticas da história do cinema. Eu fui para o cinema pronto pra odiar o filme com mais propriedade, e dava tão pouco por ele que não me incomodei quando a filha pediu para ver a versão dublada.

Por isso digo com toda propriedade: como é bom de vez em quando estar completamente, inapelavelmente, irremediavelmente ERRADO.


Eu adorei a história, que ao mesmo tempo homenageia mas se descola da original. O básico está lá: cientistas sem muito crédito que se juntam para combater uma ameaça sobrenatural crescente que ameaça a cidade de Nova York. Mas a formação e evolução do time, a origem da ameaça, a trajetória do grupo obviamente mudaram para fazer mais sentido na transposição da década de 80 para o mundo de 30 anos depois. E mudaram com bastante coerência. A internet está lá, mas não tira o espaço dos velhos traços em mapas. As tecnologias são novas, mas as armas têm o mesmo jeitão. E mesmo que, assim como no original, você já saiba tudo que vai acontecer, torce, vibra e se diverte do mesmo jeito.

Eu adorei as referências. Em época de anos 80 em alta, com obras como Stranger Things, e em se tratando de algo tão cult como Caça-Fantasmas, seria fácil exagerar na mão nas referências ao filme original, engessando a história ou tornando-a algo sem sentido para a nova geração. As referências estão lá (o logo, o carro, o prédio, uma participação sensacional do monstro de marshmallow, entre muitos outros), mas nota-se uma deferência ao material antigo sem que isso se torne um problema. O fã antigo vai adorar, vai ficar procurando detalhes, mas a história corre sem parar para mostrar "olha aqui, lembra disso?" o tempo todo. Ponto para os roteiristas.


Eu adorei o elenco. Um dos pontos fortes do filme original era o equilíbrio entre os componentes da equipe, sem que um se destacasse muito mais que os demais (embora Bill Murray tivesse alguma profundidade em sua história, especialmente devido à personagem de Sigourney Weaver). Como eu disse ali em cima, não sou fã da Melissa McCarthy, e tinha medo de que as demais servissem apenas como escada para a "atriz principal". Não podia estar mais longe da verdade: todas têm seu espaço, mandam bem, e mesmo Melissa não me incomodou como faz em Mike and Molly, por exemplo. Destaque para Kate McKinnon, como a insana e extremamente produtiva Holtzmann, e Chris Hemsworth, claramente se divertindo no papel do tapadíssimo assistente Kevin.

Eu adorei as participações especiais. Sim, eles estão todos lá. Até Bill Murray (obviamente, com a sentida ausência do saudoso Harold Ramis). Cada um dos atores que fizeram os Caça-Fantasmas originais faz sua ponta nesse filme. Sigourney Weaver também. Até o Geléia (que, pasmem, tem papel importante na história também). Adorei o papel de Ernie Hudson, que rouba a cena por 30 segundos. Mais do que a importância dos papeis em si, o legal é a chancela de "vão lá, gente, bom trabalho, estamos aqui passando o bastão e desejando boa sorte". Ah, sim, tem Ozzy Osbourne também :-)



Eu adorei o filme, em resumo. Depois de toda a polêmica do elenco feminino (que não passa batida no filme, com algumas boas piadas muito bem colocadas lembrando que elas são mulheres e não estão nem aí para o que alguém pensa sobre isso. Aliás, o próprio Kevin, tão criticado, não deixa de ser uma sátira caricatural e muito bem sacada do papel da secretária burra e gostosa), fica fácil transformar esse remake em uma discussão sobre feminismo vs. machismo, ou sobre a necessidade do cinema de tentar mostrar novamente todas as suas boas histórias. Não caia nessa. O filme obviamente não é perfeito, as coisas acontecem muito fácil e nem sempre é fácil seguir a lógica da história. Mas tem sido tão difícil sentar no cinema e ter uma diversão honesta que esse Caça-Fantasmas vale muito a pena por isso. Foi ótimo ver minha filha sair empolgada com um sorriso enorme no rosto ao final da sessão. Assim como eu fiz, com a idade dela, no filme original. E é uma sensação fantástica.

Nota: 7,5/10

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Angry Birds - O Filme (The Angry Birds Movie, 2016)


Depois de bastante tempo sem falar de filmes, e depois de deixar passar "apenas" um Star Wars novo, Batman vs. Superman, Guerra Civil e o último X-Men, volto para falar, sim, de Angry Birds. Os demais todo mundo viu, e eu espero voltar a eles em algum momento, mas agora é a hora dos pássaros e dos porcos.

Longa-metragens baseados em videogames ainda são algo não completamente equacionado pelos estúdios. Além do estranhamento natural de ver na tela algo que se está acostumado a controlar, só que dessa vez agindo sozinho, videogames não costumam ter uma história muito bem estruturada, que tem que ser desenvolvida na transição para o cinema. Muitas vezes fica ruim (Alone In the Dark, Street Fighter, Super Mario Bros.), mas em geral acaba esbarrando no mundo que cada um construiu na sua cabeça a partir das informações que tinha, e que, obviamente, pode ser bem diferente do que aparece no filme.


O que dizer então de um jogo simples de celular, com a premissa surreal de pássaros que não voam sendo atirados por estilingues para destruir porcos que roubaram seus ovos? De cara, não dá nem pra imaginar que história poderia ser contada em quase 2 horas a partir desse fiapo de "universo". Mas isso acaba sendo uma vantagem para o filme: guardando as características de alguns pássaros, e a ideia geral de porcos roubando seus ovos, o filme explora o porquê dos pássaros serem tão "raivosos" de maneira bem divertida, e que pode ser compreendida perfeitamente por alguém que passou os últimos anos em Júpiter e não conhece o jogo.

O filme conta a história de Red, um pássaro com problemas de raiva que vive em uma ilha onde todos se orgulham de serem felizes, e portanto, o desprezam. Os porcos chegam cheios de presentes, querendo fazer amizade, e ele é o único a desconfiar. Quando roubam todos os ovos, ele lidera os pássaros na missão de resgate, com estilingue, efeito dominó e todos os truques que fizeram tanto sucesso no celular.

A ambientação, os personagens (especialmente os secundários - a professora de contenção de raiva, por exemplo, é sensacional), a trilha sonora, as piadas e referências, fazem com que o filme seja muito interessante e divertido, mesmo para os adultos. Destaque também (na versão brasileira) para a dublagem de Fábio Porchat, que já havia feito um bom trabalho em Frozen.



Enfim, não é uma receita de sucesso para os videogames, mas Angry Birds consegue ser divertido focando em uma história que faça sentido dentro do filme, em vez de tentar se ater demais ao videogame, porém guardando características (especialmente dos personagens) que vão ser reconhecidas por quem joga. Parece uma boa fórmula.

Ah, e eu vi em 2D. O 3D não pareceu fazer falta.

Nota: 7,0

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Divertida Mente (Inside Out, 2015)


Há tempos que a animação deixou de ser apenas para crianças. Inclusive falei aqui sobre isso. A Pixas, principalmente, vem conseguindo fazer filmes que, embora não deixem de ser interessantes e ter suas mensagens para crianças, falam também com adultos. Wall-E e Up são bons exemplos, onde o componente infantil está lá: os personagens divertidos, a história interessante, as lições de moral. Mas também há algo para adultos: a acomodação da vida moderna e o saudosismo de alguém que se perde, por exemplo. Divertida Mente repete o mesmo fenômeno: é uma história que agrada as crianças e tem mensagens para adultos.

Mas não é só isso.



O filme se passa basicamente na mente de uma garota de 11 anos, Riley, que se muda com os pais de Minnesota para a Califórnia e luta para se adaptar nos primeiros dias de sua nova vida. Os personagens principais são as emoções: Alegria, Tristeza, Medo, Nojo e Raiva. Sem saber direito como lidar com a nova situação causada pela mudança, as emoções entram em uma "aventura" buscando salvar as memórias e vínculos que Riley tem em sua mente. A história é ótima e bastante acessível para as crianças.

Para os adultos, o que chama a atenção é a construção simples desse "universo" da mente humana, desde as lembranças, que são associadas a uma das emoções, os sonhos, o subconsciente... é a parte "genial" do filme para mim. Há ótimas piadas (como a dos funcionários responsáveis pela armazenagem e destruição de memórias, que gostam de uma música de propaganda e vivem fazendo Riley lembrar dela, quem nunca?), e todo o processo de lembrança, esquecimento, amadurecimento, aumento de complexidade da personalidade conforme se fica mais velho está lá. É quase uma aula de psicologia (tomara que os leitores e leitoras psicólogos não me xinguem muito...).

Mas um grande destaque para mim é o uso da animação para criar um novo mundo, que pra mim não poderia ser feito com atores, no modelo "live-action".


A cena acima, por exemplo. Nela, Alegria e Tristeza (dispensam descrições) precisam levar as memórias-base (as mais importantes, aquelas que formam personalidade e caráter) de volta ao centro de "controle". Atrás delas, as prateleiras armazenam as memórias, cada uma com sua cor, de acordo com a emoção associada (alegria, medo, raiva - o interessante é que, enquanto criança, as emoções de Riley são "monocromáticas", achei brilhante). Ao longe, as "ilhas" que representam os principais traços de personalidade associados às memórias-base (na cena, as ilhas da Família, da Honestidade e do Hockey).

Eu poderia falar novamente sobre como foi bem feita essa "construção" da mente, mas para ver isso vale muito mais a pena assistir o filme. Posso citar também as atuações e a dublagem, muito competentes. Agora, o mais interessante é que o uso da animação para criar esse mundo foi fundamental. Divertida Mente não é uma animação por acaso. Além de ajudar a contar melhor a história, também contribui para que se quebre o preconceito de "coisa pra criança".

Se você não viu o filme por isso, esqueça e vá assistir agora. Você não vai se arrepender. Prometo que não conto para ninguém.

Nota: 8,5 (39o. na minha lista de filmes favoritos)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Beleza Americana (American Beauty, 1999)


Vencedor do Oscar em 1999, Beleza Americana, de Sam Mendes, conta a história de Lester Burnham (Kevin Spacey), pai de família acomodado, que se considera um fracasso, tem um casamento falido com Carolyn (Annette Bening), não consegue se comunicar com a filha adolescente (Thora Birch), e de repente se vê apaixonado pela sua amiga de colégio Angela (Mena Suvari, linda). A partir desse fato, começa a contar sua vida e a vida daqueles em seu redor, a partir de um ponto futuro no tempo, onde ele já morreu.

O conjunto de "tipos" que compõem o subúrbio retratado no filme é um de seus pontos fortes: temos o pai de família fracassado e sem perspectivas, a mãe frustrada e viciada em auto-ajuda, a filha problemática e sua amiga popular, o vizinho esquisito, com seu pai militar rígido e a mãe ausente. E todos eles bastante realistas, ou pelo menos críveis, assim como a história que Lester conta a partir do dia que conheceu a amiga da filha até o dia de sua morte. O roteiro e as atuações são bastante elogiáveis (especialmente Kevin Spacey, que havia estourado há poucos anos com Seven e Os Suspeitos, e Chris Cooper, no difícil papel do Coronel Fitts), o visual e fotografia (especialmente nas cenas entre Lester e Angela, geralmente na imaginação dele), compondo um excelente filme, que ganhou prêmios e fez bastante sucesso na época do lançamento.


Mas provavelmente eu não estaria aqui escrevendo sobre o filme se não o tivesse visto de novo por esses dias. Além de comprovar que o filme continua atual, e foi realmente muito bem feito, algo me chamou atenção quando comparei as duas vezes que o vi, com 16 anos de diferença: o filme fala diferente para pessoas diferentes, e para fases diferentes da mesma pessoa.

Não é grande novidade que a experiência de quem assiste um filme varia de acordo com a sua vivência. Pros dois lados: há filmes que se não forem assistidos enquanto jovem, não vão ter grande apelo quando mais velho (Curtindo a Vida Adoidado, por exemplo). Mas me surpreendeu o quanto isso afeta a visão que tive de Beleza Americana aos 22 e agora aos 38 anos.



A primeira coisa: aos 22, me parecia que Lester Burnham era quase aposentado, que olhava do fim da vida e via que a tinha desperdiçado. Qual não foi minha surpresa quando logo na introdução ele diz que tem 42 anos. É pouco mais que a minha idade. O que me pareceu muito distante lá atrás de repente é algo muito próximo hoje. E isso me fez "sentir" muito mais a dor que ele sente, já que agora ele me parece "novo" e já desanimado da vida que passou anos construindo.

Outro ponto que passei a entender melhor: o "vilão" do filme, sob o ponto de vista de Lester, não é a idade, a velhice. É o conformismo, a desesperança. É estar longe do fim da estrada mas já achar que tomou o caminho errado e não se ver com forças para voltar e trocar de caminho. E não apenas ele: a seu modo, cada um dos personagens se vê em seu próprio caminho sem volta. Talvez seja essa a tal "Beleza Americana": você tem toda a condição de escolher de que maneira vai ficar insatisfeito.

É o principal mérito do filme também, conseguir mostrar sua mensagem de maneira diferente para cada um que o assiste. Ou, no meu caso, para cada fase da vida que assistiu. Não é pouco mérito.

Nota: 8,0


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Rocky Horror Picture Show (1975)


Ressucito mais uma vez o blog para falar de outro musical, um que inclusive assisti com bastante atraso: Rocky Horror Picture Show. O filme, baseado em um musical inglês de Richard O'Brien (o ator que faz o Riff Raff na história), é "levemente baseado" na história de Frankestein. Um casal de noivos (Barry Bostwick e, sim, Susan Sarandon) tem o carro quebrado em uma estrada escura e busca auxílio em um castelo. Ao chegar lá, são recebidos pelo Dr. Frank N. Furter, um travesti alienígena que acaba de criar um ser vivo para seu prazer.


O resto do filme se passa dentro do castelo, e conta, de maneira tresloucada, a história do doutor, sua vinda para a Terra, e fala de outros personagens também. Tudo com muita música, claro, afinal falamos de um musical. E é bastante divertido, as músicas (e a história, por que não?) são cativantes, e você se pega se perguntando onde aquela doideira toda vai parar.

Mas o mais interessante desse filme é saber como aconteceu o sucesso dele. Foi um fracasso completo em seu lançamento - o diretor conta que foi a uma sessão no meio do dia e era a única pessoa na sala - até que um cinema em San Francisco resolveu colocá-lo em sessões da meia-noite, tradicionalmente reservadas para filmes B ou em reapresentação. Aí sim iniciou seu sucesso. As sessões começaram a lotar, e os donos das salas percebiam que as mesmas pessoas voltavam várias vezes. Essas pessoas começaram a vir fantasiadas, a decorar as falas, e a imitar as coreografias conforme elas aconteciam na tela.


"Time Warp", por exemplo, o primeiro número depois que eles entram no castelo, foi colocado no musical apenas para encher linguiça, já que a duração estava muito curta. Foi um sucesso. Com o tempo, toda uma mitologia foi sendo desenvolvida pelos fãs para assistir o filme no cinema. Falas em resposta aos diálogos do cinema foram desenvolvidos, e até um "kit" de acessórios foi criado, contendo coisas como arroz (para ser atirado na cena do casamento), água (para a cena da chuva), torradas (toasts, para a cena do brinde), e assim por diante. E tudo isso sem internet e sem home video.

Com isso tudo, é considerado por muitos o maior filme cult de todos os tempos. Foi capaz de desenvolver uma base fiel de fãs, que até hoje mantêm vivo o universo criado no filme. Muito antes de Star Wars, Star Trek e outros (basta dizer que é hoje o recordista de filme há mais tempo em cartaz ininterruptamente no mesmo cinema - mais de 40 anos, em um cinema alemão). Pra mim, é um caso muito curioso de mobilização em torno de algo, de encontrar um grupo de pessoas que divide os mesmos gostos e tornar isso uma experiência legal. Ah, e o filme é muito bom, vejam com carinho :-)


Nota: 7,5

domingo, 29 de março de 2015

[Top 10] Trilogias


As trilogias. Por alguma razão, séries de 3 filmes se tornam cada vez mais comuns no cinema, seja como desenvolvimento natural da história, seja porque se baseiam em séries de 3 livros, ou seja por falta de vergonha e ganância de quem as realiza (né, Peter Jackson?). Enfim, depois de um começo de conversa sobre o assunto com o Victor Caparica no Twitter, resolvi elencar aqui as 10 melhores trilogias do cinema na minha opinião, ordenadas. O critério é que tenham sido 3 filmes (dã), e que na média, eles componham uma obra de destaque, tentando privilegiar aqueles em que não haja um filme que destoe negativamente dos demais.

Já me preparando para desviar das pedradas, lá vai:

10 - Corra Que a Polícia Vem Aí (David Zucker - 1988 a 1994)

Sou um fã confesso do humor besteirol. Poucas vezes ele atingiu tal nível ao longo de 3 filmes como em Corra Que a Polícia Vem Aí. Leslie Nielsen, que teve uma longa carreira em filmes sérios, "renasceu" como ator de comédia física nas mãos de Zucker e Abrahams em Apertem os Cintos..., mas é aqui, como personagem principal, que atinge seu auge. São muitas cenas antológicas, várias vezes com outras piadas acontecendo ao fundo, para se escolher qual a melhor. Memorável.




9 - Trilogia "Antes do..." (Richard Linklater - 1995 a 2013)

Nada menos que 18 anos separam os filmes dessa série (da qual falei aqui e aqui), na qual Richard Linklater começa com a história de 2 desconhecidos que se encontram em um trem e decidem passara noite juntos (Antes do Amanhecer), se reencontram depois de muitos anos (Antes do Pôr do Sol), e estão casados, com 2 filhas (Antes da Meia-Noite). Em comum, os filmes têm muita conversa, um clima intimista e um retrato profundo da dinâmica entre o casal, e da passagem do tempo, desde jovens idealistas a um casal de meia idade pragmático. Vale muito assistir.



8 - Trilogia Exterminador do Futuro (James Cameron - 1984 a 2003)

Não é bem uma trilogia, mas como o filme 4 (e o futuro filme 5) se situam em uma linha temporal alternativa, dá pra isolar e analisar apenas os 3 primeiros. A história que projetou Arnold Schwarzenegger em Hollywood é uma baita história, com viagens no tempo, muita ação e efeitos visuais (O Exterminador do Futuro 2, quando lançado, era o filme mais caro de todos os tempos), e conta uma história que prende, empolga e, queira ou não, tem sua profundidade ao discutir os rumos da humanidade e a dependência de máquinas e computadores. Mesmo o terceiro filme, considerado por muitos muito inferior, me empolgou e terminou a saga inicial de maneira bem legal. E, claro, o tema é muito maneiro: TANAM TAM TANAM (um projeto @odildavid)



7 - Trilogia O Senhor dos Anéis (Peter Jackson - 2001 a 2003)

Considerada "infilmável", a série de 3 livros de J. R. R. Tolkien ganhou uma adaptação memorável pelas mãos de Peter Jackson no início dos anos 2000. Quase uma unanimidade em termos de "adaptação na mesma qualidade dos livros', a série de filmes foi produzida durante 18 meses na Nova Zelândia, e transmite todo o caráter épico e grandioso do livros. Suas versões estendidas somam mais de 11 horas de filme. A pena é que a ganância de Peter Jackson ao transformar o pequeno livro O Hobbit em mais 3 filmes tenha resultado em algo mais para modorrento do que para épico.



6 - Trilogia do Homem Sem Nome (Sergio Leone - 1964 a 1966)

Embora não sejam tecnicamente uma trilogia, já que as histórias não são sequenciais e Clint Eastwood sequer interprete o mesmo personagem nos 3 filmes, a sequência Por Um Punhado de Dólares/Por Uns Dólares a Mais/The Good, the Bad and the Ugly (me recuso a usar o nome em português) está aqui porque eu quero, oras. Obras-primas do sub-gênero "Western Spaghetti", que curiosamente começou como uma alternativa de menor custo e maior liberdade criativa ao Western tradicional, e acabou, na minha opinião, deixando um legado mais presente até hoje do que o gênero que o deu origem. Ah, e Ennio Morricone...



5 - Trilogia Batman (Christopher Nolan - 2005 a 2012)

O primeiro filme do Batman, de Tim Burton, foi um marco no cinema de quadrinhos. Basicamente apenas Superman havia sido feito na época, e ele trouxe um visual novo para os filmes de super-heróis. Após as "experiências" de Joel Schumacher, o personagem foi deixado um pouco de lado, e o gênero evoluiu enquanto isso. Até que Christopher Nolan trouxe uma abordagem nova, mais realista, para o personagem. Mesmo com opiniões divididas sobre o primeiro (na minha opinião, muito bom), e especialmente sobre o terceiro (que, de fato, fechou a história com uns furos de roteiro meio graves), o segundo filme, O Cavaleiro das Trevas segue sendo, provavelmente, o melhor filme de quadrinhos da história, não apenas pela estupenda atuação de Heath Ledger como Coringa, mas também por conseguir uma história inteligente, atrativa e toda amarrada, algo raro para um "filme do meio".



4 - Trilogia Indiana Jones (Steven Spielberg - 1981 a 1989)

Não há muito o que dizer aqui: um personagem carismático, com histórias interessantes, no estilo "aventuras de antigamente", bem dirigidas e emocionantes. O primeiro filme (Caçadores da Arca Perdida) já foi muito, muito bom, e os seguintes (Indiana Jones e o Templo da Perdição e Indiana Jones e a Última Cruzada) apenas aumentam o nível, sendo que Sean Connery arrebenta no papel de pai dele no último. De fato, não há muito o que dizer. Existem boatos não confirmados de um quarto filme.



3 - Trilogia O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola - 1972 a 1990)

O primeiro Godfather é considerado até hoje um dos melhores filmes de todos os tempos. O segundo, considerado por alguns no mesmo nível, é até hoje a única continuação a repetir o Oscar de Melhor Filme. O terceiro... bem, o terceiro poderia ser até um filme decente se Sofia Coppola não o estragasse, mas encerra a história de forma interessante. A saga da família Corleone até hoje espanta pela profundidade da história, pelas fantásticas atuações e pela reconstituição da máfia como poucas vezes visto.



2 - Trilogia Star Wars (George Lucas / Irvin Kershner / Richard Marquand - 1977 a 1983)

Não é preciso frisar o impacto que essa trilogia teve sobre a cultura pop e até sobre o jeito que se faz cinema. Fanboyzice à parte (vou tentar), são 3 baita filmes (Star Wars e Império Contra-Ataca estão claramente em um nível acima, mas O Retorno de Jedi de maneira alguma compromete). Aliás, para mim  Império é o melhor filme do meio da história das trilogias, já que em vez de apenas ser um gancho para o fim da história, tem o final mais interessante e mais sombrio de toda a saga. Já que a tal "nova trilogia" (da qual o @fvanzo tanto gosta) decepcionou tanto, ficamos no aguardo do filme VII que a Disney (já sem George Lucas) vai lançar no fim do ano.



1 - Trilogia De Volta para o Futuro (Robert Zemeckis - 1985 a 1990)

É uma questão de gosto mesmo. Entendo quem disser que uma das anteriores (ou alguma que não coloquei) é melhor, mas os filmes De Volta para o Futuro (especialmente Parte 1 e Parte 2) têm algo de muito especial pra mim. Não há uma vez que passe na TV e eu não veja, torça pelos pais de Marty, vibre com o skate voador, com os paralelos entre os 3 filmes (aliás, sugiro fortemente vê-los pelo menos uma vez na sequência, direto). É um roteiro universal, em que a viagem no tempo é só um coadjuvante para contar histórias bacanas de pais, filhos, amigos, diversão. Precisa mais?


E agora podem vir as pedras.

(Menções honrosas: Máquina Mortífera, X-Men, Madagascar, Shrek, Rocky, Mad Max)

sábado, 13 de dezembro de 2014

Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013)


Apesar de ser fã de esporte, nunca falei aqui no blog sobre nenhum "filme de esporte". Isso porque, em geral, tenho algumas reservas sérias ao subgênero. São filmes em geral difíceis de serem feitos de maneira decente, por algumas razões: é bem difícil filmar cenas esportivas de forma convincente; além disso, como história, acabam sendo "épicos" demais, com contos de superação que, se não forem bem dosados, facilmente parecem forçados ou pouco realistas.

Quis a ironia do destino que o filme que me faria voltar a respeitar o subgênero fosse logo de um esporte que pouco tenho acompanhado (e que eu, pessoalmente, tenho até reservas em chamar de um esporte): a Fórmula 1. Rush conta a história da rivalidade entre os pilotos James Hunt e Niki Lauda, desde que se conheceram na Fórmula 3 até a disputa entre os dois no Campeonato Mundial de 1976. E é fenomenal.


E por que achei tão bom? Primeiro, e principal, porque a história chega a ser inacreditável: a rivalidade, a disputa, o acidente de Lauda, seu retorno contra todos os prognósticos, a corrida final, o desfecho da história. E tudo (com alguns - poucos - exageros) aconteceu de verdade. Eu conhecia a história por alto (não sou velho o suficiente para ter visto ao vivo, mas sim para lembrar do Niki Lauda todo queimado), e não pude deixar de me empolgar em alguns momentos, mesmo já tendo noção de como a história acabaria.

A principal razão disso é o roteiro. Pode-se pensar que adaptar uma história real é mais fácil, já que ela está "pronta", mas muitos roteiristas tendem a se perder em detalhes, ter dificuldade em escolher o que tirar da história, ou inflar exageradamente partes da história para dar efeito dramático. Nada disso acontece aqui: a história é muito dinâmica, bem editada, se atendo bastante à realidade (segundo o próprio Niki Lauda, inclusive) e funciona muito bem em sua tensão e agilidade. Além disso, não tem o tal fator "redenção" que é muito comum em filmes de esporte, aquele cara que sofre horrores, mas luta contra tudo e contra todos para ser o campeão. Aqui não: temos "antagonistas" de carne e osso, com estilos muito diferentes (esses sim, um pouco exagerados às vezes), mas que não são herói ou vilão, e que buscam, cada um à sua maneira, seus objetivos.


Outro ponto de destaque é o esmero técnico da produção. As cenas de corrida são extremamente bem feitas, com carros da época, muitas delas filmadas nos próprios circuitos onde aconteceram (inclusive a cena do acidente de Lauda). A imersão nas corridas é total. Além disso, a caracterização dos atores como os personagens reais é impressionante. Eles não apenas se parecem e agem como as pessoas reais, como também a maquiagem em Daniel Brühl depois do acidente é bastante verossímil.


As atuações também são motivo de elogios ao filme. Muitas vezes, buscando pessoas fisicamente parecidas aos reais, a produção acaba deixando em segundo plano o talento dos atores. Além disso, o próprio ator tenta imitar a pessoa real de tal modo que acaba soando artificial. Também não é o caso aqui. Sou fã de Daniel Brühl, e já falei dele aqui em Adeus Lênin, então não é novidade que é um excelente ator, muito versátil e, portanto, um excelente Niki Lauda, sem exagerar na "cópia" mas mostrando as principais características do piloto. Até Chris Hemsworth, em geral um ator mediano (e que poderia ser o erro que comentei acima, o ator muito parecido mas pouco talentoso), funciona muito bem como o playboy talentoso James Hunt, passando de maneira convincente o senso de irresponsabilidade que o tornava um bom piloto mas não o levava a se aperfeiçoar. E, como coadjuvante, destaco Alexandra Maria Lara, uma bela e excelente atriz romena (de O Leitor e A Queda) que vive a socialite que se casa com Lauda semanas antes do acidente.


Portanto, se você é como eu, perca seu preconceito com Fórmula 1, filmes de esporte e/ou baseados em fatos reais e, se não viu, veja Rush. Se não gostar, pode fazer como James Hunt no final e me dar um soco (PS: Essa cena sim é inventada e não aconteceu na vida real) :-)

Nota: 8,5 (38o. na minha lista de filmes favoritos)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

[Top 10] Cenas musicais

Depois de tanto tempo escrevendo no blog, pensei em fazer um novo tipo de post. Nada extremamente original, o que mais tem por aí é blog com listas. Mas, de todo jeito, achei legal selecionar os meus melhores no cinema em alguns critérios. Para começar, as 10 cenas musicais que mais gosto. Não coloquei aqui cenas de musicais, preferindo aqueles filmes onde a música em um dado momento se torna um personagem. As cenas não estão em ordem de preferência e representam o meu gosto pessoal, podendo ser cornetadas à vontade nos comentários:

Ferris Bueller na Parada - Curtindo a Vida Adoidado

Já começo com a minha favorita, que marcou uma geração de espectadores da Sessão da Tarde juntando Beatles (e Danke Schön) com o maior matador de aula do cinema. É surpreendente, é emocionante, engraçada. Paro pra ver toda vez:



O concurso de Twist - Pulp Fiction

Essa também já nasceu clássica. Aparentemente aleatória na história do filme, mas juntando o fetiche de Tarantino por Uma Thurman e o passado "dançarino" de John Travolta (que foi praticamente ressucitado pelo diretor nesse filme), com uma coreografia propositalmente amadora e tosca, que virou um cult instantâneo:



Fila do Banco - Ou Tudo Ou Nada

Nesse excelente filme, um grupo de desempregados ingleses promete um strip-tease "até o fim" como forma de conseguir dinheiro, em um país recessivo e com poucas esperanças. Um tema sério, mas levado com bastante humor. E a cena musical que mais gosto reflete bem essa dualidade: na fila para receber o seguro-desemprego, aos poucos os homens, quase sem perceber, estão dançando de forma coreografada, de acordo com o que vêm ensaiando. Simples, mas marcante:



Clipe inicial - Letra e Música

Um filme bastante esquecível, com Hugh Grant e Drew Barrymore fazendo mais do mesmo em relação a papéis, mas com uma abertura que os anos 80 não teriam feito melhor:



Uncle Fucker - South Park: Bigger, Better and Uncut

Essa entra pelo inusitado. É tão surreal que eu não conseguia parar de rir no cinema. A música (composta basicamente de palavrões e ofensas) conseguiu a proeza de ser indicada ao Oscar e ser cantada durante a cerimônia:



Apresentação de Marty McFly no Baile do Encanto Submarino - De Volta para o Futuro

Outra clássica. Marty, sob risco de sumir da existência caso seus pais não se apaixonem, tem que cobrir a ausência de um guitarrista no baile. Durante a romântica "Earth Angel", seus pais finalmente se apaixonam, e depois vem "Johnny B. Goode" para espanto da platéia dos anos 50 que o assiste. Fantástica:



Coreografia no deserto - Priscilla, a Rainha do Deserto

Além de divertidíssimo, esse filme foi um dos primeiros a retratar a causa gay com tal naturalidade, e de maneira séria porém tornada leve. Essa cena é um retrato de todo o filme, mostrando o "choque" entre o exagero das dançarinas em contraste com os "caipiras" da Austrália.



Bohemian Rhapsody - Quanto Mais Idiota Melhor

Digo apenas que após essa cena, é impossível ouvir Queen no carro e não bater cabeça:



Tocando Piano no Chão - Quero Ser Grande

Se você viu essa cena na Sessão da Tarde e nunca quis tocar piano desse jeito, você não foi uma criança feliz:



Tango - Perfume de Mulher

Termino com essa cena clássica, de um filme não tão clássico assim. Não dava para esquecer Al Pacino, roubando o filme (que nem é tão bom assim), como o coronel cego que dança tango:



Bonus Track - Tango - True Lies

Vou trapacear aqui um pouco pra colocar outra cena, já que ela usa a mesma música da anterior. No subestimado True Lies, Schwarzenegger é o espião que finge tão bem para sua mulher que tem uma vida sem graça que ela acaba acreditando. No final, vira espiã também, e vem mais tango por aí (infelizmente, nesse caso, dublado em russo):



Menções honrosas: 500 Dias com Ela, O Casamento do Meu Melhor Amigo, Pequena Miss Sunshine, 10 Coisas que Odeio em Você

Esqueci alguma? Exagerei? Comente.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen, 2013)


Faz tempo que esse post está no rascunho, mas demorei a escrever porque não sei de fato o que falar de novo sobre esse filme. Em especial, não consigo entender muito bem porque, com animações da Disney sendo produzidas industrialmente, logo esse fez tanto sucesso, especialmente entre as meninas. Pensando nisso, tentei entrevistar a especialista em filmes de animação infantis aqui de casa, a Manu, 6 anos, que já viu o filme mais de uma dezena de vezes, no mínimo.

A história, como você provavelmente já sabe: Em um reino nórdico, duas princesas irmãs (Elsa e Anna), após perderem seus pais, se preparam para a coroação de Elsa, que tem o poder oculto de transformar as coisas à sua volta em gelo. Tudo dá errado, ela congela todo o reino e foge. A partir daí, Anna enfrenta o inverno inesperado para resgatar sua irmã e devolver o reino a seu estado natural.


Manu não soube me explicar muito bem do que gostou ("Ah, papai, tudo é legal"), mas suspeito que um primeiro ponto, ainda que ela não saiba, seja justamente esse: duas personagens principais são mulheres, e muito do filme se passa entre elas, sem que se defina "herói" e "vilão" e sem necessariamente uma presença masculina forte e inabalável, tão comum nas fábulas infantis. Em um dado momento, os próprios personagens tripudiam de uma delas que decidiu se casar muito rápido. Acho que isso tem um certo apelo a uma geração que cresceu sem o conto de fadas dentro de casa.

Outro fator importante é algo mais imponderável: o carisma dos personagens. Não há exatamente um personagem fraco ou sem graça. As irmãs são personagens amáveis, bem desenvolvidas, e, claro, lindas. Olaf, o tradicional alívio cômico, acerta em cheio no carisma, e, pasmem, na dublagem de Fábio Porchat. Os demais seguram bem a onda e não comprometem.



Outro ponto importante: a trilha sonora. As músicas são interessantes e bem colocadas, no tradicional modeo Disney de colocar uma música no momento mais importante para explicar o que o personagem está sentindo. Até Shrek já satirizou isso. Porém, acho que aqui está o maior trunfo do filme: Let It Go.


É impressionante a atração que essa música tem sobre as crianças (e o chiclete que vira na cabeça dos pais, claro). Não sou músico, então nem vou tentar explicar a razão, mas é incrível como a canção (vencedora do Oscar) é redondinha e agradável. O DVD do filme traz clipes dela em várias línguas e (como a Manu já viu todos, claro) posso dizer que é igualmente magnética até em malaio.

No mais, visualmente o filme é muito bonito, já que a paleta de cores do inverno é bastante favorável. A animação é bem avançada, muito bem feita, e o 3D funciona bem com os cenários de neve e gelo. Algo que não me agradou é o "plot twist" do filme, que não vou comentar aqui, mas achei tardio e inexplicável. Talvez um efeito colateral dos personagens mais "cinza", e portanto sem uma definição clara de "bem" e "mal" tão presente nos filmes infantis. Me soou muito forçado, e por mais vezes que eu veja (e, acreditem, já vi muitas), não consigo uma explicação decente para o que acontece, e porque não acontece antes.



No entanto, o saldo é positivo. A mensagem de amor do filme é bonita e contradiz o modelo tradicional de "princesa aguarda príncipe que salva tudo e se apaixona por ela". Só isso já mostra uma enorme evolução. Mesmo que a Manu não saiba explicar porque gostou tanto do filme, não vou achar ruim que ela goste nem que assista centenas de vezes. :-)

Nota: 6,0

terça-feira, 21 de outubro de 2014

De Volta para o Futuro Parte II (Back to the Future Part II, 1989)


Hoje, dia 21 de outubro de 2014, estamos a exatamente um ano do dia em que Marty McFly (acompanhado do Doc Brown e de sua namorada) chega no "futuro" para tentar salvar seu filho da prisão por um assalto. Sim, aquele futuro "distante", com carros voadores, hoverboards, e hologramas de tubarão está a apenas 12 meses de se tornar realidade. Será?

Mas, por mais que todos estejamos ansiosos com a possibilidade de andar de skate sem rodinhas, o que eu queria mesmo era aproveitar essa "comemoração" e falar do segundo filme da melhor trilogia que o cinema já viu, um dos poucos filmes "do meio" que supera os demais (de cabeça, lembro também de O Império Contra-Ataca). E um dos meus favoritos de todos os tempos.


Para mim, o filme é uma aula de "como fazer uma continuação". Repete o que deu certo no primeiro (mas sem exageros, como Se Beber, Não Case ou até alguns episódios da série Rocky) e constrói algo maior em cima disso. Agora que o espectador já entendeu as "regras" da viagem no tempo neste universo, roteirista e diretor as subvertem, escalando os problemas e transformando o filme em um vai e volta temporal que beira o caos, incluindo realidades alternativas, encontros entre diferentes versões do mesmo personagem, e até uma volta a 1955, onde tudo começou.

O principal fator de sucesso do filme é Robert Zemeckis. O interessante é que, segundo ele, não havia intenção de fazer uma continuação, e o final do primeiro filme indo para o futuro era apenas uma piada. No entanto, ao assumir o "desafio", ele soube ao mesmo tempo construir uma história interessante, com vários paralelos com o roteiro do primeiro filme, e fugiu da armadilha de "prever" o futuro criando uma 2015 caricata, estereotipada e muito divertida, sem relação nenhuma com a realidade.


Essa 2015 do filme foi um deleite para as crianças nerds da década de 80: hologramas, veículos voadores, aparelhos gigantes de TV com vários canais simultâneos, e até um óculos de informação pessoal que lembra bem o Google Glass. Mas, claro, o filme é muito mais do que isso. A história, como comentei, potencializa o efeito "fazer besteira no passado afeta o futuro": ao ir para 2015 evitar que seu filho seja preso, Marty McFly sem querer possibilita ao velho Biff encontrar seu eu do passado e entregar para ele um almanaque de resultados esportivos, possibilitando que ele fique milionário e domine Hill Valley. Para evitar que isso aconteça, ele e Doc Brown devem voltar à mesma noite de 1955 e evitar que o jovem Biff receba o almanaque, restaurando assim a 1985 original.



Com isso, novamente, apesar do "futuro" no nome, boa parte do filme se passa em 1955, dando ao espectador a chance de entender e até rever sob outra perspectiva alguns dos acontecimentos do primeiro filme, especialmente o Baile do Encanto Submarino, onde Marty havia conseguido reunir seus pais e garantir sua existência.

No mais, atuação, trilha sonora, tudo se mantém ou evolui em relação ao primeiro filme. No entanto, o roteiro mais intrincado, as piadas recorrentes e o tal "to be concluded..." no final (chamando para o inferior, porém ainda sensacional terceiro filme) fazem com que esse seja um pouco superior ao primeiro (algo muito difícil, diga-se). Agora é esperar um ano e ver se Marty McFly aparece com o DeLorean nos céus...

Nota: 9,8 (2o. colocado na minha lista de filmes favoritos)

(Link para o texto sobre o primeiro filme aqui)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1956)


Há filmes que você não apenas assiste, mas faz quase uma opção de vida. Seja pelo tema, seja pela duração, seja pela imersão histórica que proporcionam. Houve um tempo no cinema que uma "superprodução" só era considerada como tal se tivesse esses três componentes: longa duração (longa mesmo, estou falando de no mínimo 3 horas aqui), temas grandiosos e imersão histórica (traduzida em altos orçamentos com locações, figurinos, além de grandes atores). Hoje a palavra perdeu um pouco do sentido original, mas foi a era dos ÉPICOS. Cineastas como Cecil B. DeMille, David O. Selznick, David Lean (de quem já falei em Doutor Jivago) em um dado momento (mais notadamente, as décadas de 40 a 60) se especializaram nesse tipo de filme, que até hoje povoa as reprises noturnas.

Pois foi ontem, em uma dessas reprises, que me deparei com Os Dez Mandamentos. Estava para começar, eu nunca tinha visto, e tudo que ele exigia de mim eram quase 4 horas de dedicação, abrindo mão de parte do meu sono. Era uma proposta tentadora demais.


Apesar de não ser religioso, conheço um pouco da história da Bíblia, ainda mais essa que é uma das passagens mais importantes do Antigo Testamento. Minha primeira surpresa foi perceber que, apesar de seu nome, o filme cobre muito mais do que a entrega das tábuas da lei por Deus a Moisés, cobrindo praticamente toda a sua vida. E o mais interessante é que a parte que mais gostei do filme é justamente o início, que conta desde seu nascimento até a descoberta de que ele é hebreu e consequente expulsão do Egito.



Nessa fase do filme, há de se destacar também um outro aspecto fundamental dos épicos dessa fase: a canastrice das atuações. Um filme de 3, 4 horas de duração não pode se dar ao luxo de "barrigas" muito longas, aquelas sequências de cenas em que o ritmo do filme cai. Assim, todo diálogo, toda cena tem que ser, também, épica. Isso favorece, e até pede, atuações e diálogos que tragam essa "grandiosidade" da produção em cada take. Portanto, os atores acabavam sendo meio "exagerados". Para mim, Yul Brynner, no papel de Ramsés II, personifica bem esse estilo de atuação, com seus trejeitos e impostação de voz. Há de se considerar a época e o filme, mas hoje em dia soa quase caricato. Charlton Heston tem, claro, o papel de sua vida como Moisés, que, por força da própria história, acaba sendo um personagem um tanto unidimensional, ainda mais em sua fase profeta. Quem me surpreendeu foi Anne Baxter, no papel de Nefertiri, futura esposa do faraó. Seu papel se encaixa um pouco na "sedutora vingativa" de A Malvada, mas ela é, pra mim, o destaque do filme em termos de atuação.


No mais, um épico como um épico deve ser: atores de destaque até em papéis secundários (até Vincent Price está no filme), locações grandiosas (parte do filme foi feita no Egito), cenas ambiciosas. Aliás, como disse acima, esperava um filme que falasse mais da peregrinação dos hebreus, e essa parte é tocada bem por alto na história, culminando apenas com a cena mais famosa do filme, a abertura do Mar Vermelho, um feito notável pela tecnologia de efeitos especiais da época (e risível hoje, claro). Não há muito o que dizer sobre a história, o "roteiro original" é uma história de milhares de anos e que se supõe literal, e adaptar uma história em 4 horas de filme não exige lá grandes soluções inventivas de roteiro.



O que acho mais interessante em assistir filmes antigos é entender o que se entendia na época por "contar uma história". Com a introdução primeiro do som, e depois da cor, no cinema, os diretores se sentiam compelidos a (e capazes de) contar grandes histórias. E faziam isso da maneira mais épica possível. Em tempos de "remakes" e de medo de espantar o público se o filme passa de 2 horas, tem um quê de "volta às origens" sentar na frente da TV e dedicar 4 horas (que, por sinal, passaram bem rápido) a uma história, por mais datada e piegas que ela soe hoje. Só isso já valeu as horas de sono perdidas.

Nota: 7,0