quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Perfume de Mulher (Scent of a Woman, 1992)


Voltando aos anos 90, um dos filmes aos quais ouço mais elogios. É a história de um garoto (Chris O´Donnell), que apesar de estudar em um colégio abastado (com bolsa), passa por dificuldades financeiras e é contratado para cuidar de um militar cego e aposentado (Al Pacino), tentando ganhar algum dinheiro, enquanto é pressionado pela direção da escola a entregar alguns colegas que aplicaram um trote. Considerado uma pessoa difícil até pela família, que viaja para o feriado de Thanksgiving e o deixa aos cuidados de alguém, o Ten-Cel. Slade se recusa a ficar em casa conforme previsto, e faz com que Charlie (o garoto) o leve para Manhattan. No processo, o que iniciou como um relacionamento forçado e distante vai se tornando uma amizade, com Slade atuando como um improvável mentor junto a Charlie.

Eu gosto do filme. Mas provavelmente não tanto quanto a média. Não há como negar a estupenda atuação de Al Pacino (uma das suas últimas realmente boas, antes de bombas como S1m0ne), pela qual inclusive recebeu o Oscar de Melhor Ator. Sua interpretação do militar cego é impressionante e soa extremamente realista. Dá para ver o quanto ele se entrega ao papel. No entanto, em uma análise fria, o filme vai muito pouco além disso. Claro que já falei aqui sobre filmes que se apóiam em uma única cena (Letra e Música) ou mesmo em uma grande atuação (Piaf), mas para mim há uma diferença. Me permitam tentar explicá-la usando uma metáfora futebolística (se o ex-presidente pode, eu também posso).

Até o Al Pacino gosta de futebol.

Imagine um time com um grande craque e 10 jogadores medianos, comuns. Esse time possivelmente vai ganhar alguns (ou muitos) jogos. Mas, em geral, duas coisas podem acontecer: o craque carrega o time nas costas sozinho, ou então seu jogo faz com que os demais jogadores acabem se superando e jogando mais do que sabiam. Acho que já está claro onde quero chegar... Só para ficar em Al Pacino, em O Advogado do Diabo, outra fantástica atuação sua, ele puxa a qualidade geral do filme para cima. E olha que estamos falando de Keanu Reeves e toda a sua expressividade. A história, as atuações, o clima do filme se beneficiam de sua presença.

Para mim, não é o que acontece em Perfume de Mulher. Continuando um pouco mais com o futebol, é como se o time todo jogasse em função só do craque. Soa como se o filme fosse apenas uma ferramenta para mostrar a genialidade de Pacino. E, não me levem a mal, funciona muito bem, e o resultado geral é bom. Em muitos momentos seu brilho torna fantástico o que estamos assistindo. Mas, para que fosse um filme ótimo, acho que falta um pouco mais de unidade entre suas partes (convenhamos, Chris O´Donnell tem como "destaque" em sua carreira, além desse filme, 2 participações como Robin em filmes do Joel Schumacher. É bem pouco). E, embora o time de um só craque ganhe jogos e tenha seus brilhos, pode sentir dificuldade quando comparado a um que tenha como força o conjunto, sem nenhum destaque individual (tá aí a semifinal da Libertadores entre Santos x Corinthians que não me deixa mentir).

Tá bom, tá bom, chega de futebol.

Com tudo isso, como eu disse, eu gosto do filme, embora o ache meio Sociedade dos Poetas Mortos demais, se apoiando sobre uma grande atuação e um senso meio pretensioso de profundidade filosófica para parecer mais do que é. No entanto, se assistido como um grande monólogo de um grande ator, é uma experiência pra lá de prazerosa.


Nota: 7,0

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